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Um dia de cão…No facebook.

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As redes sociais, onde o facebook em Portugal se destaca, são um excelente meio de divulgação das mais diversas situações do quotidiano dos seus utilizadores. Não será por acaso que grandes marcas apostam nestes canais de comunicação para perceber hábitos e preferências dos seus clientes ou potenciais clientes.

O meu circulo de “amigos” no facebook, na sua esmagadora maioria, tem um ponto em comum: Os cães e actividades inerentes. Esta realidade, tal e qual as marcas, permite-me aferir a postura em relação ao cães, dos mais diversos tipos de pessoas com os mais diversos tipos de perfis.

Um olhar ligeiramente mais atento sobre “Posts” publicados ou “Likes” efectuados, não deixa duvidas sobre aquilo que se passa em torno da detenção de cães. Negligencia, Irresponsabilidade e ignorância, são facilmente detectáveis.

Um Post sobre uma temática de saúde ou comportamento animal, é merecedor de “3 Likes”. Num “dia de sorte”, talvez alguém até partilhe este tipo de publicação.

Em oposição, uma foto de um cão deitado em cima da cama, junto de uma almofada desfeita, dispara para os “210 Likes”, acompanhado de “50 partilhas”. Claro está, este tipo de Post é ainda reforçado com “32 comentários” onde cada utilizador conta os feitos mais destrutivos do seu cão.

Enquanto os “LOL´s” proliferam, os internamentos ( por vezes com consequencias fatais ) nas clínicas veterinárias, igualmente proliferam. Seguem-se operações de urgência, Raio-X para detecção de corpos estranhos que poderão ter sido ingeridos, entre outros cenários. Quando assim acontece, donos desolados, choram e imploram ao Sr. Dr. para salvar o seu “menino”. É como de um filho se tratasse, dizem. Pessoalmente, quando ouço tal comentário, dou graças pelo facto destas pessoas não terem filhos.

Complementarmente, não há dia que não surja nas “ News feed”, a divulgação de mais um cão “muito amado” que se perdeu. Imaginem: Até se dá recompensa a quem o encontrar. Isto é “amor”. Primeiro, condenam os cães à sua sorte, depois desesperam. Tristeza…

Pessoas que não controlam os seus cães, soltam-nos na via publica. Pessoas com cães em quintais, acreditam que um muro de 1,50cm é suficiente para evitar uma fuga. Pessoas que não se dignam a passear o cão na rua ( faz frio – chuvisca – Estão de pijama e chinelo ), abrem a porta para o exterior, acreditando sempre que o “bilhete” é de ida e volta. Estas realidades, não raramente, originam finais infelizes. As consequencias que daqui advêm não podem ser apelidadas de acidentes ou má sorte, mas sim de negligencia e desrespeito pelo cão…e por terceiros. Ainda assim, o mais longínquo utilizador da rede social, enquanto boceja, não deixa de escrever com grande vigor: “Vamos todos ajudar a encontrar o FiFÓ!”.

Quando pensamos que para um dia chega de tanta irresponsabilidade, surge ainda o Post daquela mãe que comprou o cão para o filho. Queria melhorar a auto-estima da criança, mas a auto-estima está na mesma, a casa está mais suja, odor a cão anda no ar e o filho passou a ser mordido nas mãos. Desesperadamente, pede ajuda. Dicas diversas, ofensas e “especialistas” em modificação comportamental, alimentam os mais diversos comentários do Post da mãe desesperada.

Post atrás de Post, o facebook ilustra bem a realidade em redor dos cães de companhia.

Muito se luta pelos direitos dos animais, mas parece que poucos percebem de onde vem verdadeiramente o problema. A maioria dos detentores de cães não conhece as suas obrigações e deveres. Não menos grave, os detentores tem uma visão infantil e desfasada daquilo que é um cão e das suas verdadeiras necessidades.

Cláudio Nogueira
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Expectativas irrealistas

Embora nem sempre assim se verifique, a escolha de um cão e respectiva raça, baseia-se em aspectos práticos que o futuro dono idealiza para o seu dia-a-dia. São exemplos disso, a necessidade de ter um cão sociável ( que não faça mal a pessoas e a outros animais ), um cão obediente ( que não precise de frequentar uma escola de treino canino ), um cão saudável ( que não implique idas ao veterinário ou uma dieta alimentar cuidada ), um cão calmo ( que não incomode em casa e seja bom para os problemas de auto-estima de alguns familiares ), um cão de porte médio/pequeno ( que não ocupe muito espaço e não tenha muita força para puxar na trela ), um cão que não ladre muito ( evitar má vizinhança ) e, “não menos importante”, que seja bonito.

Não raramente, a juntar à polivalência pretendida para um cão, o futuro dono anseia ainda por um verdadeiro guardião da família.

Golden Retriever

Golden Retriever

A compilação desta lista de desejos não se reúne com facilidade num cão. Independentemente da sua raça ou sem raça definida.

A escolha de um cão deve passar previamente por uma vontade assumida e esclarecida sobre aquilo que é ter um cão. É importante perceber que todos os cães tem uma fase de desenvolvimento/crescimento própria que deve ser respeitada, perceber que todos os cães ladram ( motivados por diversas razões ), perceber que todos os cães podem adoecer ( doenças crónicas e terminais ), perceber que existem características em determinadas raças que potenciam certos e determinados comportamentos, perceber que a estabilidade mental física e psíquica de um cão carece de um acompanhamento adequado e direccionado à espécie.

Infelizmente, a falta de conhecimento e a “leviandade” com que se compra ou adopta um cão, transforma o “cão ideal” numa desilusão e numa fonte de problemas. Quando assim acontece, além das tradicionais discussões familiares que começam com a frase “A ideia de ter um cão não foi minha…” , o cão passa a ser alvo de constantes punições verbais e físicas que nada resolvem. Cenário injusto e penoso para o cão.

Quando a “bomba” de problemas inerentes à detenção de um cão rebenta no seio familiar, a qual muitos donos julgavam ser passageira, a fase de maior sensibilidade e aprendizagem do cão já terá passado. Esta última, garantidamente, terá ficado vincada com inúmeras experiencias negativas. O efeito “Bola de Neve”, ganha proporções cada vez maiores e preocupantes para os donos.

O recurso a uma escola de treino canino, continua a ser visto como uma necessidade para resolução problemas ( de preferência em processo acelerado ) ao invés de ser vista como um local de aprendizagem e prevenção, em tempo útil, para donos e cães.

Resumindo, os cães não são problemáticos, a forma como se escolhe um cão assim como aquilo que dele se espera, na maioria das vezes, acaba por ser baseado em expectativas irrealistas.

Cláudio Nogueira
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