Arquivo de etiquetas: sociabilizar um cão

Sociabilização – Considerações Gerais

A sociabilização de um Cão deve começar o mais cedo possível. O período secundário de sociabilização ocorre entre as 6 semanas de vida podendo ser estendido até às 15 semanas. Parte deste período ocorre com a chegada de um cachorro à sua nova casa. Este é um período que o cachorro, apresenta maior disponibilidade para o contacto com novas realidades. Esta fase, de forma controlada, deve ser alvo da maior aposta naquilo que é a sociabilização de um cachorro.

Um Cão que por motivos diversos não tenha passado por um processo atempado de sociabilização, não deverá ser visto como um caso perdido. No entanto, quando assim acontece, poderão ser manifestadas perturbações de comportamento.

A sociabilização deve basear-se num processo de dessensibilização ao meio ambiente, especialmente em cães com idade mais avançada que tenham falhado o período mais adequado para a sua sociabilização.

Todo trabalho de sociabilização / dessensibilização deve ser elaborado de forma cuidada, planeada e preferencialmente sob a supervisão de alguém experiente em questões comportamentais.

O video apresentado neste Blog, em linhas gerais, pretende sensibilizar para a importância de uma correcta sociabilização, especialmente para cães com idades mais avançadas.

Nunca desista do seu cão, seja ele um cão de raça ou sem raça definida.

Cláudio Nogueira
oestedogcamp.pt
Canal Youtube
Canal Vimeo

A Matilha, Dominância…e a falta de conhecimento.

Não raramente, de forma directa ou indirecta, continuo a verificar que os termos “Matilha” e “Dominância”, continuam a servir para justificar aquilo que a falta de conhecimento sobre o Cão e o relacionamento com o mesmo, não consegue. Situação que leva muitos donos de cães a violentarem o seu cão ou, aqueles que não tem coragem para o fazer, a sentirem-se culpados por não estarem à altura do seu animal de companhia. É muito grave quando assim acontece. Infelizmente, assim continua acontecer.

Panzer-Erika_web

Hoje, quando falo daquilo que considero serem boas práticas para um relacionamento mais saudável entre um dono e o seu cão, tenho o cuidado de referir que nem sempre defendi o que hoje defendo. Digo mesmo: “ Já estive do outro lado da barricada”. No fundo, “defendia” aquilo que me impunham como uma verdade absoluta. Um bom estrangulador, trela curta, reforçado com um colar corrector, eram a suposta solução. Solução essa, quando não eficaz, deveria ser acompanhada de correcções verbais fortes ( gritar alto ), de uma pancada seca na cabeça do cão e, no limite, placar o cão e deitar-me sobre o mesmo. Afinal, tinha que ser o Líder da Matilha, tinha que impor a minha dominância. Caso contrário, o Rottweiler não era o cão adequado ao meu perfil.

Felizmente, alguma perspicácia e inteligência, complementada com a posse de um cão dotado de um carácter forte, obrigaram-me a procurar novos caminhos, entenda-se, conhecimento e experiencia prática.

Hoje (felizmente há muito tempo), não necessito de passear os meus Rottweilers de estranguladora ou de colar corrector. Uma boa Educação, Sociabilização ( assente em processos de dessensibilização ), complementadas com um bom treino de obediência associado à prática de modalidades desportivas, concedem aos meus cães e a mim uma vivencia harmoniosa entre ambos.

De salientar, relacionado com aquilo que chamo de boas práticas, está um relacionamento diário ( quer na vertente de cão de companhia, quer na vertente desportiva ) baseado na paciência, coerência, rigor e em metodologias de treino que tem por base, os chamados métodos positivos. Não menos importante, existe a noção clara que um cão é um cão, facto que me obriga a adaptar às necessidades inerentes da espécie.

Pessoalmente, preocupa-me as pessoas que questionam abordagens de treino onde a força e o castigo não são a palavra de ordem. Pessoas, que defendem as festas ou um breve elogio verbal, como suficientes para um cão. Caso contrario, dizem, o cão só obedecerá por interesse. A “cereja em cima do bolo” é quando complementam com a frase: “…já ando nisto há muitos anos e sei como é!”.

Esta preocupação, deveria ser também a preocupação de qualquer dono de um cão. Porquê?…Simples. Um olhar atento sobre o trabalho realizado por fundamentalistas de métodos “Old school”, será suficiente para não se vislumbrar qualquer resultado ( quando o apresentam ) digno de registo. Não menos importante, recorrentemente, nos trabalhos apresentados está vincada uma postura submissa do cão ( orelhas placadas, intermitência e lentidão na execução dos exercícios, bocejar durante ou entre os exercícios – na sua maioria envolvem saltos de obstáculos “militaristas” – baixar a cabeça com a aproximação do dono, etc ).

Quando estiver na presença de alguém defensor da teoria que um cão não pode passar uma porta à frente do seu dono, só deve ser alimentado depois de toda a família ter tomado a sua refeição, a “teimosia” do cão está relacionada com a dominância, um cão tem que obedecer por obrigação ( para impormos a nossa liderança e dominância ) ou um cão que puxa na trela quer liderar…FUJA!…Se gosta do seu cão, fuja!

Se aceitar uma abordagem em conceitos desfasados da realidade a par de uma Educação, Sociabilização e Treino de obediência assente na força e nas punições, para além de não obter resultados práticos, irá ser confrontado pelo dito “treinador”. Este, irá colocar-lhe as responsabilidades de toda a situação. Afinal, “não soube” impor-se sobre o seu cão.

Cláudio M. Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv

 

Quando começar a treinar o meu cão?

Skype-Treinos-Coto05A duvida sobre qual a melhor idade para treinar um cão, surge com muita frequência na maior parte dos donos de cães.

Sobre esta matéria, existe um leque variado de conceitos e opiniões.

Há quem defenda que antes dos doze meses de idade não vale a pena iniciar qualquer treino, outros defendem que o treino deve ter o seu inicio a partir dos dois meses de idade, havendo ainda quem defenda os seis meses idade como o período ideal para iniciar o treino. Perante esta panóplia de teorias, no final, são os donos que em função do cão que têm (mais ou menos problemático), acabam por decidir por eles próprios a altura ideal para iniciar o treino. Decisão que muitas vezes se revela precoce ou tardia, bem como pouco esclarecida nos seus propósitos e objetivos.

O estigma que rodeia as raças ditas “potencialmente perigosas”, assombra a mente dos detentores de exemplares destas mesmas raças. Não menos grave, existem mitos (no passado associados a outras raças) que sem qualquer fundamento, levam os donos a optar por treinos duros e muitas vezes violentos. As consequências são extremamente perigosas para todos os envolvidos.

Por outro lado, comportamentos normais num cachorro como o morder as pernas do dono em andamento, as mãos dos donos, rosnar num jogo de tração ou não largar o que tem na boca, são motivo suficiente para os donos assumirem que estão perante um cão problemático. Não podem estar mais errados. Garantidamente, devido aos seus bons instintos naturais e índices motivacionais elevados, estão perante um cachorro com grande disponibilidade para o treino.

A aprendizagem de um cão deve ser um processo contínuo e dividido em três fases: Educação, Sociabilização e o Treino de obediência.

A educação deve surgir logo a partir do primeiro momento em que o cachorro chega a casa. Educar é informar o cachorro sobre as regras da sua nova casa. É fundamental para um cachorro conhecer o seu local de retiro, a sua família humana, saber usar uma coleira, saber usar uma trela e ser orientado de forma cuidada para aquilo que pode e não pode fazer. Este último aspeto pode ser facilitado, não expondo permanentemente o cachorro a situações tentadoras (Ex: Circular livremente por toda a casa).

Nas diversas etapas do crescimento o cachorro estará permanentemente a colocar os seus donos à prova. Conquistar novos espaços e liderar todas as iniciativas, serão atitudes frequentes. Este facto, obrigará qualquer dono a ser coerente e rigoroso com a educação do seu cão.

DSC06641-webA sociabilização de um cachorro com o ambiente que o rodeia é algo que deve começar desde cedo. Numa primeira etapa, será o criador assumir esta função. Posteriormente, caberá ao novo dono dar continuidade ao processo de sociabilização. Processo que se deverá prolongar durante grande parte da vida do cão.A partir dos quatro meses de idade, com o programa de vacinação completo, o recurso a uma boa escola de treino é aconselhável. O cachorro poderá ter contacto com outras pessoas e animais, enriquecendo a sua experiência de vida. Esta, será determinante no seu comportamento futuro.

Embora se recomende uma escola de treino a partir dos quatro meses de idade, esta servirá inicialmente para sociabilizar o cachorro e para o dono conhecer técnicas adequadas para interagir com o seu cão.

Expor de forma controlada e moderada o cachorro/cão adulto ao seu meio envolvente é fundamental para o seu desenvolvimento e bem-estar.

Obs. – Embora por motivos de saúde seja recomendado que o cachorro não circule na via pública antes de ter completado o programa de vacinação, será importante perceber que os primeiros meses de vida são fundamentais no processo de sociabilização. Assim, de forma cuidada ( não expondo o cachorro ao contacto com cães de rua, lixo, fezes de outros animais, etc ), o cachorro de carro, ao colo e mesmo pelo chão deve ser levado à rua ou junto de ambientes que simulem o dia-a-dia.

Quando se constrói, na base, uma boa educação e sociabilização, os primeiros treinos tornam-se mais fáceis. O cachorro respeita o dono, o cachorro sente-se desinibido com o que o rodeia e ambos desenvolvem uma relação inicial sem conflitos.

Em função do cachorro, da orientação de treino definida e da experiência do treinador, a partir dos seis meses ( ou mesmo antes ), o cachorro poderá ser apresentado de forma gradual e moderada aos exercícios de obediência básica. Este trabalho deve ser um trabalho cuidado e jamais com o objetivo de ensinar em definitivo os exercícios ao cachorro. A vontade de descobrir novos horizontes e a energia típica de um cachorro, deve ser aproveitada para de forma aprazível, criar o gosto pelo treino e canalizar os instintos naturais do cão para atividades adequadas e estimulantes. Quando assim acontece os comportamentos incomodativos, como ladrar permanentemente, correr atrás de objetos, escavar, roer, etc, serão minimizados.

Tal e qual as outras fases referidas anteriormente, o treino de obediência deve ser um processo contínuo durante a fase de crescimento do cão, no entanto, deve ser prolongado o mais possível. Preferencialmente até aos três anos de idade, altura em que grande parte das raças já atingiram ou estão a atingir a sua maturidade. Posteriormente, deve ser garantido um trabalho de “manutenção” dos comportamentos resultantes do treino, não só para que não se percam mas também para manter os estímulos físicos e mentais do cão.

Resumindo, embora a palavra treino seja o “chapéu” que inclui tudo o que esteja relacionado com o ensinamento de um cão, este processo pode ser interpretado como um processo composto por várias fases distintas que direta ou indiretamente, estão interligadas entre si.

De forma controlada e respeitadora para terceiros, deixe o seu cachorro crescer e não confunda o seu porte físico com a sua maturidade. Não se precipite em incutir obediência prematura no seu cachorro. Os aparentes resultados imediatos irão transformar o seu cachorro num cão apático, relutante aos ensinamentos, receoso e desconfiado. Aspetos que em adulto o podem tornar num cão perigoso.

Aconselhe-se sempre com pessoas experientes e com provas dadas.

Cláudio Miguel Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv