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Sociabilização – Considerações Gerais

A sociabilização de um Cão deve começar o mais cedo possível. O período secundário de sociabilização ocorre entre as 6 semanas de vida podendo ser estendido até às 15 semanas. Parte deste período ocorre com a chegada de um cachorro à sua nova casa. Este é um período que o cachorro, apresenta maior disponibilidade para o contacto com novas realidades. Esta fase, de forma controlada, deve ser alvo da maior aposta naquilo que é a sociabilização de um cachorro.

Um Cão que por motivos diversos não tenha passado por um processo atempado de sociabilização, não deverá ser visto como um caso perdido. No entanto, quando assim acontece, poderão ser manifestadas perturbações de comportamento.

A sociabilização deve basear-se num processo de dessensibilização ao meio ambiente, especialmente em cães com idade mais avançada que tenham falhado o período mais adequado para a sua sociabilização.

Todo trabalho de sociabilização / dessensibilização deve ser elaborado de forma cuidada, planeada e preferencialmente sob a supervisão de alguém experiente em questões comportamentais.

O video apresentado neste Blog, em linhas gerais, pretende sensibilizar para a importância de uma correcta sociabilização, especialmente para cães com idades mais avançadas.

Nunca desista do seu cão, seja ele um cão de raça ou sem raça definida.

Cláudio Nogueira
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Ignorar o óbvio

Sic-CaesAbandonados

Ano após ano, especialmente no período de verão, vem à tona o drama do abandono de animais. O ano de 2017, não foi excepção.
Muito se fala, muito se critica, mas na realidade pouco ou nada se faz para contrariar esta tendência de negligencia e ignorância no que à detenção de animais diz respeito. Afinal, estas são as verdadeiras causas do abandono.

Os Tecnocratas, com o dom da palavra ( ou nem por isso ), dotados de desfasada sapiência, identificam causas, propõem medidas e, como em muitas outras áreas da nossa sociedade, constroem legislação pouco adequada à realidade.

Sica-CaesAbandonados-01

Em recente reportagem da SIC, “fiquei a saber” que a causa recente para o abandono de animais é, imagine-se, a legislação inerente aos direitos dos animais, a qual, devido a falta de sensibilização / informação junto dos detentores, leva a que estes abandonem os seus animais. Primeiro, reclamam-se por leis adequadas à protecção e bem estar animal, agora são estas mesmas leis que “estão na origem” dos abandonos. Só mesmo não conhecendo a realidade no terreno e o perfil dos detentores de cães se pode avançar com tal justificação.

Por outro lado, o fundamentalismo de alguns grupos radicalizados e apelidados de “Animalistas”, com agendas escondidas (pessoais e colectivas), dotados de abordagens extremadas na defesa dos direitos dos animais, pouco contribuem para uma detenção responsável de animais de companhia. Directamente ou indirectamente, geram conflito e o sentido critico contra tudo e todos que tenham a veleidade de desviarem um milímetro, o focus das suas crenças e verdades absolutas.

Infelizmente, as bandeiras das Corridas de Toiros ( com as quais não me identifico em momento algum ) os Canis de Abate, entre outros, tem servido para angariar seguidores que não sabem o que verdadeiramente seguem. Em voz alta e em “Cãominhadas” ao jeito de Woodstock, apela-se de forma efusiva, aos direitos dos animais. No entanto, ano após ano, apesar destes esforços ( ou estilo de vida ), o cenário do abandono e maus tratos, repete-se.

As Associações de Animais Abandonados, a quem tiro o chapéu ( em alguns casos é certo ), de corpo e alma, tentam gerir o que não é passível de ser gerido. Todos dias chega o telefonema que com ele traz a noticia de mais um cão errante na rua y, mau trato ou familia desesperada que chegou à conclusão que não pode ficar mais com o cão fofinho de alguns meses atrás.

Os potenciais adoptantes, na sua grande maioria, não passam de pessoas que querem arriscar passar pela experiência de ter um cão. Este ultimo, tem que preencher um conjunto de requisitos que invariavelmente não vão ao encontro daquilo que é a verdadeira essência de um cão. Na tentativa desesperada de salvar a vida de um animal ou dotá-lo de uma melhor condição de vida, colocam-se cães à experiência em casa de possíveis futuros adoptantes. Infelizmente, a taxa de rejeição do cão, é alta. Em outros casos, por vergonha, a devolução não acontece e o destino do cão acaba por ser desconhecido.

As parcerias destas Associações com Escolas de Treino Canino, Comportamentalistas, etc é ténue ou quase inexistente. Porquê?…As Associações referem que as pessoas mal tem dinheiro para sustentar o cão, quanto mais gastar dinheiro na sua educação. Se assim é, o problema do abandono ou rejeição do cão, torna-se eminente. Há quem pense ( respeito ) que vale a pena arriscar, no entanto, a rejeição frequente de um cão, vai aumentar a dificuldade da sua reintegração no futuro. É importante minimizar este ciclo vicioso.

Resumindo, continua-se a ignorar o óbvio. O que é ignorar o óbvio?

Ignorar o óbvio, é não perceber o interesse escondido da industria financeira em torno do chamado “Pet”;

Ignorar o obvio, é não querer apertar os requisitos para um qualquer cidadão ser detentor de um animal de companhia;

Ignorar o obvio, é não dotar os detentores de animais de companhia de um conhecimento efectivo dos seus deveres e obrigações;

Ignorar o obvio, é pensar que facilitar o acesso à detenção de um cão, através de regalias sociais entre outros, minimiza o abandono. Quanto maior for o facilitismo, maior é a irresponsabilidade na decisão de ter um cão;

Ignorar o óbvio, é penalizar raças de cães ( criando fobias na sociedade ), ao invés de penalizar a detenção negligente;

Ignorar o óbvio, é alimentar a ideia que Veterinários têm que trabalhar “pro bono” ao invés de respeitar o conhecimento ( com custos e investimentos elevados ) que pode salvar a vida daqueles que tanto gostamos;

Ignorar o óbvio, é pensar que a Educação, Sociabilização e Obediência de um cão se constrói com “pacotes de aulinhas”, com dicas ou punições, ao invés de um investimento mínimo de 2 anos na consolidação da aprendizagem geral de um cão e respectiva integração em sociedade;

Ignorar o óbvio, é não questionar quem lida no terreno com os problemas apresentados pelos donos, detentores, tutores de cães, ao invés de se tirarem ilações de conversas circunstanciais de corredor.

Ignorar o obvio, é não perceber que há interesses em deixar tudo como está…afinal, a ignorância e as guerras sempre “alimentaram” muita gente…enquanto a maior parte, sofre…Neste caso, os animais…

Nota: As imagens usadas neste texto, são “screen shots” de uma reportagem televisiva da SIC, não havendo qualquer intenção de uso abusivo das mesmas, critica à estação televisiva, reportagem em causa e ou seus intervenientes.

Cláudio Nogueira
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Um dia de cão…No facebook.

facebook-like

As redes sociais, onde o facebook em Portugal se destaca, são um excelente meio de divulgação das mais diversas situações do quotidiano dos seus utilizadores. Não será por acaso que grandes marcas apostam nestes canais de comunicação para perceber hábitos e preferências dos seus clientes ou potenciais clientes.

O meu circulo de “amigos” no facebook, na sua esmagadora maioria, tem um ponto em comum: Os cães e actividades inerentes. Esta realidade, tal e qual as marcas, permite-me aferir a postura em relação ao cães, dos mais diversos tipos de pessoas com os mais diversos tipos de perfis.

Um olhar ligeiramente mais atento sobre “Posts” publicados ou “Likes” efectuados, não deixa duvidas sobre aquilo que se passa em torno da detenção de cães. Negligencia, Irresponsabilidade e ignorância, são facilmente detectáveis.

Um Post sobre uma temática de saúde ou comportamento animal, é merecedor de “3 Likes”. Num “dia de sorte”, talvez alguém até partilhe este tipo de publicação.

Em oposição, uma foto de um cão deitado em cima da cama, junto de uma almofada desfeita, dispara para os “210 Likes”, acompanhado de “50 partilhas”. Claro está, este tipo de Post é ainda reforçado com “32 comentários” onde cada utilizador conta os feitos mais destrutivos do seu cão.

Enquanto os “LOL´s” proliferam, os internamentos ( por vezes com consequencias fatais ) nas clínicas veterinárias, igualmente proliferam. Seguem-se operações de urgência, Raio-X para detecção de corpos estranhos que poderão ter sido ingeridos, entre outros cenários. Quando assim acontece, donos desolados, choram e imploram ao Sr. Dr. para salvar o seu “menino”. É como de um filho se tratasse, dizem. Pessoalmente, quando ouço tal comentário, dou graças pelo facto destas pessoas não terem filhos.

Complementarmente, não há dia que não surja nas “ News feed”, a divulgação de mais um cão “muito amado” que se perdeu. Imaginem: Até se dá recompensa a quem o encontrar. Isto é “amor”. Primeiro, condenam os cães à sua sorte, depois desesperam. Tristeza…

Pessoas que não controlam os seus cães, soltam-nos na via publica. Pessoas com cães em quintais, acreditam que um muro de 1,50cm é suficiente para evitar uma fuga. Pessoas que não se dignam a passear o cão na rua ( faz frio – chuvisca – Estão de pijama e chinelo ), abrem a porta para o exterior, acreditando sempre que o “bilhete” é de ida e volta. Estas realidades, não raramente, originam finais infelizes. As consequencias que daqui advêm não podem ser apelidadas de acidentes ou má sorte, mas sim de negligencia e desrespeito pelo cão…e por terceiros. Ainda assim, o mais longínquo utilizador da rede social, enquanto boceja, não deixa de escrever com grande vigor: “Vamos todos ajudar a encontrar o FiFÓ!”.

Quando pensamos que para um dia chega de tanta irresponsabilidade, surge ainda o Post daquela mãe que comprou o cão para o filho. Queria melhorar a auto-estima da criança, mas a auto-estima está na mesma, a casa está mais suja, odor a cão anda no ar e o filho passou a ser mordido nas mãos. Desesperadamente, pede ajuda. Dicas diversas, ofensas e “especialistas” em modificação comportamental, alimentam os mais diversos comentários do Post da mãe desesperada.

Post atrás de Post, o facebook ilustra bem a realidade em redor dos cães de companhia.

Muito se luta pelos direitos dos animais, mas parece que poucos percebem de onde vem verdadeiramente o problema. A maioria dos detentores de cães não conhece as suas obrigações e deveres. Não menos grave, os detentores tem uma visão infantil e desfasada daquilo que é um cão e das suas verdadeiras necessidades.

Cláudio Nogueira
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Aprender a ficar sozinho

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Ensinar um cão a ficar sozinho é uma das maiores dificuldades para a maioria dos detentores de cães. Não só pela percepção da metodologia a usar mas também pela dificuldade na aplicação da mesma. Uma visão humanizada do cão aliada a um sentimento de culpa, impedem muitos donos de limitar o espaço dedicado ao seu animal de companhia.

Não ensinar um cão a estar sozinho, quer se trate de um cachorro ou cão adulto ( Ex: adoptado ), ir-se-á contribuir para o desenvolvimento de comportamentos que se manifestarão das mais diversas formas ( Ex: Vocalização excessiva, Destruição, Auto mutilação, Ausência de regras de higiene, entre outros ). Todos estes comportamentos podem estar associados ao stress e à ansiedade causada pela separação.

De forma recorrente e aquando a chegada de um novo cachorro a casa, os donos facultam uma liberdade excessiva ao cão. O entusiasmo e a novidade inicial são potenciadores de um tempo excessivo dedicado ao cachorro. No caso de um cão adoptado toda esta realidade toma proporções maiores. Com boas intenções os donos tentam de forma abrupta compensar no presente aquilo que eventualmente o cão não teve no seu passado.

O dia-a-dia das pessoas e todas as suas obrigações diárias, inevitavelmente, irão trazer grandes ausências de tempo. É nesta altura que os cães que inicialmente foram brindados com uma companhia desmedida vão sofrer o choque da ausência dos donos.

Para ensinar um cão a estar sozinho, devemos desde o primeiro dia que chega a casa, prepará-lo de forma gradual a ficar só e confinado a um espaço dedicado para o efeito. Este processo deverá ser repetido diversas vezes ao dia, no mínimo, durante um mês. Período no qual não podem haver intermitências ou cedências.

Para cães de apartamento ou para cães cujo os donos optam por ter permanentemente os seus animais no interior da casa, uma divisão especifica ou o recurso a um parque para cães, são opções a considerar. O parque para cães, desmontável, é uma opção muito interessante. Sendo o parque transportável, uma vez o cão adaptado ao mesmo, a mudança de local nunca será problema. O cão estará sempre identificado com o seu espaço.

Nos espaços usados para retiro do cão, podem existir objectos adequados ( de qualidade ) para roer ao invés de brinquedos. O recurso a um “Kongo” ( de qualidade e adequado ao tamanho do cão ) pode ser igualmente opção. Estes objectos permitem colocar comida no seu interior, estimulando o cão a procurar a forma de obter essa mesma comida. Esta ultima, normalmente, sairá por um pequeno orifício sempre que o “Kongo” for manipulado pelo cão.

A adaptação ao retiro do cão, inicialmente, deve ser feita ( na sua maioria das vezes ) quando os donos estão em casa. De forma gradual e com intermitência ( umas vezes curta outras vezes mais prolongada ) os donos passam junto do cão. Uma vez para o libertar outras apenas para mostrar ao cão que não estão longe. A repetição deste processo irá dar a percepção ao cão que os seus donos nem sempre podem estar perto, bem como a qualquer momento podem voltar. De salientar, nesta fase de aprendizagem, as partidas não devem ser acompanhadas de despedidas ( Ex: “Taaadiiinho, o dono já vem! Não fica triste!” – “O dono vai embora mas trouxe um biscoito” ). Da mesma forma, a chegada não deve ser efusiva. Quando assim não acontece, as despedidas marcam claramente no cão a ideia da separação, enquanto as chegadas uma excitação e descontrolo desmedido ( Ex: cães urinam-se, Cães mordem as mãos dos donos, Cães correm descontroladamente, Cães vocalizam de forma eufórica, etc ).

Neste processo de aprendizagem do cão e sempre que este esteja no seu espaço de retiro, nunca se deve ir ter com o cão quando existem sinais de excitação ( Raspar / Vocalizar / Saltar ). A associação deste estado à sua libertação ou aproximação dos donos, levará ao reforço do comportamento. O inverso ( ignorar ) levará à sua extinção. Este processo exige consistência.

No passado, pensava-se que para ter um cão era preciso muito espaço ou mesmo uma grande propriedade. Dizia-se que para ser feliz, o cão precisava de espaço para correr. O cão precisa de interacções com terceiros ( Ex: donos ), estimulação física e mental. Não menos importante, um cão precisa de regras e rotinas para que de forma saudável e pacifica possa estar integrado na sociedade humana.

Cláudio Nogueira
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Donos confusos e preocupados ( alguns… )

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Não raramente os donos conseguem desenvolver maus hábitos na educação e no treino dos seus cães. Com o crescimento do cão, os referidos maus hábitos acabam por ganhar proporções maiores , potenciando consequências negativas.

São exemplo disso:

– Desobediência generalizada;

– Obediência contextualizada a situações / ambientes específicos ( controlo aparente );

– Ansiedade de separação / Stress;

– Brincadeiras que envolvem mordidas frequentes nos donos;

– Cães receosos ou reactivos aos estímulos exteriores;

– Cães possessivos em relação a lugares, objectos e comida;

– Cães destruidores e com vocalização frequente;

– Cães que se auto mutilam / correm atrás da cauda;

– Submissão vincada ( castigos verbais e físicos frequentes );

– Indiferença ao dono quando no exterior.

Algumas das razões para os cenários atrás identificados, são:

– Ausência de regras em casa e no exterior onde a liberdade sem critérios é uma realidade;

– Cada elemento do agregado familiar trata o cão de forma diferente;

– Lacunas de sociabilização derivadas a uma aplicação incorrecta da mesma ( fora de tempo / forçada );

– Repetir de forma constante ( sem resultado ) o mesmo comando de obediência;

– Forçar o cão a fazer algo que não lhe foi verdadeiramente ensinado;

– Confundir suborno com o reforço de um comportamento;

– Sessões de treino forçadas e longas;

– Mudar com frequência os métodos de ensino;

– O cão não sabe estar sozinho;

– Esperar que o cão extinga comportamentos com a evolução da idade;

– Exemplar / Raça desadequada ao perfil do dono e seu dia-a-dia;

– Excesso de protecção e afecto;

– Interpretação errada de sinais comportamentais emitidos pelo cão;

– Interpretação humanizada do comportamento do cão.

É importante ter consciência que para um relacionamento saudável do cão com a sua família humana e com terceiros ( pessoas e animais ), não basta ter um quintal, levar o cão à rua e dar uma boa alimentação. Estas práticas são as mais “básicas” que se pode dar a um cão.

Se quisermos melhorar a qualidade de vida de um cão, deveremos ir ao encontro das suas reais necessidades e respectivos estímulos. Não o contrário. Infelizmente, também aqui e na maioria das vezes, não é o que se verifica. Prova disso, são os números assustadores de animais abandonados, cães vitimas de maus tratos, problemas com terceiros, etc.

Por fim, nunca é demais lembrar que o recurso a uma Escola de treino canino deve ser encarado como uma medida proactiva e preventiva de comportamentos “anómalos”. Infelizmente, grande parte dos donos de cães recorrem à ajuda de profissionais, apenas e só em situação limite, tornando maior a curva de aprendizagem do cão.

Cláudio Nogueira
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A escolha de um cão

Antes de se avançar para a escolha de um cão é fundamental perceber as inúmeras responsabilidades inerentes à detenção do mesmo. Principalmente, quando se pondera um exemplar pertencente a uma raça considerada pela legislação portuguesa como “Potencialmente Perigosa”.
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Não menos importante, caso o futuro cão venha a integrar um agregado familiar composto por diversos elementos é importante que todos ( mesmo os mais jovens ) estejam preparados e em “sintonia” para a chegada do novo companheiro.

Uma vez tomada a decisão de ter um cão, será aconselhável perceber que a escolha do mesmo e respectiva raça, deve considerar o estilo de vida familiar ( Disponibilidade financeira, Disponibilidade de tempo, Vida sedentária / Vida activa, Vida citadina / Vida no campo, etc ) e o espaço físico disponível ( Apartamento, Moradia, Quinta, etc. ) para receber o cão.

No caso de optar por um cão de raça, devidamente identificado no Livro de Origens Português ( LOP ) ou identificado num Livro de Origens de um outro país, a selecção do criador deve ser cuidada.

Deve estar consciente que um cão com Pedigree ( Ex: LOP ) pode ser oriundo de uma criação pouco responsável ou mesmo de uma “Puppy Mills / Farm” ( reprodução massiva de cães sem qualquer controlo e ética – Fornece lojas de animais / Anuncia on-line em portais generalistas de classificados ).

Um criador responsável preocupa-se com o futuro lar dos seus cachorros e estará disponível para responder a toda e qualquer questão relacionada com a origem dos seus exemplares. Não menos importante, através de uma criação seleccionada, o criador tenta despistar desordens comportamentais e de saúde.

A escolha de um cão, quando realizada através de um criador responsável, é orientada pelo próprio criador. Este último, em função do perfil do futuro detentor ( préviamente entrevistado ), saberá escolher o cachorro mais adequado.

Igualmente, um criador responsável estará em consonancia com a legislação portuguesa a qual proibe amputações ( Ex: orelhas, caudas ). No caso das raças “Potencialmente Perigosas”, o criador deve apresentar o licenciamento emitido pelo DGAV ( Direcção Geral de Alimentação e Veterinária ).

No caso de optar pela adopção ( sempre de louvar ) deve estar ciente que as origens do cão a escolher, muitas vezes, são desconhecidas. A esta incógnita, poderá estar associado um historial traumático. Quando assim é, o adoptante deve estar preparado para eventuais “surpresas” quer relacionadas com questões comportamentais quer com questões de saúde.

As entidades ligadas aos processos de adopção, nomeadamente entidades públicas e associações privadas, cada vez mais, evidenciam esforços para garantir o dono mais adequado ao exemplar em adopção. Caberá ao futuro adoptante ser o mais responsável e transparente possivel, afim de facilitar o sempre delicado processo de adopção.

A compra ou adopção por impulso, é um acto negligente. O mesmo se aplica à escolha de um cão sem qualquer tipo de critério associado.

A compra ou a adopção de um cão deve ser um acto ponderado e uma decisão para a vida.

Cláudio Nogueira
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Quer ter um cão?…E tem tempo?

Infelizmente, a vida pessoal dos proprietários de cães, na sua maioria das vezes, não permite um acompanhamento adequado do seu cão de companhia. Não raramente, um cão passa grande parte do seu tempo sozinho. Quer seja num quintal ou fechado num apartamento.

Desta realidade podem nascer problemas de ordem diversa, onde o mais comum é a Ansiedade por separação. A Ansiedade por separação pode originar comportamentos desviantes os quais podem potenciar fobias e níveis de stress elevados. Todo este cenário pode ainda ser agravado pela ausência de um correcto processo de sociabilização ou por um historial traumático ( Ex: cão proveniente de um canil ou recolhido da rua ). O resultado prático deste tipo de realidade são a junção de vários comportamentos inaceitáveis que os donos acabarão por não tolerar. São exemplo, a destruição, defecar / urinar em locais impróprios, Auto mutilação, Vocalização (Ladrar) excessiva.

A origem destes problemas, além de um possível historial traumático do cão, está associada a uma educação deficitária onde as regras e rotinas são praticamente inexistentes. Cenário que potencia o stress de todos os intervenientes no processo.

A resolução deste tipo de problemas passa por um processo de modificação comportamental que deve ser complementado com um treino de obediência básica. Em ambos os casos, a estimulação mental e física do cão, aliada a uma percepção clara e positiva do meio ambiente, trará resultados.

Desenganem-se aqueles que pensam que através de Fármacos, Esterilização / Castração, longos passeios e exercício físico despropositado, resolverão o problema. O tratamento não atempado de desvios comportamentais pode aumentar a sua gravidade a qual pode culminar em situações de agressividade quer para terceiros ( pessoas ou animais ) quer para os próprios donos.

Se realmente quer ter um cão ou se realmente gosta do seu cão, deve considerar e avaliar o tempo que lhe pode dedicar. A Educação, Sociabilização e a Obediência de um cão não podem ser descuradas.

No vídeo que se segue, os risos que se podem ouvir não são sinónimo de divertimento são sinónimo de ignorância. O cão apresentado, simula a defesa de recursos ( no caso o osso ) contra si próprio.

Cláudio Nogueira
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Conselhos “diabólicos”

A maioria dos donos de cães, por falta de conhecimento, ignoram certos e determinados comportamentos manifestados nos seus cães. Não menos grave, qualquer conselho dado que implique regras ou restrições a um cão, dificilmente é aceite pelo dono do mesmo.

Bora-CaldasDaRainha-Web

Passear um cão solto, é uma constante. – TRELA?! O CÃO JAMAIS SERIA FELIZ!

Obs. – Um cachorro / cão adulto que viva em liberdade descontrolada perderá o vinculo com o seu dono, ficará exposto a perigos diversos ( Ingerir comida / restos do chão, conflito com outros animais, sociabilização descontrolada – Alvo de experiencias traumáticas, Atropelamento, etc ).

Convencer um dono a habituar o seu cachorro / cão adulto a um Canil, Parque ou Caixa Transportadora, é uma luta titânica que muitas vezes culmina com uma opinião mal formada sobre quem aconselha tais procedimentos – CÃO PRESO?! – QUE TORTURA! – O CÃO É PARA ME FAZER COMPANHIA!

Obs. – A habituação de um cão ao “isolamento” baixará os seus níveis de ansiedade, stress e contribuirá para regular as suas necessidades fisiologicas. Entre outros.

A chegada ou partida do dono não deve ser para o cão algo evidente. Ignorar o cão e descondicionar estes procedimentos é para os donos um acto cruel – “IGNORAR” O MEU CÃO QUANDO CHEGO?! – ELE PULA E EU NÃO LHE DOU FESTAS?! – SAIR SEM LHE DAR UMA FESTA E DEIXAR UM OSSINHO?!

Obs. – Confirmar os comportamentos ( saltar, ladrar, choramingar, raspar na porta ) do cão aquando a chegada ou a saída de casa, irá potenciar todos esses mesmos comportamentos, aumentando os níveis de ansiedade. A ansiedade por separação, está na origem de muitos dos comportamentos ( destruição, auto mutilação, defecar em locais impróprios, etc ) que os donos desejariam não ver no seu cão.

O recurso desde cedo a uma escola de treino é encarado pela maioria dos donos como algo desnecessário e como uma “jogada comercial” – UMA ESCOLA?! ELE É TÃO NOVINHO – UM CÃO NÃO GOSTA DE SER TREINADO!

Obs. – Desde cedo, o recurso a uma boa escola de treino canino é fundamental para o dono do cão conhecer boas práticas de relacionamento com o seu cão. Não menos importante, de forma controlada, manter o processo de sociabilização ( pessoas e animais ) e estimular fisicamente / mentalmente o cão.

Resumindo, se gostaria de ver ultrapassadas as dificuldades que tem com o seu cão, esteja mais consciente que os cães não são máquinas mas sim animais dotados de necessidades muito próprias inerentes à espécie a que pertencem. Com raça ou sem raça definida, um cão deve ser visto como um indivíduo dentro da sua espécie e não como um cão que deva ser tratado “by the book”.

Cláudio Nogueira
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Caixa Transportadora para cães

A Caixa Transportadora é um compartimento plástico ( rígido ) adequado para o transporte de cães. Normalmente, é composto por quatro componentes, o topo, a base, a porta e um bebedouro. Existem vários tamanhos disponíveis, cobrindo assim as mais diversas necessidades de transporte ou alojamento de um cão.

Infelizmente, o uso da Caixa Transportadora continua a ser visto pelos proprietários de cães como um acessório dispensável e desagradável para o cão. No entanto, ao contrário  do que se pensa, a Caixa Transportadora pode ser uma mais valia.

Quando transportado num carro a segurança do cão e dos demais ocupantes não deve ser descurada. Um cão solto e activo pode incomodar e distrair o condutor. Não menos importante, no caso de se verificar uma travagem brusca ou mesmo um acidente, a projecção do animal pode ser fatal quer para o cão quer para os restantes ocupantes da viatura.

A considerar, são os níveis de ansiedade ou stress que durante uma viagem podem ser extinguidos ou minimizados num cão. Ao não ter contacto directo com o exterior o cão tenderá a não desenvolver comportamentos negativos como ladrar a pessoas / animais / objectos em movimento, correr, roer, entre outros.

Ao ser transportado numa Caixa Transportadora, o cão acabará por se deitar e ficar calmo, reduzindo simultaneamente as probabilidades de enjoo. Ainda assim, existem cães que tem pré-disposição para enjoar quando transportados de carro.

Obs. – Transportar um cão com a cabeça / parte do corpo fora da janela de uma viatura, para além dos riscos físicos mais evidentes, existem contrariedades adicionais para a visão e ouvidos do cão. Conjuntivites e Otites, poderão ser potenciadas.

A higiene, quer do cão quer do espaço que o rodeia, será também um dos aspectos a considerar no uso da Caixa Transportadora. Mesmo um cão jovem, estando na caixa, evitará ( o tempo possível em função da idade ) fazer as suas necessidades fisiológicas. Esta situação quando bem gerida pode ser uma forma de educar o cão a fazer as suas necessidades em locais mais adequados para o efeito. Esta realidade, poderá ser igualmente útil em viagens de automóvel.

Em caso de doença, onde uma mobilidade reduzida seja exigida, o uso da Caixa Transportadora, pode ser também uma mais valia. O cão estando habituado ao espaço irá permanecer calmo e sem stress. Quer neste cenário e noutros, o cão poderá estar junto dos seus donos de forma controlada e pacifica.

Resumindo, se a introdução da Caixa Transportadora for feita de forma positiva ( nunca forçar / nunca usar como local de castigo / nunca usar apenas para deslocações ao veterinário )  a par de ser usada como um acessório regular, será garantidamente uma mais valia para o cão.

Cláudio M. Nogueira
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À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta

O titulo deste artigo, expressão atribuída ao Imperador Romano Júlio César, poderá servir para fazer uma breve “analogia” com alguns actuais e ditos veteranos treinadores caninos.

Há vários anos foi evidenciado um esforço bem sucedido para a promoção e implementação do regulamento da prova de BH ( Cão de Companhia ) em Portugal. Algo que, directa e indirectamente, sinto ter dado o meu contributo. Não só através da apresentação de cães a esta prova, mas também enquanto elemento da subcomissão do CPC de cães de trabalho (RCI).

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A prova de BH foi adoptada em vários países como um requisito mínimo obrigatório para a participação em provas de IPO. Pretende-se, desta forma, realizar uma avaliação prévia do controlo e da sociabilidade do exemplar que posteriormente será apresentado em competição.

As características do regulamento de BH, nomeadamente, a vertente de obediência e a vertente de sociabilização, fazem desta prova uma prova tão interessante quanto útil.

O problema de integração de cães na sociedade e a ausência em alguns clubes de raça de um controlo mínimo de selecção do temperamento e carácter de reprodutores, levaram a que o BH fosse adoptado como requisito, quer para circular com um exemplar na via publica ( caso de algumas regiões da Alemanha ) quer em programas de criação, onde os progenitores devem ser detentores do titulo de BH.

Se encarado de forma séria e com honestidade, de facto, o titulo de BH poderia ser um dos caminhos para obter melhores cães e uma melhor vivência com os mesmos.

A preparação para esta prova não requer a exigência e a qualidade técnica de uma prova de trabalho, tão simplesmente porque a prova de BH não é uma prova de trabalho. Ainda assim, existe um regulamento para ser cumprido e uma atitude “mínima” que deve ser exigida aos cães apresentados em prova.

Numa opinião muito pessoal, tenho verificado a banalização desta prova e, não raramente, o desrespeito pelo seu regulamento e propósito. Situação que acontece em algumas provas de trabalho, nomeadamente no grau I do IPO. Facto, justificado de forma diferente em função das necessidades ou circunstancias. É lamentável e pouco dignificante para os exemplares apresentados, verificar a forma como literalmente se arrastam na “proximidade” dos seus condutores. De forma desajustada e mediante comandos audíveis fora do campo, os cães sem qualquer motivação, vêem-se forçados a obedecer ( os que obedecem ).

Não sei para onde se pretende caminhar mas garantidamente sei que não iremos evoluir. Igualmente, sei que o treino de que muitos cães são alvo está desajustado e baseia-se em métodos “old-school”.

Não basta dizer que se está no mundo dos cães há x anos ou que se tirou um curso de treino canino baseado em métodos cientificos. Há que apresentar resultados minimamente credíveis, respeitando sempre o bem estar animal. Há que saber motivar e responsabilizar todos aqueles que querem dar os primeiros passos no desporto canino ou tão somente, enquanto proprietários de cães de companhia.

Urge, mudar a imagem que existe dos treinadores de cães. Urge, trabalhar para cada vez mais, os potenciais interessados em treinar um cão, consigam separar o trigo do joio.  Será para bem de todos: Pessoas e Cães.

Cláudio M. Nogueira
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