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Sendo assim, já não quero!

Alguns países da Europa ou regiões de alguns países da Europa, faz tempo que tomaram medidas objectivas, preventivas e pedagógicas em relação à detenção de um cão. Além de acções de sensibilização e formações sobre comportamento / bem estar animal, existe também a obrigatoriedade de treino para todo e qualquer cão. Este treino, visa essencialmente fomentar um controlo básico sobre o cão, assim como a sua capacidade de integração na nossa sociedade.

Estas medidas, visam proteger os “interesses” do Cão aos mais diversos níveis. Um deles, o principal, evitar o abandono.

A consciencialização prévia das obrigações e investimento financeiro inerente à detenção de um cão, minimiza o factor “surpresa”. Por outro lado, permite aos interessados, tomar uma decisão realista e consciente. Não raramente, para bem dos envolvidos, permite evitar a adopção ou compra de um cão por impulso, entre outros.

Pessoalmente, defendo algo similar para Portugal, país onde o abandono e o desconhecimento de como lidar com um cão, apresenta uma realidade preocupante. Os animais e os cães em particular não podem continuar a ser vitimas da nossa ignorância, capricho, egocentrismo, etc.

Esta minha posição não se trata de excesso de zelo mas a constatação efectiva de uma realidade preocupante. Sendo Coordenador Técnico de uma Escola de Treino Canino, muitos dos telefonemas que recebo não são para pedir informações sobre treino, mas sim informações sobre possíveis veterinários que estejam disponíveis para colocar cães a “dormir”, fruto do seu mau comportamento. É triste, mas é verdade.

Recentemente, dado estar ligado à raça Rottweiler, recebo cada vez mais, telefonemas a solicitar a confirmação da obrigatoriedade de treino para esta raça em particular. Situação, inerente à legislação das raças classificadas pelo Governo Português como “Potencialmente Perigosas”.

No inicio do telefonema, os interessados na raça são grandes apaixonados e admiradores do Rottweiler. Sempre sonharam ter um ou gostavam de voltar a ter outro. No entanto, ao serem confrontados com a possibilidade de terem que vir a treinar o seu cão, além de indignados, mudam de opinião.

Sendo assim, já não quero! – Dizem.

Afinal, também gostam muito do Pastor Alemão. Lamento, o futuro de qualquer raça que caia nas mãos desta gente “conhecedora” e “apaixonada” por cães.

Esta realidade, comprova que sempre um detentor seja confrontado com obrigações inerentes ao seu cão de companhia, imediatamente e na sua maioria, desiste. Assim sendo, esta seria uma medida interessante a adoptar. Ao fim de dez anos, o abandono teria caído em flecha. Os negligentes desistiam de ter cães, ficando apenas e só, aqueles que na realidade estão dispostos a viver com um cão e a respeitar as condutas inerentes.

Fica a sugestão…

Cláudio Nogueira
www.oestedogcamp.pt

Cães e Crianças

O RELACIONAMENTO DOS CÃES COM CRIANÇAS

Os cães de um “modo geral” e independentemente da sua raça, são tolerantes com crianças. Contudo, não é aconselhável assumir que nunca haverá problemas. Não menos importante, a relação entre uma criança e um cão deve ser sempre supervisionada por adultos.

Arty e Criancas - Artigo-web

Movimentos bruscos, gritos ou brincadeiras incomodas para o cão, poderão levar a que o mesmo perca a tolerância com a criança. Igualmente, abraços e beijos no focinho do cão, devem ser evitados. Enquanto o abraço pode causar no cão a ansiedade de se libertar, aproximar o rosto do focinho pode ser interpretado como uma ameaça. Ambas as situações podem despoletar uma mordida ou posturas defensivas.

Dependendo de cada cão, da sua educação, sociabilização e treino, a tolerância para com as crianças poderá variar. Por exemplo, na presença de um adulto, o cão poderá perceber que está inibido de adotar comportamentos negativos para com uma criança. No entanto, não é garantido que na ausência do adulto, o comportamento se mantenha igual.

A tolerância para com uma criança ( e não só ) poderá ser menor, caso o cão se encontre a comer. O instinto de defesa/posse, pode ser despoletado, levando a posturas defensivas ( rosnar ) ou a uma mordida rápida.

De salientar, se o cão deve ser educado a estar com crianças, estas devem também ser educadas a lidar e a respeitar o cão. Não menos importante, a tolerância para com uma criança varia de cão para cão ( enquanto indivíduo ) e não em função de uma raça. 

Um animal, seja ele qual for, não deve ser encarado como um brinquedo.

Alguns conselhos: 

  • Educar o cão a não saltar para cima das pessoas, evitando que mais tarde o faça como uma criança;
  • Os brinquedos de uma criança, não devem estar à disposição do cão. Esta situação pode originar “disputas”;
  • Antes da “apresentação” direta de um bebé a um cão, será aconselhável permitir que o cão, previamente, tenha contacto com o odor das roupas da criança;
  • O cão deve ser habituado ao bebé,  por exemplo ao seu choro, através de um processo de dessensibilização ( distraindo-o ), associando o bebé e o seu comportamento a algo positivo ( Guloseima / Carícia );
  • Uma criança não deve entrar num espaço vedado onde existam cães à solta;
  • Uma criança não deve fazer festas a um cão que esteja preso (corrente, gradeamento, à trela, etc);
  • Uma criança não deve interagir com um cão quando este se encontre a comer;
  • Supervisione sempre o cão e a criança quando estes estiverem juntos;
  • A interação de uma criança com um cão de terceiros, não deve ser facilitada. Na maioria das vezes, os donos não conhecem os seu cães ou tão pouco conseguem interpretar a sua linguagem corporal;
  • O cão, preferencialmente, deve integrar a família desde cachorro, deve ser proveniente de boas linhagens ( no caso de um cão sem raça definida é importante tentar saber o seu “historial” ) e deve ser alvo de uma correta educação, sociabilização e treino;

NOTA: Recorrer a profissionais / escolas de treino canino, é altamente recomendável.

Cláudio Miguel Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv