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À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta

O titulo deste artigo, expressão atribuída ao Imperador Romano Júlio César, poderá servir para fazer uma breve “analogia” com alguns actuais e ditos veteranos treinadores caninos.

Há vários anos foi evidenciado um esforço bem sucedido para a promoção e implementação do regulamento da prova de BH ( Cão de Companhia ) em Portugal. Algo que, directa e indirectamente, sinto ter dado o meu contributo. Não só através da apresentação de cães a esta prova, mas também enquanto elemento da subcomissão do CPC de cães de trabalho (RCI).

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A prova de BH foi adoptada em vários países como um requisito mínimo obrigatório para a participação em provas de IPO. Pretende-se, desta forma, realizar uma avaliação prévia do controlo e da sociabilidade do exemplar que posteriormente será apresentado em competição.

As características do regulamento de BH, nomeadamente, a vertente de obediência e a vertente de sociabilização, fazem desta prova uma prova tão interessante quanto útil.

O problema de integração de cães na sociedade e a ausência em alguns clubes de raça de um controlo mínimo de selecção do temperamento e carácter de reprodutores, levaram a que o BH fosse adoptado como requisito, quer para circular com um exemplar na via publica ( caso de algumas regiões da Alemanha ) quer em programas de criação, onde os progenitores devem ser detentores do titulo de BH.

Se encarado de forma séria e com honestidade, de facto, o titulo de BH poderia ser um dos caminhos para obter melhores cães e uma melhor vivência com os mesmos.

A preparação para esta prova não requer a exigência e a qualidade técnica de uma prova de trabalho, tão simplesmente porque a prova de BH não é uma prova de trabalho. Ainda assim, existe um regulamento para ser cumprido e uma atitude “mínima” que deve ser exigida aos cães apresentados em prova.

Numa opinião muito pessoal, tenho verificado a banalização desta prova e, não raramente, o desrespeito pelo seu regulamento e propósito. Situação que acontece em algumas provas de trabalho, nomeadamente no grau I do IPO. Facto, justificado de forma diferente em função das necessidades ou circunstancias. É lamentável e pouco dignificante para os exemplares apresentados, verificar a forma como literalmente se arrastam na “proximidade” dos seus condutores. De forma desajustada e mediante comandos audíveis fora do campo, os cães sem qualquer motivação, vêem-se forçados a obedecer ( os que obedecem ).

Não sei para onde se pretende caminhar mas garantidamente sei que não iremos evoluir. Igualmente, sei que o treino de que muitos cães são alvo está desajustado e baseia-se em métodos “old-school”.

Não basta dizer que se está no mundo dos cães há x anos ou que se tirou um curso de treino canino baseado em métodos cientificos. Há que apresentar resultados minimamente credíveis, respeitando sempre o bem estar animal. Há que saber motivar e responsabilizar todos aqueles que querem dar os primeiros passos no desporto canino ou tão somente, enquanto proprietários de cães de companhia.

Urge, mudar a imagem que existe dos treinadores de cães. Urge, trabalhar para cada vez mais, os potenciais interessados em treinar um cão, consigam separar o trigo do joio.  Será para bem de todos: Pessoas e Cães.

Cláudio M. Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv

A Matilha, Dominância…e a falta de conhecimento.

Não raramente, de forma directa ou indirecta, continuo a verificar que os termos “Matilha” e “Dominância”, continuam a servir para justificar aquilo que a falta de conhecimento sobre o Cão e o relacionamento com o mesmo, não consegue. Situação que leva muitos donos de cães a violentarem o seu cão ou, aqueles que não tem coragem para o fazer, a sentirem-se culpados por não estarem à altura do seu animal de companhia. É muito grave quando assim acontece. Infelizmente, assim continua acontecer.

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Hoje, quando falo daquilo que considero serem boas práticas para um relacionamento mais saudável entre um dono e o seu cão, tenho o cuidado de referir que nem sempre defendi o que hoje defendo. Digo mesmo: “ Já estive do outro lado da barricada”. No fundo, “defendia” aquilo que me impunham como uma verdade absoluta. Um bom estrangulador, trela curta, reforçado com um colar corrector, eram a suposta solução. Solução essa, quando não eficaz, deveria ser acompanhada de correcções verbais fortes ( gritar alto ), de uma pancada seca na cabeça do cão e, no limite, placar o cão e deitar-me sobre o mesmo. Afinal, tinha que ser o Líder da Matilha, tinha que impor a minha dominância. Caso contrário, o Rottweiler não era o cão adequado ao meu perfil.

Felizmente, alguma perspicácia e inteligência, complementada com a posse de um cão dotado de um carácter forte, obrigaram-me a procurar novos caminhos, entenda-se, conhecimento e experiencia prática.

Hoje (felizmente há muito tempo), não necessito de passear os meus Rottweilers de estranguladora ou de colar corrector. Uma boa Educação, Sociabilização ( assente em processos de dessensibilização ), complementadas com um bom treino de obediência associado à prática de modalidades desportivas, concedem aos meus cães e a mim uma vivencia harmoniosa entre ambos.

De salientar, relacionado com aquilo que chamo de boas práticas, está um relacionamento diário ( quer na vertente de cão de companhia, quer na vertente desportiva ) baseado na paciência, coerência, rigor e em metodologias de treino que tem por base, os chamados métodos positivos. Não menos importante, existe a noção clara que um cão é um cão, facto que me obriga a adaptar às necessidades inerentes da espécie.

Pessoalmente, preocupa-me as pessoas que questionam abordagens de treino onde a força e o castigo não são a palavra de ordem. Pessoas, que defendem as festas ou um breve elogio verbal, como suficientes para um cão. Caso contrario, dizem, o cão só obedecerá por interesse. A “cereja em cima do bolo” é quando complementam com a frase: “…já ando nisto há muitos anos e sei como é!”.

Esta preocupação, deveria ser também a preocupação de qualquer dono de um cão. Porquê?…Simples. Um olhar atento sobre o trabalho realizado por fundamentalistas de métodos “Old school”, será suficiente para não se vislumbrar qualquer resultado ( quando o apresentam ) digno de registo. Não menos importante, recorrentemente, nos trabalhos apresentados está vincada uma postura submissa do cão ( orelhas placadas, intermitência e lentidão na execução dos exercícios, bocejar durante ou entre os exercícios – na sua maioria envolvem saltos de obstáculos “militaristas” – baixar a cabeça com a aproximação do dono, etc ).

Quando estiver na presença de alguém defensor da teoria que um cão não pode passar uma porta à frente do seu dono, só deve ser alimentado depois de toda a família ter tomado a sua refeição, a “teimosia” do cão está relacionada com a dominância, um cão tem que obedecer por obrigação ( para impormos a nossa liderança e dominância ) ou um cão que puxa na trela quer liderar…FUJA!…Se gosta do seu cão, fuja!

Se aceitar uma abordagem em conceitos desfasados da realidade a par de uma Educação, Sociabilização e Treino de obediência assente na força e nas punições, para além de não obter resultados práticos, irá ser confrontado pelo dito “treinador”. Este, irá colocar-lhe as responsabilidades de toda a situação. Afinal, “não soube” impor-se sobre o seu cão.

Cláudio M. Nogueira
www.amigodorottweiler.com
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