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Nem 8…Nem 80!

 

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Considerando sempre a especificidade de cada raça ou cada cão enquanto um indivíduo de uma raça e espécie, o treino deve ser o mais adequado possivel. Num mundo cada vez mais virtualizado, mecanizado, irracional, fundamentalista, fútil e insensível, os cães directa ou indirectamente são vitimas desta triste realidade. Nada substituirá o relacionamento real de um cão com o seu semelhante. Nada substituirá o relacionamento real de cumplicidade entre o Homem e o Cão.

Os valores das pessoas e as suas verdadeiras necessidades estão deturpadas ou pouco claras na cabeça de alguns. Uns querem “Jipes” dotados de pinturas metalizadas, Ar Condicionado, Estofos em Pele, Blue Ray nos bancos traseiros, tudo isto, pelo conforto de subir um qualquer passeio junto ao Shopping. Carros de muitos cavalos, dotados de velocidades vertiginosas , são usados em meio urbano por pessoas de meia idade para passear uma qualquer “menina” cujo o intuito é impressionar. Na maioria das vezes e para ambas as situações, o condutor não dá conta do “recado”. Exibir o Telemóvel ou o Tablet de topo de gama cuja finalidade principal é colocar um post no “face”, remete para “2º plano” as verdadeiras e desconhecidas potencialidades dos equipamentos utilizados.

Para estar na moda, por mero capricho, vaidade, problemas de auto estima, solidão, prenda fofa de Natal…compra-se ou adopta-se um cão. Um animal dotado de características muito próprias e de grande potencial.

Um cão, com o passar do tempo e devido ao inevitável crescimento, coloca a descoberto as mais diversas “incompatibilidades” entre o Homem e o chamado “Cão de companhia”.

Enquanto o Homem saboreia o gelado e assiste à sua série televisiva de eleição, o cão desespera por correr atrás da sua “presa”. Enquanto o Homem, freneticamente dedilha no chat de uma qualquer rede social, o cão pouco estimulado e carregado de energias, direcciona a sua “ira” para a perna do sofá. Cansado de uma noitada com os amigos, pela manhã, o Homem deixa-se dormir, já o cão, “teima” em não encontrar a rotina, vendo-se forçado a fazer as necessidades fisiológicas em local “menos adequado”. O Homem, com o peso na consciência de não dar muita atenção ao seu “Cão de companhia”, leva-o passear. Quando o Cão, animal social, pensa que vai interagir com o seu dono, este tira-lhe a trela deixando-o à sua mercê.

Este dia-a-dia, com o chamado “Cão de companhia”, teria muitos mais cenários para descrever. Cenários que estão na origem dos muitos problemas com os cães na nossa sociedade e com os quais rapidamente se conclui que grande parte das pessoas não pode e não deve ter um cão.

Esta realidade não é ultrapassada com Kong’s, Canais de televisão para cães, “Encantador de cães”, Castrações, Calmantes para cães mas sim com o bom senso de se perceber em tempo útil que a decisão de ter um cão não passa por uma atitude impulsiva e pouco ponderada.

Aos mais experientes e conhecedores cabe o papel de sensibilizar ( pedagogicamente ) actuais e futuros detentores de cães para os seus deveres e obrigações. Não é uma tarefa fácil. A maior parte dos detentores “sabem tudo”, viram uns vídeos no Youtube.

Não menos grave, são os interesses da industria “Pet” os quais sem pudor tomam formas cada vez mais extravagantes e perigosas. Não raramente, a “ciência” segue os interesses comerciais manipulando os mais puros e ingénuos detentores de cães. Não fosse esta realidade por si só suficientemente assustadora, do outro lado da barricada, surge o fundamentalismo dos “direitos dos animais” que a toda a hora e a todo o instante lança uma petição ou elabora um manifesto que esconde o verdadeiro sentido do mesmo ( a ponta do iceberg mostra o que mais toca e sensibiliza aqueles que sem interesses gostam de animais, escondendo a verdadeira cabala ) . Os reprodutores de cães são confundidos com criadores, um cão com Pedigree é visto como uma excentricidade, o treino de cães como um abuso sobre a liberdade do cão, etc. Na “penumbra”, espreitam os emergentes especialistas em comportamento, aqueles que minimizam no cão de pequeno porte o “Não morde”, o “Não pula” e o mais desejado “ Não puxa”. Tudo baseado em “métodos científicos” que exploram a estimulação física e psíquica do cão, dizem.

Estamos a passar do 8 para o 80, onde mais uma vez o cão sai desvirtuado e perdedor. Não menos grave os menos informados aderem a serviços, produtos ou a causas de direito animal ( defendidas por algumas entidades cinzentas ) que apenas tiram partido da ingenuidade de terceiros, escondendo o verdadeiro propósito que as move ( vejam o que estas organizações, de forma concertada pelo mundo, colocam na agenda dos seus eventos e percebam o seu verdadeiro propósito ).

NOTA: Informem-se sobre o que tem vindo a ser descoberto sobre algumas organizações internacionais de defesa dos direitos dos animais.

Estarei sempre ao lado da verdadeira defesa dos direitos dos animais mas nunca ao lado de crenças e visões fundamentalistas da vida. Debate, diálogo e direito à diferença, sim. Guerras de ideologias cegas, não. Estas últimas tem um nome que todos nós conhecemos e receamos.

Muita atenção! Muito cuidado!…Bom senso, Respeito, Democracia são valores a preservar. Demagogia e Fundamentalismo, não são o caminho. Nem 8…nem 80!…

Cláudio Nogueira
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