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Aprender a ficar sozinho

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Ensinar um cão a ficar sozinho é uma das maiores dificuldades para a maioria dos detentores de cães. Não só pela percepção da metodologia a usar mas também pela dificuldade na aplicação da mesma. Uma visão humanizada do cão aliada a um sentimento de culpa, impedem muitos donos de limitar o espaço dedicado ao seu animal de companhia.

Não ensinar um cão a estar sozinho, quer se trate de um cachorro ou cão adulto ( Ex: adoptado ), ir-se-á contribuir para o desenvolvimento de comportamentos que se manifestarão das mais diversas formas ( Ex: Vocalização excessiva, Destruição, Auto mutilação, Ausência de regras de higiene, entre outros ). Todos estes comportamentos podem estar associados ao stress e à ansiedade causada pela separação.

De forma recorrente e aquando a chegada de um novo cachorro a casa, os donos facultam uma liberdade excessiva ao cão. O entusiasmo e a novidade inicial são potenciadores de um tempo excessivo dedicado ao cachorro. No caso de um cão adoptado toda esta realidade toma proporções maiores. Com boas intenções os donos tentam de forma abrupta compensar no presente aquilo que eventualmente o cão não teve no seu passado.

O dia-a-dia das pessoas e todas as suas obrigações diárias, inevitavelmente, irão trazer grandes ausências de tempo. É nesta altura que os cães que inicialmente foram brindados com uma companhia desmedida vão sofrer o choque da ausência dos donos.

Para ensinar um cão a estar sozinho, devemos desde o primeiro dia que chega a casa, prepará-lo de forma gradual a ficar só e confinado a um espaço dedicado para o efeito. Este processo deverá ser repetido diversas vezes ao dia, no mínimo, durante um mês. Período no qual não podem haver intermitências ou cedências.

Para cães de apartamento ou para cães cujo os donos optam por ter permanentemente os seus animais no interior da casa, uma divisão especifica ou o recurso a um parque para cães, são opções a considerar. O parque para cães, desmontável, é uma opção muito interessante. Sendo o parque transportável, uma vez o cão adaptado ao mesmo, a mudança de local nunca será problema. O cão estará sempre identificado com o seu espaço.

Nos espaços usados para retiro do cão, podem existir objectos adequados ( de qualidade ) para roer ao invés de brinquedos. O recurso a um “Kongo” ( de qualidade e adequado ao tamanho do cão ) pode ser igualmente opção. Estes objectos permitem colocar comida no seu interior, estimulando o cão a procurar a forma de obter essa mesma comida. Esta ultima, normalmente, sairá por um pequeno orifício sempre que o “Kongo” for manipulado pelo cão.

A adaptação ao retiro do cão, inicialmente, deve ser feita ( na sua maioria das vezes ) quando os donos estão em casa. De forma gradual e com intermitência ( umas vezes curta outras vezes mais prolongada ) os donos passam junto do cão. Uma vez para o libertar outras apenas para mostrar ao cão que não estão longe. A repetição deste processo irá dar a percepção ao cão que os seus donos nem sempre podem estar perto, bem como a qualquer momento podem voltar. De salientar, nesta fase de aprendizagem, as partidas não devem ser acompanhadas de despedidas ( Ex: “Taaadiiinho, o dono já vem! Não fica triste!” – “O dono vai embora mas trouxe um biscoito” ). Da mesma forma, a chegada não deve ser efusiva. Quando assim não acontece, as despedidas marcam claramente no cão a ideia da separação, enquanto as chegadas uma excitação e descontrolo desmedido ( Ex: cães urinam-se, Cães mordem as mãos dos donos, Cães correm descontroladamente, Cães vocalizam de forma eufórica, etc ).

Neste processo de aprendizagem do cão e sempre que este esteja no seu espaço de retiro, nunca se deve ir ter com o cão quando existem sinais de excitação ( Raspar / Vocalizar / Saltar ). A associação deste estado à sua libertação ou aproximação dos donos, levará ao reforço do comportamento. O inverso ( ignorar ) levará à sua extinção. Este processo exige consistência.

No passado, pensava-se que para ter um cão era preciso muito espaço ou mesmo uma grande propriedade. Dizia-se que para ser feliz, o cão precisava de espaço para correr. O cão precisa de interacções com terceiros ( Ex: donos ), estimulação física e mental. Não menos importante, um cão precisa de regras e rotinas para que de forma saudável e pacifica possa estar integrado na sociedade humana.

Cláudio Nogueira
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Nem 8…Nem 80!

 

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Considerando sempre a especificidade de cada raça ou cada cão enquanto um indivíduo de uma raça e espécie, o treino deve ser o mais adequado possivel. Num mundo cada vez mais virtualizado, mecanizado, irracional, fundamentalista, fútil e insensível, os cães directa ou indirectamente são vitimas desta triste realidade. Nada substituirá o relacionamento real de um cão com o seu semelhante. Nada substituirá o relacionamento real de cumplicidade entre o Homem e o Cão.

Os valores das pessoas e as suas verdadeiras necessidades estão deturpadas ou pouco claras na cabeça de alguns. Uns querem “Jipes” dotados de pinturas metalizadas, Ar Condicionado, Estofos em Pele, Blue Ray nos bancos traseiros, tudo isto, pelo conforto de subir um qualquer passeio junto ao Shopping. Carros de muitos cavalos, dotados de velocidades vertiginosas , são usados em meio urbano por pessoas de meia idade para passear uma qualquer “menina” cujo o intuito é impressionar. Na maioria das vezes e para ambas as situações, o condutor não dá conta do “recado”. Exibir o Telemóvel ou o Tablet de topo de gama cuja finalidade principal é colocar um post no “face”, remete para “2º plano” as verdadeiras e desconhecidas potencialidades dos equipamentos utilizados.

Para estar na moda, por mero capricho, vaidade, problemas de auto estima, solidão, prenda fofa de Natal…compra-se ou adopta-se um cão. Um animal dotado de características muito próprias e de grande potencial.

Um cão, com o passar do tempo e devido ao inevitável crescimento, coloca a descoberto as mais diversas “incompatibilidades” entre o Homem e o chamado “Cão de companhia”.

Enquanto o Homem saboreia o gelado e assiste à sua série televisiva de eleição, o cão desespera por correr atrás da sua “presa”. Enquanto o Homem, freneticamente dedilha no chat de uma qualquer rede social, o cão pouco estimulado e carregado de energias, direcciona a sua “ira” para a perna do sofá. Cansado de uma noitada com os amigos, pela manhã, o Homem deixa-se dormir, já o cão, “teima” em não encontrar a rotina, vendo-se forçado a fazer as necessidades fisiológicas em local “menos adequado”. O Homem, com o peso na consciência de não dar muita atenção ao seu “Cão de companhia”, leva-o passear. Quando o Cão, animal social, pensa que vai interagir com o seu dono, este tira-lhe a trela deixando-o à sua mercê.

Este dia-a-dia, com o chamado “Cão de companhia”, teria muitos mais cenários para descrever. Cenários que estão na origem dos muitos problemas com os cães na nossa sociedade e com os quais rapidamente se conclui que grande parte das pessoas não pode e não deve ter um cão.

Esta realidade não é ultrapassada com Kong’s, Canais de televisão para cães, “Encantador de cães”, Castrações, Calmantes para cães mas sim com o bom senso de se perceber em tempo útil que a decisão de ter um cão não passa por uma atitude impulsiva e pouco ponderada.

Aos mais experientes e conhecedores cabe o papel de sensibilizar ( pedagogicamente ) actuais e futuros detentores de cães para os seus deveres e obrigações. Não é uma tarefa fácil. A maior parte dos detentores “sabem tudo”, viram uns vídeos no Youtube.

Não menos grave, são os interesses da industria “Pet” os quais sem pudor tomam formas cada vez mais extravagantes e perigosas. Não raramente, a “ciência” segue os interesses comerciais manipulando os mais puros e ingénuos detentores de cães. Não fosse esta realidade por si só suficientemente assustadora, do outro lado da barricada, surge o fundamentalismo dos “direitos dos animais” que a toda a hora e a todo o instante lança uma petição ou elabora um manifesto que esconde o verdadeiro sentido do mesmo ( a ponta do iceberg mostra o que mais toca e sensibiliza aqueles que sem interesses gostam de animais, escondendo a verdadeira cabala ) . Os reprodutores de cães são confundidos com criadores, um cão com Pedigree é visto como uma excentricidade, o treino de cães como um abuso sobre a liberdade do cão, etc. Na “penumbra”, espreitam os emergentes especialistas em comportamento, aqueles que minimizam no cão de pequeno porte o “Não morde”, o “Não pula” e o mais desejado “ Não puxa”. Tudo baseado em “métodos científicos” que exploram a estimulação física e psíquica do cão, dizem.

Estamos a passar do 8 para o 80, onde mais uma vez o cão sai desvirtuado e perdedor. Não menos grave os menos informados aderem a serviços, produtos ou a causas de direito animal ( defendidas por algumas entidades cinzentas ) que apenas tiram partido da ingenuidade de terceiros, escondendo o verdadeiro propósito que as move ( vejam o que estas organizações, de forma concertada pelo mundo, colocam na agenda dos seus eventos e percebam o seu verdadeiro propósito ).

NOTA: Informem-se sobre o que tem vindo a ser descoberto sobre algumas organizações internacionais de defesa dos direitos dos animais.

Estarei sempre ao lado da verdadeira defesa dos direitos dos animais mas nunca ao lado de crenças e visões fundamentalistas da vida. Debate, diálogo e direito à diferença, sim. Guerras de ideologias cegas, não. Estas últimas tem um nome que todos nós conhecemos e receamos.

Muita atenção! Muito cuidado!…Bom senso, Respeito, Democracia são valores a preservar. Demagogia e Fundamentalismo, não são o caminho. Nem 8…nem 80!…

Cláudio Nogueira
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Quer ter um cão?…E tem tempo?

Infelizmente, a vida pessoal dos proprietários de cães, na sua maioria das vezes, não permite um acompanhamento adequado do seu cão de companhia. Não raramente, um cão passa grande parte do seu tempo sozinho. Quer seja num quintal ou fechado num apartamento.

Desta realidade podem nascer problemas de ordem diversa, onde o mais comum é a Ansiedade por separação. A Ansiedade por separação pode originar comportamentos desviantes os quais podem potenciar fobias e níveis de stress elevados. Todo este cenário pode ainda ser agravado pela ausência de um correcto processo de sociabilização ou por um historial traumático ( Ex: cão proveniente de um canil ou recolhido da rua ). O resultado prático deste tipo de realidade são a junção de vários comportamentos inaceitáveis que os donos acabarão por não tolerar. São exemplo, a destruição, defecar / urinar em locais impróprios, Auto mutilação, Vocalização (Ladrar) excessiva.

A origem destes problemas, além de um possível historial traumático do cão, está associada a uma educação deficitária onde as regras e rotinas são praticamente inexistentes. Cenário que potencia o stress de todos os intervenientes no processo.

A resolução deste tipo de problemas passa por um processo de modificação comportamental que deve ser complementado com um treino de obediência básica. Em ambos os casos, a estimulação mental e física do cão, aliada a uma percepção clara e positiva do meio ambiente, trará resultados.

Desenganem-se aqueles que pensam que através de Fármacos, Esterilização / Castração, longos passeios e exercício físico despropositado, resolverão o problema. O tratamento não atempado de desvios comportamentais pode aumentar a sua gravidade a qual pode culminar em situações de agressividade quer para terceiros ( pessoas ou animais ) quer para os próprios donos.

Se realmente quer ter um cão ou se realmente gosta do seu cão, deve considerar e avaliar o tempo que lhe pode dedicar. A Educação, Sociabilização e a Obediência de um cão não podem ser descuradas.

No vídeo que se segue, os risos que se podem ouvir não são sinónimo de divertimento são sinónimo de ignorância. O cão apresentado, simula a defesa de recursos ( no caso o osso ) contra si próprio.

Cláudio Nogueira
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Conselhos “diabólicos”

A maioria dos donos de cães, por falta de conhecimento, ignoram certos e determinados comportamentos manifestados nos seus cães. Não menos grave, qualquer conselho dado que implique regras ou restrições a um cão, dificilmente é aceite pelo dono do mesmo.

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Passear um cão solto, é uma constante. – TRELA?! O CÃO JAMAIS SERIA FELIZ!

Obs. – Um cachorro / cão adulto que viva em liberdade descontrolada perderá o vinculo com o seu dono, ficará exposto a perigos diversos ( Ingerir comida / restos do chão, conflito com outros animais, sociabilização descontrolada – Alvo de experiencias traumáticas, Atropelamento, etc ).

Convencer um dono a habituar o seu cachorro / cão adulto a um Canil, Parque ou Caixa Transportadora, é uma luta titânica que muitas vezes culmina com uma opinião mal formada sobre quem aconselha tais procedimentos – CÃO PRESO?! – QUE TORTURA! – O CÃO É PARA ME FAZER COMPANHIA!

Obs. – A habituação de um cão ao “isolamento” baixará os seus níveis de ansiedade, stress e contribuirá para regular as suas necessidades fisiologicas. Entre outros.

A chegada ou partida do dono não deve ser para o cão algo evidente. Ignorar o cão e descondicionar estes procedimentos é para os donos um acto cruel – “IGNORAR” O MEU CÃO QUANDO CHEGO?! – ELE PULA E EU NÃO LHE DOU FESTAS?! – SAIR SEM LHE DAR UMA FESTA E DEIXAR UM OSSINHO?!

Obs. – Confirmar os comportamentos ( saltar, ladrar, choramingar, raspar na porta ) do cão aquando a chegada ou a saída de casa, irá potenciar todos esses mesmos comportamentos, aumentando os níveis de ansiedade. A ansiedade por separação, está na origem de muitos dos comportamentos ( destruição, auto mutilação, defecar em locais impróprios, etc ) que os donos desejariam não ver no seu cão.

O recurso desde cedo a uma escola de treino é encarado pela maioria dos donos como algo desnecessário e como uma “jogada comercial” – UMA ESCOLA?! ELE É TÃO NOVINHO – UM CÃO NÃO GOSTA DE SER TREINADO!

Obs. – Desde cedo, o recurso a uma boa escola de treino canino é fundamental para o dono do cão conhecer boas práticas de relacionamento com o seu cão. Não menos importante, de forma controlada, manter o processo de sociabilização ( pessoas e animais ) e estimular fisicamente / mentalmente o cão.

Resumindo, se gostaria de ver ultrapassadas as dificuldades que tem com o seu cão, esteja mais consciente que os cães não são máquinas mas sim animais dotados de necessidades muito próprias inerentes à espécie a que pertencem. Com raça ou sem raça definida, um cão deve ser visto como um indivíduo dentro da sua espécie e não como um cão que deva ser tratado “by the book”.

Cláudio Nogueira
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Caixa Transportadora para cães

A Caixa Transportadora é um compartimento plástico ( rígido ) adequado para o transporte de cães. Normalmente, é composto por quatro componentes, o topo, a base, a porta e um bebedouro. Existem vários tamanhos disponíveis, cobrindo assim as mais diversas necessidades de transporte ou alojamento de um cão.

Infelizmente, o uso da Caixa Transportadora continua a ser visto pelos proprietários de cães como um acessório dispensável e desagradável para o cão. No entanto, ao contrário  do que se pensa, a Caixa Transportadora pode ser uma mais valia.

Quando transportado num carro a segurança do cão e dos demais ocupantes não deve ser descurada. Um cão solto e activo pode incomodar e distrair o condutor. Não menos importante, no caso de se verificar uma travagem brusca ou mesmo um acidente, a projecção do animal pode ser fatal quer para o cão quer para os restantes ocupantes da viatura.

A considerar, são os níveis de ansiedade ou stress que durante uma viagem podem ser extinguidos ou minimizados num cão. Ao não ter contacto directo com o exterior o cão tenderá a não desenvolver comportamentos negativos como ladrar a pessoas / animais / objectos em movimento, correr, roer, entre outros.

Ao ser transportado numa Caixa Transportadora, o cão acabará por se deitar e ficar calmo, reduzindo simultaneamente as probabilidades de enjoo. Ainda assim, existem cães que tem pré-disposição para enjoar quando transportados de carro.

Obs. – Transportar um cão com a cabeça / parte do corpo fora da janela de uma viatura, para além dos riscos físicos mais evidentes, existem contrariedades adicionais para a visão e ouvidos do cão. Conjuntivites e Otites, poderão ser potenciadas.

A higiene, quer do cão quer do espaço que o rodeia, será também um dos aspectos a considerar no uso da Caixa Transportadora. Mesmo um cão jovem, estando na caixa, evitará ( o tempo possível em função da idade ) fazer as suas necessidades fisiológicas. Esta situação quando bem gerida pode ser uma forma de educar o cão a fazer as suas necessidades em locais mais adequados para o efeito. Esta realidade, poderá ser igualmente útil em viagens de automóvel.

Em caso de doença, onde uma mobilidade reduzida seja exigida, o uso da Caixa Transportadora, pode ser também uma mais valia. O cão estando habituado ao espaço irá permanecer calmo e sem stress. Quer neste cenário e noutros, o cão poderá estar junto dos seus donos de forma controlada e pacifica.

Resumindo, se a introdução da Caixa Transportadora for feita de forma positiva ( nunca forçar / nunca usar como local de castigo / nunca usar apenas para deslocações ao veterinário )  a par de ser usada como um acessório regular, será garantidamente uma mais valia para o cão.

Cláudio M. Nogueira
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Melhores Donos, Melhores Cães…Melhores leis.

Os problemas com cães na nossa sociedade são inúmeros. Não vou incluir aqui o drama dos abandonos, uma guerra sem fim onde pessoas de grande dedicação tentam combater diariamente no nosso país, através de associações / grupos de trabalho, este acto cruel que é o abandono.

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O nosso país tem um legislação pouco favorável aos direitos dos animais, a qual em alguns casos é preconceituosa. Nomeadamente, quando se cataloga determinadas raças de cães como potencialmente perigosas.

Esta é a ponta do Iceberg, visível por quem realmente gosta e entende os animais. Uma realidade triste e dura.

Mal ou bem, nada acontece por acaso.

Aos olhos da nossa legislação fomos confrontados com o facto dos animais serem vistos como “coisas”. Como de um objecto se tratassem. No entanto, ao olharmos para a maioria dos casos, são precisamente os donos dos cães que os tratam como coisas.

Um cão não é comprado / adoptado em função das suas reais  características, mas sim em função de uma necessidade familiar pontual, impulso, carência afectiva, moda ou capricho. No fundo, uma coisa “necessária” para resolver problemas de foro pessoal ou outros.

O cão da Scotex ( aquele de que não se sabe a “marca” ) é muito querido. O Rex, igual ao da serie da TV é o ideal, guarda a casa e ainda brinca com as crianças. Se assim não acontecer, dá-se o cão. Não, mas não se dá a qualquer um, dá-se alguém que goste de animais.

Por razões “sentimentais”, os donos procuram a chamada namorada / namorado para o seu amigo de quatro patas. A paternidade ou a maternidade, é algo que deixa os cães mais calmos, dizem. Não menos importante, querem uma filha da “Fifi”. Esquecendo-se, juntamente com a filha da “Fifi”, podem vir mais nove exemplares, cujo o destino é incerto.

São aos milhares os que acreditam que um cão desde que tenha uma varanda, um quintal ou mesmo uma quinta, por si só, tem grande parte do que precisa. Sim, porque na varanda está entretido a ver a rua, no quintal tem a casota e o seus brinquedos e na quinta pode passar o dia todo a correr. Se para estas situações a adaptação não for a inicialmente esperada, arranja-se outro cão para fazer companhia ( entenda-se duplicar o problema ).

Como oposição ao cenário anterior, existem os que “batendo com a mão no peito” afirmam: “O meu cão é para estar comigo em casa. Em todo o lado a toda a hora.”

Quando, por questões meramente aleatórias e não selectivas, vivem com um canídeo naturalmente sociável / submisso / pouco energético, além de pequenos episódios associados à destruição de objectos, os donos acreditam ter dado a melhor educação e estarem perante um cão feliz. Afinal, com a chegada dos seus donos, o cão abana sempre a cauda. Ainda neste enquadramento, tudo muda quando os donos tem a veleidade de querer cães de raça onde determinadas características estão bem acentuadas no seu código genético. Quando assim acontece, dizem ter um problema, já que o novo cão não é igual ao outro.

Para a maioria dos donos, frequentar uma escola de treino canino, só se aplica caso o cão se mostre agressivo para terceiros ( pessoas ou animais ), puxe muito na trela ( caso ainda não tenham descoberto acessórios de contenção como o Easywalk ou similares ), não responda à chamada ou os índices de destruição em casa atinjam “valores” elevados.

Frequentar uma escola de treino canino para desde cedo sociabilizar um cão de forma controlada e orientada, a par de aprender a interagir e ensinar um cão naquela que deve ser a sua obediência básica, nem pensar. Dá trabalho, vem aí o frio / calor e a escola mais próxima fica a “meia hora” de caminho. Se o cão vier a dar problemas logo se vê. No imediato, pedem-se umas dicas pelo facebook e vêm-se uns vídeos no youtube.

De acordo com a maioria dos donos, correr e andar solto é mais que suficiente para um cão. Ainda assim, choram muito quando abrem a porta da quinta e o cão foge para sempre ou é atropelado. Choram muito e dão grandes recompensas a quem encontrar a “Fifi” que fugiu ou se perdeu. O drama acentua-se quando os donos, em desespero, pedem ajuda a pessoas com experiencia em comportamento animal / treino canino mas no final não aceitam qualquer conselho, sentem-se ofendidas e ainda tem sempre uma justificação para os problemas ocorridos com o seu cão.

É fundamental que os donos de cães estejam mais sensibilizados para a importância de conhecerem de forma mais realista o seu cão e as suas necessidades. Estas em nada estão relacionadas com roupas para cães, com múltiplos brinquedos, com espaço para correr ou com o seu suborno ( subornar não é recompensar ) diário.

Melhores donos vão potenciar melhores cães e com isso leis mais ajustadas.

Cláudio M. Nogueira
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À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta

O titulo deste artigo, expressão atribuída ao Imperador Romano Júlio César, poderá servir para fazer uma breve “analogia” com alguns actuais e ditos veteranos treinadores caninos.

Há vários anos foi evidenciado um esforço bem sucedido para a promoção e implementação do regulamento da prova de BH ( Cão de Companhia ) em Portugal. Algo que, directa e indirectamente, sinto ter dado o meu contributo. Não só através da apresentação de cães a esta prova, mas também enquanto elemento da subcomissão do CPC de cães de trabalho (RCI).

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A prova de BH foi adoptada em vários países como um requisito mínimo obrigatório para a participação em provas de IPO. Pretende-se, desta forma, realizar uma avaliação prévia do controlo e da sociabilidade do exemplar que posteriormente será apresentado em competição.

As características do regulamento de BH, nomeadamente, a vertente de obediência e a vertente de sociabilização, fazem desta prova uma prova tão interessante quanto útil.

O problema de integração de cães na sociedade e a ausência em alguns clubes de raça de um controlo mínimo de selecção do temperamento e carácter de reprodutores, levaram a que o BH fosse adoptado como requisito, quer para circular com um exemplar na via publica ( caso de algumas regiões da Alemanha ) quer em programas de criação, onde os progenitores devem ser detentores do titulo de BH.

Se encarado de forma séria e com honestidade, de facto, o titulo de BH poderia ser um dos caminhos para obter melhores cães e uma melhor vivência com os mesmos.

A preparação para esta prova não requer a exigência e a qualidade técnica de uma prova de trabalho, tão simplesmente porque a prova de BH não é uma prova de trabalho. Ainda assim, existe um regulamento para ser cumprido e uma atitude “mínima” que deve ser exigida aos cães apresentados em prova.

Numa opinião muito pessoal, tenho verificado a banalização desta prova e, não raramente, o desrespeito pelo seu regulamento e propósito. Situação que acontece em algumas provas de trabalho, nomeadamente no grau I do IPO. Facto, justificado de forma diferente em função das necessidades ou circunstancias. É lamentável e pouco dignificante para os exemplares apresentados, verificar a forma como literalmente se arrastam na “proximidade” dos seus condutores. De forma desajustada e mediante comandos audíveis fora do campo, os cães sem qualquer motivação, vêem-se forçados a obedecer ( os que obedecem ).

Não sei para onde se pretende caminhar mas garantidamente sei que não iremos evoluir. Igualmente, sei que o treino de que muitos cães são alvo está desajustado e baseia-se em métodos “old-school”.

Não basta dizer que se está no mundo dos cães há x anos ou que se tirou um curso de treino canino baseado em métodos cientificos. Há que apresentar resultados minimamente credíveis, respeitando sempre o bem estar animal. Há que saber motivar e responsabilizar todos aqueles que querem dar os primeiros passos no desporto canino ou tão somente, enquanto proprietários de cães de companhia.

Urge, mudar a imagem que existe dos treinadores de cães. Urge, trabalhar para cada vez mais, os potenciais interessados em treinar um cão, consigam separar o trigo do joio.  Será para bem de todos: Pessoas e Cães.

Cláudio M. Nogueira
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A Matilha, Dominância…e a falta de conhecimento.

Não raramente, de forma directa ou indirecta, continuo a verificar que os termos “Matilha” e “Dominância”, continuam a servir para justificar aquilo que a falta de conhecimento sobre o Cão e o relacionamento com o mesmo, não consegue. Situação que leva muitos donos de cães a violentarem o seu cão ou, aqueles que não tem coragem para o fazer, a sentirem-se culpados por não estarem à altura do seu animal de companhia. É muito grave quando assim acontece. Infelizmente, assim continua acontecer.

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Hoje, quando falo daquilo que considero serem boas práticas para um relacionamento mais saudável entre um dono e o seu cão, tenho o cuidado de referir que nem sempre defendi o que hoje defendo. Digo mesmo: “ Já estive do outro lado da barricada”. No fundo, “defendia” aquilo que me impunham como uma verdade absoluta. Um bom estrangulador, trela curta, reforçado com um colar corrector, eram a suposta solução. Solução essa, quando não eficaz, deveria ser acompanhada de correcções verbais fortes ( gritar alto ), de uma pancada seca na cabeça do cão e, no limite, placar o cão e deitar-me sobre o mesmo. Afinal, tinha que ser o Líder da Matilha, tinha que impor a minha dominância. Caso contrário, o Rottweiler não era o cão adequado ao meu perfil.

Felizmente, alguma perspicácia e inteligência, complementada com a posse de um cão dotado de um carácter forte, obrigaram-me a procurar novos caminhos, entenda-se, conhecimento e experiencia prática.

Hoje (felizmente há muito tempo), não necessito de passear os meus Rottweilers de estranguladora ou de colar corrector. Uma boa Educação, Sociabilização ( assente em processos de dessensibilização ), complementadas com um bom treino de obediência associado à prática de modalidades desportivas, concedem aos meus cães e a mim uma vivencia harmoniosa entre ambos.

De salientar, relacionado com aquilo que chamo de boas práticas, está um relacionamento diário ( quer na vertente de cão de companhia, quer na vertente desportiva ) baseado na paciência, coerência, rigor e em metodologias de treino que tem por base, os chamados métodos positivos. Não menos importante, existe a noção clara que um cão é um cão, facto que me obriga a adaptar às necessidades inerentes da espécie.

Pessoalmente, preocupa-me as pessoas que questionam abordagens de treino onde a força e o castigo não são a palavra de ordem. Pessoas, que defendem as festas ou um breve elogio verbal, como suficientes para um cão. Caso contrario, dizem, o cão só obedecerá por interesse. A “cereja em cima do bolo” é quando complementam com a frase: “…já ando nisto há muitos anos e sei como é!”.

Esta preocupação, deveria ser também a preocupação de qualquer dono de um cão. Porquê?…Simples. Um olhar atento sobre o trabalho realizado por fundamentalistas de métodos “Old school”, será suficiente para não se vislumbrar qualquer resultado ( quando o apresentam ) digno de registo. Não menos importante, recorrentemente, nos trabalhos apresentados está vincada uma postura submissa do cão ( orelhas placadas, intermitência e lentidão na execução dos exercícios, bocejar durante ou entre os exercícios – na sua maioria envolvem saltos de obstáculos “militaristas” – baixar a cabeça com a aproximação do dono, etc ).

Quando estiver na presença de alguém defensor da teoria que um cão não pode passar uma porta à frente do seu dono, só deve ser alimentado depois de toda a família ter tomado a sua refeição, a “teimosia” do cão está relacionada com a dominância, um cão tem que obedecer por obrigação ( para impormos a nossa liderança e dominância ) ou um cão que puxa na trela quer liderar…FUJA!…Se gosta do seu cão, fuja!

Se aceitar uma abordagem em conceitos desfasados da realidade a par de uma Educação, Sociabilização e Treino de obediência assente na força e nas punições, para além de não obter resultados práticos, irá ser confrontado pelo dito “treinador”. Este, irá colocar-lhe as responsabilidades de toda a situação. Afinal, “não soube” impor-se sobre o seu cão.

Cláudio M. Nogueira
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Conflitos na relação com o cão

É frequente deparar-me com cães, sejam eles cachorros ou adultos, que evidenciam receio quando interagem com os seus donos. Os primeiros sinais manifestam-se através da timidez evidenciada pelo cão quando confrontado pelo seu dono com gestos mais “bruscos” e na hesitação do próprio cão em agarrar ou manter um brinquedo/objecto na  boca.

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Aliado a esta realidade, existe a indiferença dos cães aos seus donos. Situação que se torna evidente quando libertados da trela. Vale tudo menos responder ao chamamento.

Este tipo de conflitos começa a ganhar forma nas idades mais jovens dos cachorros, altura em que as brincadeiras desmedidas com as mãos dos donos, acaba por se revelar um problema. O cão participará nestas mesmas brincadeiras da única forma que sabe: Mordendo. Cenário que o dono não permite, acabando por repreender o cachorro com uma palmada (muitas vezes no focinho). Tudo isto está errado.

O resultado deste “jogo” e respectiva consequência, acabará por gerar um conflito crescente onde o cão deixará de perceber qual a barreira entre a brincadeira e uma luta na qual terá que se defender.

Igualmente, desde cedo, os donos gostam de testar a sua supremacia sobre os seus cães. É exemplo disso, a imposição forçada para que o cachorro largue o que tem na boca. Situação que se agrava quando o cachorro circula livremente pela casa ou jardim.

O preço a pagar por este tipo de vivência será alto. Principalmente, quando mais tarde se desejar treinar um cão através da motivação (Ex: Uso de bolas, churros, comida, festas). Para o cão, a mão do dono e a sua proximidade, irá ser fonte de apreensão. Umas vezes, a mão é sinónimo de prémio e outras de castigo. Não menos grave, o cão deixará de perceber quais os limites da sua liberdade.

Oposto aos cenários anteriores mas igualmente importante, os donos deixam os seus cachorros crescerem, habituando-os a passear livres da trela. Situação que os poderá colocar em risco, bem como, indesejavelmente, poderão incomodar terceiros (sejam outros animais ou pessoas). Procedendo desta forma, livres e sem obediência, os cachorros aprendem a libertar-se não só da trela mas também do dono. Este cenário, tem como consequência o erro clássico que se verifica no chamamento do cão onde o dono após vários chamamentos sem qualquer resultado prático, a bem ou a mal, apanha o seu cão e remete-o forçosamente para o final do passeio.
Garantidamente, para o cão, fica a “lição” que regressar ao dono é sinónimo de repreensão ou do fim do passeio. Numa próxima vez, o cão, demorará mais a regressar. Para dono, este comportamento é encarado como teimosia e desobediência, enquanto para o cão apenas se trata de desfrutar o mais possível da sua liberdade antes de regressar a mais uma experiência negativa, a qual está longe de saber como evitar.

Será sempre importante entender os cães, não os ver como humanos nem tão pouco os ter por mero capricho. Não menos importante, ter a humildade suficiente para perceber que, muitas vezes, antes de pensar em treinar um cão, deve pensar em “treinar-se” a si próprio. Quando assim não acontece, o relacionamento entre o dono e o seu cão é uma relação de gestão de conflitos…

Cláudio Nogueira

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Quando começar a treinar o meu cão?

Skype-Treinos-Coto05A duvida sobre qual a melhor idade para treinar um cão, surge com muita frequência na maior parte dos donos de cães.

Sobre esta matéria, existe um leque variado de conceitos e opiniões.

Há quem defenda que antes dos doze meses de idade não vale a pena iniciar qualquer treino, outros defendem que o treino deve ter o seu inicio a partir dos dois meses de idade, havendo ainda quem defenda os seis meses idade como o período ideal para iniciar o treino. Perante esta panóplia de teorias, no final, são os donos que em função do cão que têm (mais ou menos problemático), acabam por decidir por eles próprios a altura ideal para iniciar o treino. Decisão que muitas vezes se revela precoce ou tardia, bem como pouco esclarecida nos seus propósitos e objetivos.

O estigma que rodeia as raças ditas “potencialmente perigosas”, assombra a mente dos detentores de exemplares destas mesmas raças. Não menos grave, existem mitos (no passado associados a outras raças) que sem qualquer fundamento, levam os donos a optar por treinos duros e muitas vezes violentos. As consequências são extremamente perigosas para todos os envolvidos.

Por outro lado, comportamentos normais num cachorro como o morder as pernas do dono em andamento, as mãos dos donos, rosnar num jogo de tração ou não largar o que tem na boca, são motivo suficiente para os donos assumirem que estão perante um cão problemático. Não podem estar mais errados. Garantidamente, devido aos seus bons instintos naturais e índices motivacionais elevados, estão perante um cachorro com grande disponibilidade para o treino.

A aprendizagem de um cão deve ser um processo contínuo e dividido em três fases: Educação, Sociabilização e o Treino de obediência.

A educação deve surgir logo a partir do primeiro momento em que o cachorro chega a casa. Educar é informar o cachorro sobre as regras da sua nova casa. É fundamental para um cachorro conhecer o seu local de retiro, a sua família humana, saber usar uma coleira, saber usar uma trela e ser orientado de forma cuidada para aquilo que pode e não pode fazer. Este último aspeto pode ser facilitado, não expondo permanentemente o cachorro a situações tentadoras (Ex: Circular livremente por toda a casa).

Nas diversas etapas do crescimento o cachorro estará permanentemente a colocar os seus donos à prova. Conquistar novos espaços e liderar todas as iniciativas, serão atitudes frequentes. Este facto, obrigará qualquer dono a ser coerente e rigoroso com a educação do seu cão.

DSC06641-webA sociabilização de um cachorro com o ambiente que o rodeia é algo que deve começar desde cedo. Numa primeira etapa, será o criador assumir esta função. Posteriormente, caberá ao novo dono dar continuidade ao processo de sociabilização. Processo que se deverá prolongar durante grande parte da vida do cão.A partir dos quatro meses de idade, com o programa de vacinação completo, o recurso a uma boa escola de treino é aconselhável. O cachorro poderá ter contacto com outras pessoas e animais, enriquecendo a sua experiência de vida. Esta, será determinante no seu comportamento futuro.

Embora se recomende uma escola de treino a partir dos quatro meses de idade, esta servirá inicialmente para sociabilizar o cachorro e para o dono conhecer técnicas adequadas para interagir com o seu cão.

Expor de forma controlada e moderada o cachorro/cão adulto ao seu meio envolvente é fundamental para o seu desenvolvimento e bem-estar.

Obs. – Embora por motivos de saúde seja recomendado que o cachorro não circule na via pública antes de ter completado o programa de vacinação, será importante perceber que os primeiros meses de vida são fundamentais no processo de sociabilização. Assim, de forma cuidada ( não expondo o cachorro ao contacto com cães de rua, lixo, fezes de outros animais, etc ), o cachorro de carro, ao colo e mesmo pelo chão deve ser levado à rua ou junto de ambientes que simulem o dia-a-dia.

Quando se constrói, na base, uma boa educação e sociabilização, os primeiros treinos tornam-se mais fáceis. O cachorro respeita o dono, o cachorro sente-se desinibido com o que o rodeia e ambos desenvolvem uma relação inicial sem conflitos.

Em função do cachorro, da orientação de treino definida e da experiência do treinador, a partir dos seis meses ( ou mesmo antes ), o cachorro poderá ser apresentado de forma gradual e moderada aos exercícios de obediência básica. Este trabalho deve ser um trabalho cuidado e jamais com o objetivo de ensinar em definitivo os exercícios ao cachorro. A vontade de descobrir novos horizontes e a energia típica de um cachorro, deve ser aproveitada para de forma aprazível, criar o gosto pelo treino e canalizar os instintos naturais do cão para atividades adequadas e estimulantes. Quando assim acontece os comportamentos incomodativos, como ladrar permanentemente, correr atrás de objetos, escavar, roer, etc, serão minimizados.

Tal e qual as outras fases referidas anteriormente, o treino de obediência deve ser um processo contínuo durante a fase de crescimento do cão, no entanto, deve ser prolongado o mais possível. Preferencialmente até aos três anos de idade, altura em que grande parte das raças já atingiram ou estão a atingir a sua maturidade. Posteriormente, deve ser garantido um trabalho de “manutenção” dos comportamentos resultantes do treino, não só para que não se percam mas também para manter os estímulos físicos e mentais do cão.

Resumindo, embora a palavra treino seja o “chapéu” que inclui tudo o que esteja relacionado com o ensinamento de um cão, este processo pode ser interpretado como um processo composto por várias fases distintas que direta ou indiretamente, estão interligadas entre si.

De forma controlada e respeitadora para terceiros, deixe o seu cachorro crescer e não confunda o seu porte físico com a sua maturidade. Não se precipite em incutir obediência prematura no seu cachorro. Os aparentes resultados imediatos irão transformar o seu cachorro num cão apático, relutante aos ensinamentos, receoso e desconfiado. Aspetos que em adulto o podem tornar num cão perigoso.

Aconselhe-se sempre com pessoas experientes e com provas dadas.

Cláudio Miguel Nogueira
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