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Aprender a ficar sozinho

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Ensinar um cão a ficar sozinho é uma das maiores dificuldades para a maioria dos detentores de cães. Não só pela percepção da metodologia a usar mas também pela dificuldade na aplicação da mesma. Uma visão humanizada do cão aliada a um sentimento de culpa, impedem muitos donos de limitar o espaço dedicado ao seu animal de companhia.

Não ensinar um cão a estar sozinho, quer se trate de um cachorro ou cão adulto ( Ex: adoptado ), ir-se-á contribuir para o desenvolvimento de comportamentos que se manifestarão das mais diversas formas ( Ex: Vocalização excessiva, Destruição, Auto mutilação, Ausência de regras de higiene, entre outros ). Todos estes comportamentos podem estar associados ao stress e à ansiedade causada pela separação.

De forma recorrente e aquando a chegada de um novo cachorro a casa, os donos facultam uma liberdade excessiva ao cão. O entusiasmo e a novidade inicial são potenciadores de um tempo excessivo dedicado ao cachorro. No caso de um cão adoptado toda esta realidade toma proporções maiores. Com boas intenções os donos tentam de forma abrupta compensar no presente aquilo que eventualmente o cão não teve no seu passado.

O dia-a-dia das pessoas e todas as suas obrigações diárias, inevitavelmente, irão trazer grandes ausências de tempo. É nesta altura que os cães que inicialmente foram brindados com uma companhia desmedida vão sofrer o choque da ausência dos donos.

Para ensinar um cão a estar sozinho, devemos desde o primeiro dia que chega a casa, prepará-lo de forma gradual a ficar só e confinado a um espaço dedicado para o efeito. Este processo deverá ser repetido diversas vezes ao dia, no mínimo, durante um mês. Período no qual não podem haver intermitências ou cedências.

Para cães de apartamento ou para cães cujo os donos optam por ter permanentemente os seus animais no interior da casa, uma divisão especifica ou o recurso a um parque para cães, são opções a considerar. O parque para cães, desmontável, é uma opção muito interessante. Sendo o parque transportável, uma vez o cão adaptado ao mesmo, a mudança de local nunca será problema. O cão estará sempre identificado com o seu espaço.

Nos espaços usados para retiro do cão, podem existir objectos adequados ( de qualidade ) para roer ao invés de brinquedos. O recurso a um “Kongo” ( de qualidade e adequado ao tamanho do cão ) pode ser igualmente opção. Estes objectos permitem colocar comida no seu interior, estimulando o cão a procurar a forma de obter essa mesma comida. Esta ultima, normalmente, sairá por um pequeno orifício sempre que o “Kongo” for manipulado pelo cão.

A adaptação ao retiro do cão, inicialmente, deve ser feita ( na sua maioria das vezes ) quando os donos estão em casa. De forma gradual e com intermitência ( umas vezes curta outras vezes mais prolongada ) os donos passam junto do cão. Uma vez para o libertar outras apenas para mostrar ao cão que não estão longe. A repetição deste processo irá dar a percepção ao cão que os seus donos nem sempre podem estar perto, bem como a qualquer momento podem voltar. De salientar, nesta fase de aprendizagem, as partidas não devem ser acompanhadas de despedidas ( Ex: “Taaadiiinho, o dono já vem! Não fica triste!” – “O dono vai embora mas trouxe um biscoito” ). Da mesma forma, a chegada não deve ser efusiva. Quando assim não acontece, as despedidas marcam claramente no cão a ideia da separação, enquanto as chegadas uma excitação e descontrolo desmedido ( Ex: cães urinam-se, Cães mordem as mãos dos donos, Cães correm descontroladamente, Cães vocalizam de forma eufórica, etc ).

Neste processo de aprendizagem do cão e sempre que este esteja no seu espaço de retiro, nunca se deve ir ter com o cão quando existem sinais de excitação ( Raspar / Vocalizar / Saltar ). A associação deste estado à sua libertação ou aproximação dos donos, levará ao reforço do comportamento. O inverso ( ignorar ) levará à sua extinção. Este processo exige consistência.

No passado, pensava-se que para ter um cão era preciso muito espaço ou mesmo uma grande propriedade. Dizia-se que para ser feliz, o cão precisava de espaço para correr. O cão precisa de interacções com terceiros ( Ex: donos ), estimulação física e mental. Não menos importante, um cão precisa de regras e rotinas para que de forma saudável e pacifica possa estar integrado na sociedade humana.

Cláudio Nogueira
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Em nome da “Obediência”

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Os castigos ou punições, infelizmente, são mecanismos enraizados na sociedade Humana. Principalmente, em pessoas que no seu passado e no seu processo de aprendizagem, foram também elas alvo deste tipo de filosofia.

De forma consciente ou inconsciente, a cultura do castigo ou punição é algo que de forma sistemática é aplicada no treino de um cão.

Induzir fisicamente ( pressionando, puxando uma trela ) um cão, castigar verbalmente um cão, usar um esguicho de agua no focinho do cão, usar uma revista / chinelo para bater no cão, colocar pimenta em locais específicos da casa, são exemplos das estratégias de punição que muitos donos usam diariamente.

As punições, por uma questão ética e por ineficácia das mesmas, não devem ser usadas. Uma punição para que verdadeiramente funcionasse teria que ser aplicada ao milésimo de segundo na adopção do comportamento indesejado, deveria ter uma intensidade elevada ( não permitir ganhar adaptação ) e deveria repetir-se de forma sempre igual na adopção de cada comportamento indesejado.

Perante o atrás explicado não será difícil concluir que a repetição de uma punição, garantindo as variáveis envolvidas, é praticamente impossível de replicar, principalmente, pelo dono inexperiente que na maioria das vezes é inconsequente. Este facto, torna as punições ineficazes e na origem da conflitualidade entre o dono e o seu cão.

Não menos grave, a punição “gratuita” irá apenas contribuir para suprimir temporariamente um comportamento. Normalmente, dependendo do cão, o comportamento “suprimido” irá repetir-se algum tempo depois junto do autor da punição ou, no limite, tenderá a repetir-se na ausência de quem puniu. Esta realidade, confirma que a punição não tem como consequência a aprendizagem efectiva do comportamento desejado.

Igualmente, é importante perceber que a punição contribui de forma indirecta para inibição de outros comportamentos. Quer isto dizer que ao punir um comportamento, poderá colocar-se em causa ( através da inibição – Intimidação ) outros comportamentos do cão. Desta forma, será possível concluir que a punição provoca danos colaterais, gerando simultaneamente intermitência nos comportamentos “aprendidos”. A esta realidade os donos atribuem erradamente o conceito do “Cão teimoso” ( obedece de forma intermitente ), “Cão provocador”  ( Depois corrigido, volta a tentar ) ou mesmo de “Cão culpado” ( Presença de quem pune pode antecipar por parte do cão o receio de punição levando-o adoptar uma postura submissa ).

Se é verdade que o uso das punições inibirá o cão de oferecer comportamentos podendo-o transformar num cão apático, infelizmente, não é menos verdade que um cão “apático” é o desejo da maioria dos donos. No entanto, é importante ressalvar que um cão “apático” é um cão psicologicamente abatido e desvirtuado.

Alguns, talvez muitos, estarão nesta a fase a pensar: “O cão destrói a casa e leva-me de arrasto na trela…e eu não faço nada??!!!”. É um pensamento legitimo e pertinente. Se a resposta a este pensamento é simples por outro lado é complexa e polémica.

A resposta simples, seria: “Aprenda a conhecer e a treinar o seu cão!”. Este é o único caminho para aprender a lidar com um animal, normalmente dinâmico e funcional, que poderá evidenciar um vasto conjunto de comportamentos perante um vasto conjunto de estímulos que lhe são apresentados diariamente.

No entanto, não é assim tão simples. É complexo ouvir pessoas afirmarem que amam os seus cães ao mesmo tempo que recusam conhecer de forma realista o animal que dizem amar. Os donos apenas conhecem as manhas e os esquemas de “sobrevivência” que o cão adopta na sua casa. Não conhecem realmente o seu cão e as suas reais necessidades.

Gostar de cães, amar cães ou respeitar cães e os animais no geral, não significa saber lidar ou viver com os mesmos.

Não raramente e durante uma vida, diariamente, alguns donos sacrificam os seus cães com puxões na trela, remetem o cão a isolamento ( quintais ), cirurgias, medicamentação e castigos físicos diversos. Tudo em nome da “Obediência”.

Cláudio Nogueira
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Nem 8…Nem 80!

 

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Considerando sempre a especificidade de cada raça ou cada cão enquanto um indivíduo de uma raça e espécie, o treino deve ser o mais adequado possivel. Num mundo cada vez mais virtualizado, mecanizado, irracional, fundamentalista, fútil e insensível, os cães directa ou indirectamente são vitimas desta triste realidade. Nada substituirá o relacionamento real de um cão com o seu semelhante. Nada substituirá o relacionamento real de cumplicidade entre o Homem e o Cão.

Os valores das pessoas e as suas verdadeiras necessidades estão deturpadas ou pouco claras na cabeça de alguns. Uns querem “Jipes” dotados de pinturas metalizadas, Ar Condicionado, Estofos em Pele, Blue Ray nos bancos traseiros, tudo isto, pelo conforto de subir um qualquer passeio junto ao Shopping. Carros de muitos cavalos, dotados de velocidades vertiginosas , são usados em meio urbano por pessoas de meia idade para passear uma qualquer “menina” cujo o intuito é impressionar. Na maioria das vezes e para ambas as situações, o condutor não dá conta do “recado”. Exibir o Telemóvel ou o Tablet de topo de gama cuja finalidade principal é colocar um post no “face”, remete para “2º plano” as verdadeiras e desconhecidas potencialidades dos equipamentos utilizados.

Para estar na moda, por mero capricho, vaidade, problemas de auto estima, solidão, prenda fofa de Natal…compra-se ou adopta-se um cão. Um animal dotado de características muito próprias e de grande potencial.

Um cão, com o passar do tempo e devido ao inevitável crescimento, coloca a descoberto as mais diversas “incompatibilidades” entre o Homem e o chamado “Cão de companhia”.

Enquanto o Homem saboreia o gelado e assiste à sua série televisiva de eleição, o cão desespera por correr atrás da sua “presa”. Enquanto o Homem, freneticamente dedilha no chat de uma qualquer rede social, o cão pouco estimulado e carregado de energias, direcciona a sua “ira” para a perna do sofá. Cansado de uma noitada com os amigos, pela manhã, o Homem deixa-se dormir, já o cão, “teima” em não encontrar a rotina, vendo-se forçado a fazer as necessidades fisiológicas em local “menos adequado”. O Homem, com o peso na consciência de não dar muita atenção ao seu “Cão de companhia”, leva-o passear. Quando o Cão, animal social, pensa que vai interagir com o seu dono, este tira-lhe a trela deixando-o à sua mercê.

Este dia-a-dia, com o chamado “Cão de companhia”, teria muitos mais cenários para descrever. Cenários que estão na origem dos muitos problemas com os cães na nossa sociedade e com os quais rapidamente se conclui que grande parte das pessoas não pode e não deve ter um cão.

Esta realidade não é ultrapassada com Kong’s, Canais de televisão para cães, “Encantador de cães”, Castrações, Calmantes para cães mas sim com o bom senso de se perceber em tempo útil que a decisão de ter um cão não passa por uma atitude impulsiva e pouco ponderada.

Aos mais experientes e conhecedores cabe o papel de sensibilizar ( pedagogicamente ) actuais e futuros detentores de cães para os seus deveres e obrigações. Não é uma tarefa fácil. A maior parte dos detentores “sabem tudo”, viram uns vídeos no Youtube.

Não menos grave, são os interesses da industria “Pet” os quais sem pudor tomam formas cada vez mais extravagantes e perigosas. Não raramente, a “ciência” segue os interesses comerciais manipulando os mais puros e ingénuos detentores de cães. Não fosse esta realidade por si só suficientemente assustadora, do outro lado da barricada, surge o fundamentalismo dos “direitos dos animais” que a toda a hora e a todo o instante lança uma petição ou elabora um manifesto que esconde o verdadeiro sentido do mesmo ( a ponta do iceberg mostra o que mais toca e sensibiliza aqueles que sem interesses gostam de animais, escondendo a verdadeira cabala ) . Os reprodutores de cães são confundidos com criadores, um cão com Pedigree é visto como uma excentricidade, o treino de cães como um abuso sobre a liberdade do cão, etc. Na “penumbra”, espreitam os emergentes especialistas em comportamento, aqueles que minimizam no cão de pequeno porte o “Não morde”, o “Não pula” e o mais desejado “ Não puxa”. Tudo baseado em “métodos científicos” que exploram a estimulação física e psíquica do cão, dizem.

Estamos a passar do 8 para o 80, onde mais uma vez o cão sai desvirtuado e perdedor. Não menos grave os menos informados aderem a serviços, produtos ou a causas de direito animal ( defendidas por algumas entidades cinzentas ) que apenas tiram partido da ingenuidade de terceiros, escondendo o verdadeiro propósito que as move ( vejam o que estas organizações, de forma concertada pelo mundo, colocam na agenda dos seus eventos e percebam o seu verdadeiro propósito ).

NOTA: Informem-se sobre o que tem vindo a ser descoberto sobre algumas organizações internacionais de defesa dos direitos dos animais.

Estarei sempre ao lado da verdadeira defesa dos direitos dos animais mas nunca ao lado de crenças e visões fundamentalistas da vida. Debate, diálogo e direito à diferença, sim. Guerras de ideologias cegas, não. Estas últimas tem um nome que todos nós conhecemos e receamos.

Muita atenção! Muito cuidado!…Bom senso, Respeito, Democracia são valores a preservar. Demagogia e Fundamentalismo, não são o caminho. Nem 8…nem 80!…

Cláudio Nogueira
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Donos confusos e preocupados ( alguns… )

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Não raramente os donos conseguem desenvolver maus hábitos na educação e no treino dos seus cães. Com o crescimento do cão, os referidos maus hábitos acabam por ganhar proporções maiores , potenciando consequências negativas.

São exemplo disso:

– Desobediência generalizada;

– Obediência contextualizada a situações / ambientes específicos ( controlo aparente );

– Ansiedade de separação / Stress;

– Brincadeiras que envolvem mordidas frequentes nos donos;

– Cães receosos ou reactivos aos estímulos exteriores;

– Cães possessivos em relação a lugares, objectos e comida;

– Cães destruidores e com vocalização frequente;

– Cães que se auto mutilam / correm atrás da cauda;

– Submissão vincada ( castigos verbais e físicos frequentes );

– Indiferença ao dono quando no exterior.

Algumas das razões para os cenários atrás identificados, são:

– Ausência de regras em casa e no exterior onde a liberdade sem critérios é uma realidade;

– Cada elemento do agregado familiar trata o cão de forma diferente;

– Lacunas de sociabilização derivadas a uma aplicação incorrecta da mesma ( fora de tempo / forçada );

– Repetir de forma constante ( sem resultado ) o mesmo comando de obediência;

– Forçar o cão a fazer algo que não lhe foi verdadeiramente ensinado;

– Confundir suborno com o reforço de um comportamento;

– Sessões de treino forçadas e longas;

– Mudar com frequência os métodos de ensino;

– O cão não sabe estar sozinho;

– Esperar que o cão extinga comportamentos com a evolução da idade;

– Exemplar / Raça desadequada ao perfil do dono e seu dia-a-dia;

– Excesso de protecção e afecto;

– Interpretação errada de sinais comportamentais emitidos pelo cão;

– Interpretação humanizada do comportamento do cão.

É importante ter consciência que para um relacionamento saudável do cão com a sua família humana e com terceiros ( pessoas e animais ), não basta ter um quintal, levar o cão à rua e dar uma boa alimentação. Estas práticas são as mais “básicas” que se pode dar a um cão.

Se quisermos melhorar a qualidade de vida de um cão, deveremos ir ao encontro das suas reais necessidades e respectivos estímulos. Não o contrário. Infelizmente, também aqui e na maioria das vezes, não é o que se verifica. Prova disso, são os números assustadores de animais abandonados, cães vitimas de maus tratos, problemas com terceiros, etc.

Por fim, nunca é demais lembrar que o recurso a uma Escola de treino canino deve ser encarado como uma medida proactiva e preventiva de comportamentos “anómalos”. Infelizmente, grande parte dos donos de cães recorrem à ajuda de profissionais, apenas e só em situação limite, tornando maior a curva de aprendizagem do cão.

Cláudio Nogueira
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A escolha de um cão

Antes de se avançar para a escolha de um cão é fundamental perceber as inúmeras responsabilidades inerentes à detenção do mesmo. Principalmente, quando se pondera um exemplar pertencente a uma raça considerada pela legislação portuguesa como “Potencialmente Perigosa”.
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Não menos importante, caso o futuro cão venha a integrar um agregado familiar composto por diversos elementos é importante que todos ( mesmo os mais jovens ) estejam preparados e em “sintonia” para a chegada do novo companheiro.

Uma vez tomada a decisão de ter um cão, será aconselhável perceber que a escolha do mesmo e respectiva raça, deve considerar o estilo de vida familiar ( Disponibilidade financeira, Disponibilidade de tempo, Vida sedentária / Vida activa, Vida citadina / Vida no campo, etc ) e o espaço físico disponível ( Apartamento, Moradia, Quinta, etc. ) para receber o cão.

No caso de optar por um cão de raça, devidamente identificado no Livro de Origens Português ( LOP ) ou identificado num Livro de Origens de um outro país, a selecção do criador deve ser cuidada.

Deve estar consciente que um cão com Pedigree ( Ex: LOP ) pode ser oriundo de uma criação pouco responsável ou mesmo de uma “Puppy Mills / Farm” ( reprodução massiva de cães sem qualquer controlo e ética – Fornece lojas de animais / Anuncia on-line em portais generalistas de classificados ).

Um criador responsável preocupa-se com o futuro lar dos seus cachorros e estará disponível para responder a toda e qualquer questão relacionada com a origem dos seus exemplares. Não menos importante, através de uma criação seleccionada, o criador tenta despistar desordens comportamentais e de saúde.

A escolha de um cão, quando realizada através de um criador responsável, é orientada pelo próprio criador. Este último, em função do perfil do futuro detentor ( préviamente entrevistado ), saberá escolher o cachorro mais adequado.

Igualmente, um criador responsável estará em consonancia com a legislação portuguesa a qual proibe amputações ( Ex: orelhas, caudas ). No caso das raças “Potencialmente Perigosas”, o criador deve apresentar o licenciamento emitido pelo DGAV ( Direcção Geral de Alimentação e Veterinária ).

No caso de optar pela adopção ( sempre de louvar ) deve estar ciente que as origens do cão a escolher, muitas vezes, são desconhecidas. A esta incógnita, poderá estar associado um historial traumático. Quando assim é, o adoptante deve estar preparado para eventuais “surpresas” quer relacionadas com questões comportamentais quer com questões de saúde.

As entidades ligadas aos processos de adopção, nomeadamente entidades públicas e associações privadas, cada vez mais, evidenciam esforços para garantir o dono mais adequado ao exemplar em adopção. Caberá ao futuro adoptante ser o mais responsável e transparente possivel, afim de facilitar o sempre delicado processo de adopção.

A compra ou adopção por impulso, é um acto negligente. O mesmo se aplica à escolha de um cão sem qualquer tipo de critério associado.

A compra ou a adopção de um cão deve ser um acto ponderado e uma decisão para a vida.

Cláudio Nogueira
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Quer ter um cão?…E tem tempo?

Infelizmente, a vida pessoal dos proprietários de cães, na sua maioria das vezes, não permite um acompanhamento adequado do seu cão de companhia. Não raramente, um cão passa grande parte do seu tempo sozinho. Quer seja num quintal ou fechado num apartamento.

Desta realidade podem nascer problemas de ordem diversa, onde o mais comum é a Ansiedade por separação. A Ansiedade por separação pode originar comportamentos desviantes os quais podem potenciar fobias e níveis de stress elevados. Todo este cenário pode ainda ser agravado pela ausência de um correcto processo de sociabilização ou por um historial traumático ( Ex: cão proveniente de um canil ou recolhido da rua ). O resultado prático deste tipo de realidade são a junção de vários comportamentos inaceitáveis que os donos acabarão por não tolerar. São exemplo, a destruição, defecar / urinar em locais impróprios, Auto mutilação, Vocalização (Ladrar) excessiva.

A origem destes problemas, além de um possível historial traumático do cão, está associada a uma educação deficitária onde as regras e rotinas são praticamente inexistentes. Cenário que potencia o stress de todos os intervenientes no processo.

A resolução deste tipo de problemas passa por um processo de modificação comportamental que deve ser complementado com um treino de obediência básica. Em ambos os casos, a estimulação mental e física do cão, aliada a uma percepção clara e positiva do meio ambiente, trará resultados.

Desenganem-se aqueles que pensam que através de Fármacos, Esterilização / Castração, longos passeios e exercício físico despropositado, resolverão o problema. O tratamento não atempado de desvios comportamentais pode aumentar a sua gravidade a qual pode culminar em situações de agressividade quer para terceiros ( pessoas ou animais ) quer para os próprios donos.

Se realmente quer ter um cão ou se realmente gosta do seu cão, deve considerar e avaliar o tempo que lhe pode dedicar. A Educação, Sociabilização e a Obediência de um cão não podem ser descuradas.

No vídeo que se segue, os risos que se podem ouvir não são sinónimo de divertimento são sinónimo de ignorância. O cão apresentado, simula a defesa de recursos ( no caso o osso ) contra si próprio.

Cláudio Nogueira
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Conselhos “diabólicos”

A maioria dos donos de cães, por falta de conhecimento, ignoram certos e determinados comportamentos manifestados nos seus cães. Não menos grave, qualquer conselho dado que implique regras ou restrições a um cão, dificilmente é aceite pelo dono do mesmo.

Bora-CaldasDaRainha-Web

Passear um cão solto, é uma constante. – TRELA?! O CÃO JAMAIS SERIA FELIZ!

Obs. – Um cachorro / cão adulto que viva em liberdade descontrolada perderá o vinculo com o seu dono, ficará exposto a perigos diversos ( Ingerir comida / restos do chão, conflito com outros animais, sociabilização descontrolada – Alvo de experiencias traumáticas, Atropelamento, etc ).

Convencer um dono a habituar o seu cachorro / cão adulto a um Canil, Parque ou Caixa Transportadora, é uma luta titânica que muitas vezes culmina com uma opinião mal formada sobre quem aconselha tais procedimentos – CÃO PRESO?! – QUE TORTURA! – O CÃO É PARA ME FAZER COMPANHIA!

Obs. – A habituação de um cão ao “isolamento” baixará os seus níveis de ansiedade, stress e contribuirá para regular as suas necessidades fisiologicas. Entre outros.

A chegada ou partida do dono não deve ser para o cão algo evidente. Ignorar o cão e descondicionar estes procedimentos é para os donos um acto cruel – “IGNORAR” O MEU CÃO QUANDO CHEGO?! – ELE PULA E EU NÃO LHE DOU FESTAS?! – SAIR SEM LHE DAR UMA FESTA E DEIXAR UM OSSINHO?!

Obs. – Confirmar os comportamentos ( saltar, ladrar, choramingar, raspar na porta ) do cão aquando a chegada ou a saída de casa, irá potenciar todos esses mesmos comportamentos, aumentando os níveis de ansiedade. A ansiedade por separação, está na origem de muitos dos comportamentos ( destruição, auto mutilação, defecar em locais impróprios, etc ) que os donos desejariam não ver no seu cão.

O recurso desde cedo a uma escola de treino é encarado pela maioria dos donos como algo desnecessário e como uma “jogada comercial” – UMA ESCOLA?! ELE É TÃO NOVINHO – UM CÃO NÃO GOSTA DE SER TREINADO!

Obs. – Desde cedo, o recurso a uma boa escola de treino canino é fundamental para o dono do cão conhecer boas práticas de relacionamento com o seu cão. Não menos importante, de forma controlada, manter o processo de sociabilização ( pessoas e animais ) e estimular fisicamente / mentalmente o cão.

Resumindo, se gostaria de ver ultrapassadas as dificuldades que tem com o seu cão, esteja mais consciente que os cães não são máquinas mas sim animais dotados de necessidades muito próprias inerentes à espécie a que pertencem. Com raça ou sem raça definida, um cão deve ser visto como um indivíduo dentro da sua espécie e não como um cão que deva ser tratado “by the book”.

Cláudio Nogueira
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Caixa Transportadora para cães

A Caixa Transportadora é um compartimento plástico ( rígido ) adequado para o transporte de cães. Normalmente, é composto por quatro componentes, o topo, a base, a porta e um bebedouro. Existem vários tamanhos disponíveis, cobrindo assim as mais diversas necessidades de transporte ou alojamento de um cão.

Infelizmente, o uso da Caixa Transportadora continua a ser visto pelos proprietários de cães como um acessório dispensável e desagradável para o cão. No entanto, ao contrário  do que se pensa, a Caixa Transportadora pode ser uma mais valia.

Quando transportado num carro a segurança do cão e dos demais ocupantes não deve ser descurada. Um cão solto e activo pode incomodar e distrair o condutor. Não menos importante, no caso de se verificar uma travagem brusca ou mesmo um acidente, a projecção do animal pode ser fatal quer para o cão quer para os restantes ocupantes da viatura.

A considerar, são os níveis de ansiedade ou stress que durante uma viagem podem ser extinguidos ou minimizados num cão. Ao não ter contacto directo com o exterior o cão tenderá a não desenvolver comportamentos negativos como ladrar a pessoas / animais / objectos em movimento, correr, roer, entre outros.

Ao ser transportado numa Caixa Transportadora, o cão acabará por se deitar e ficar calmo, reduzindo simultaneamente as probabilidades de enjoo. Ainda assim, existem cães que tem pré-disposição para enjoar quando transportados de carro.

Obs. – Transportar um cão com a cabeça / parte do corpo fora da janela de uma viatura, para além dos riscos físicos mais evidentes, existem contrariedades adicionais para a visão e ouvidos do cão. Conjuntivites e Otites, poderão ser potenciadas.

A higiene, quer do cão quer do espaço que o rodeia, será também um dos aspectos a considerar no uso da Caixa Transportadora. Mesmo um cão jovem, estando na caixa, evitará ( o tempo possível em função da idade ) fazer as suas necessidades fisiológicas. Esta situação quando bem gerida pode ser uma forma de educar o cão a fazer as suas necessidades em locais mais adequados para o efeito. Esta realidade, poderá ser igualmente útil em viagens de automóvel.

Em caso de doença, onde uma mobilidade reduzida seja exigida, o uso da Caixa Transportadora, pode ser também uma mais valia. O cão estando habituado ao espaço irá permanecer calmo e sem stress. Quer neste cenário e noutros, o cão poderá estar junto dos seus donos de forma controlada e pacifica.

Resumindo, se a introdução da Caixa Transportadora for feita de forma positiva ( nunca forçar / nunca usar como local de castigo / nunca usar apenas para deslocações ao veterinário )  a par de ser usada como um acessório regular, será garantidamente uma mais valia para o cão.

Cláudio M. Nogueira
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Melhores Donos, Melhores Cães…Melhores leis.

Os problemas com cães na nossa sociedade são inúmeros. Não vou incluir aqui o drama dos abandonos, uma guerra sem fim onde pessoas de grande dedicação tentam combater diariamente no nosso país, através de associações / grupos de trabalho, este acto cruel que é o abandono.

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O nosso país tem um legislação pouco favorável aos direitos dos animais, a qual em alguns casos é preconceituosa. Nomeadamente, quando se cataloga determinadas raças de cães como potencialmente perigosas.

Esta é a ponta do Iceberg, visível por quem realmente gosta e entende os animais. Uma realidade triste e dura.

Mal ou bem, nada acontece por acaso.

Aos olhos da nossa legislação fomos confrontados com o facto dos animais serem vistos como “coisas”. Como de um objecto se tratassem. No entanto, ao olharmos para a maioria dos casos, são precisamente os donos dos cães que os tratam como coisas.

Um cão não é comprado / adoptado em função das suas reais  características, mas sim em função de uma necessidade familiar pontual, impulso, carência afectiva, moda ou capricho. No fundo, uma coisa “necessária” para resolver problemas de foro pessoal ou outros.

O cão da Scotex ( aquele de que não se sabe a “marca” ) é muito querido. O Rex, igual ao da serie da TV é o ideal, guarda a casa e ainda brinca com as crianças. Se assim não acontecer, dá-se o cão. Não, mas não se dá a qualquer um, dá-se alguém que goste de animais.

Por razões “sentimentais”, os donos procuram a chamada namorada / namorado para o seu amigo de quatro patas. A paternidade ou a maternidade, é algo que deixa os cães mais calmos, dizem. Não menos importante, querem uma filha da “Fifi”. Esquecendo-se, juntamente com a filha da “Fifi”, podem vir mais nove exemplares, cujo o destino é incerto.

São aos milhares os que acreditam que um cão desde que tenha uma varanda, um quintal ou mesmo uma quinta, por si só, tem grande parte do que precisa. Sim, porque na varanda está entretido a ver a rua, no quintal tem a casota e o seus brinquedos e na quinta pode passar o dia todo a correr. Se para estas situações a adaptação não for a inicialmente esperada, arranja-se outro cão para fazer companhia ( entenda-se duplicar o problema ).

Como oposição ao cenário anterior, existem os que “batendo com a mão no peito” afirmam: “O meu cão é para estar comigo em casa. Em todo o lado a toda a hora.”

Quando, por questões meramente aleatórias e não selectivas, vivem com um canídeo naturalmente sociável / submisso / pouco energético, além de pequenos episódios associados à destruição de objectos, os donos acreditam ter dado a melhor educação e estarem perante um cão feliz. Afinal, com a chegada dos seus donos, o cão abana sempre a cauda. Ainda neste enquadramento, tudo muda quando os donos tem a veleidade de querer cães de raça onde determinadas características estão bem acentuadas no seu código genético. Quando assim acontece, dizem ter um problema, já que o novo cão não é igual ao outro.

Para a maioria dos donos, frequentar uma escola de treino canino, só se aplica caso o cão se mostre agressivo para terceiros ( pessoas ou animais ), puxe muito na trela ( caso ainda não tenham descoberto acessórios de contenção como o Easywalk ou similares ), não responda à chamada ou os índices de destruição em casa atinjam “valores” elevados.

Frequentar uma escola de treino canino para desde cedo sociabilizar um cão de forma controlada e orientada, a par de aprender a interagir e ensinar um cão naquela que deve ser a sua obediência básica, nem pensar. Dá trabalho, vem aí o frio / calor e a escola mais próxima fica a “meia hora” de caminho. Se o cão vier a dar problemas logo se vê. No imediato, pedem-se umas dicas pelo facebook e vêm-se uns vídeos no youtube.

De acordo com a maioria dos donos, correr e andar solto é mais que suficiente para um cão. Ainda assim, choram muito quando abrem a porta da quinta e o cão foge para sempre ou é atropelado. Choram muito e dão grandes recompensas a quem encontrar a “Fifi” que fugiu ou se perdeu. O drama acentua-se quando os donos, em desespero, pedem ajuda a pessoas com experiencia em comportamento animal / treino canino mas no final não aceitam qualquer conselho, sentem-se ofendidas e ainda tem sempre uma justificação para os problemas ocorridos com o seu cão.

É fundamental que os donos de cães estejam mais sensibilizados para a importância de conhecerem de forma mais realista o seu cão e as suas necessidades. Estas em nada estão relacionadas com roupas para cães, com múltiplos brinquedos, com espaço para correr ou com o seu suborno ( subornar não é recompensar ) diário.

Melhores donos vão potenciar melhores cães e com isso leis mais ajustadas.

Cláudio M. Nogueira
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À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta

O titulo deste artigo, expressão atribuída ao Imperador Romano Júlio César, poderá servir para fazer uma breve “analogia” com alguns actuais e ditos veteranos treinadores caninos.

Há vários anos foi evidenciado um esforço bem sucedido para a promoção e implementação do regulamento da prova de BH ( Cão de Companhia ) em Portugal. Algo que, directa e indirectamente, sinto ter dado o meu contributo. Não só através da apresentação de cães a esta prova, mas também enquanto elemento da subcomissão do CPC de cães de trabalho (RCI).

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A prova de BH foi adoptada em vários países como um requisito mínimo obrigatório para a participação em provas de IPO. Pretende-se, desta forma, realizar uma avaliação prévia do controlo e da sociabilidade do exemplar que posteriormente será apresentado em competição.

As características do regulamento de BH, nomeadamente, a vertente de obediência e a vertente de sociabilização, fazem desta prova uma prova tão interessante quanto útil.

O problema de integração de cães na sociedade e a ausência em alguns clubes de raça de um controlo mínimo de selecção do temperamento e carácter de reprodutores, levaram a que o BH fosse adoptado como requisito, quer para circular com um exemplar na via publica ( caso de algumas regiões da Alemanha ) quer em programas de criação, onde os progenitores devem ser detentores do titulo de BH.

Se encarado de forma séria e com honestidade, de facto, o titulo de BH poderia ser um dos caminhos para obter melhores cães e uma melhor vivência com os mesmos.

A preparação para esta prova não requer a exigência e a qualidade técnica de uma prova de trabalho, tão simplesmente porque a prova de BH não é uma prova de trabalho. Ainda assim, existe um regulamento para ser cumprido e uma atitude “mínima” que deve ser exigida aos cães apresentados em prova.

Numa opinião muito pessoal, tenho verificado a banalização desta prova e, não raramente, o desrespeito pelo seu regulamento e propósito. Situação que acontece em algumas provas de trabalho, nomeadamente no grau I do IPO. Facto, justificado de forma diferente em função das necessidades ou circunstancias. É lamentável e pouco dignificante para os exemplares apresentados, verificar a forma como literalmente se arrastam na “proximidade” dos seus condutores. De forma desajustada e mediante comandos audíveis fora do campo, os cães sem qualquer motivação, vêem-se forçados a obedecer ( os que obedecem ).

Não sei para onde se pretende caminhar mas garantidamente sei que não iremos evoluir. Igualmente, sei que o treino de que muitos cães são alvo está desajustado e baseia-se em métodos “old-school”.

Não basta dizer que se está no mundo dos cães há x anos ou que se tirou um curso de treino canino baseado em métodos cientificos. Há que apresentar resultados minimamente credíveis, respeitando sempre o bem estar animal. Há que saber motivar e responsabilizar todos aqueles que querem dar os primeiros passos no desporto canino ou tão somente, enquanto proprietários de cães de companhia.

Urge, mudar a imagem que existe dos treinadores de cães. Urge, trabalhar para cada vez mais, os potenciais interessados em treinar um cão, consigam separar o trigo do joio.  Será para bem de todos: Pessoas e Cães.

Cláudio M. Nogueira
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