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Sociabilização – Considerações Gerais

A sociabilização de um Cão deve começar o mais cedo possível. O período secundário de sociabilização ocorre entre as 6 semanas de vida podendo ser estendido até às 15 semanas. Parte deste período ocorre com a chegada de um cachorro à sua nova casa. Este é um período que o cachorro, apresenta maior disponibilidade para o contacto com novas realidades. Esta fase, de forma controlada, deve ser alvo da maior aposta naquilo que é a sociabilização de um cachorro.

Um Cão que por motivos diversos não tenha passado por um processo atempado de sociabilização, não deverá ser visto como um caso perdido. No entanto, quando assim acontece, poderão ser manifestadas perturbações de comportamento.

A sociabilização deve basear-se num processo de dessensibilização ao meio ambiente, especialmente em cães com idade mais avançada que tenham falhado o período mais adequado para a sua sociabilização.

Todo trabalho de sociabilização / dessensibilização deve ser elaborado de forma cuidada, planeada e preferencialmente sob a supervisão de alguém experiente em questões comportamentais.

O video apresentado neste Blog, em linhas gerais, pretende sensibilizar para a importância de uma correcta sociabilização, especialmente para cães com idades mais avançadas.

Nunca desista do seu cão, seja ele um cão de raça ou sem raça definida.

Cláudio Nogueira
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Expectativas irrealistas

Embora nem sempre assim se verifique, a escolha de um cão e respectiva raça, baseia-se em aspectos práticos que o futuro dono idealiza para o seu dia-a-dia. São exemplos disso, a necessidade de ter um cão sociável ( que não faça mal a pessoas e a outros animais ), um cão obediente ( que não precise de frequentar uma escola de treino canino ), um cão saudável ( que não implique idas ao veterinário ou uma dieta alimentar cuidada ), um cão calmo ( que não incomode em casa e seja bom para os problemas de auto-estima de alguns familiares ), um cão de porte médio/pequeno ( que não ocupe muito espaço e não tenha muita força para puxar na trela ), um cão que não ladre muito ( evitar má vizinhança ) e, “não menos importante”, que seja bonito.

Não raramente, a juntar à polivalência pretendida para um cão, o futuro dono anseia ainda por um verdadeiro guardião da família.

Golden Retriever

Golden Retriever

A compilação desta lista de desejos não se reúne com facilidade num cão. Independentemente da sua raça ou sem raça definida.

A escolha de um cão deve passar previamente por uma vontade assumida e esclarecida sobre aquilo que é ter um cão. É importante perceber que todos os cães tem uma fase de desenvolvimento/crescimento própria que deve ser respeitada, perceber que todos os cães ladram ( motivados por diversas razões ), perceber que todos os cães podem adoecer ( doenças crónicas e terminais ), perceber que existem características em determinadas raças que potenciam certos e determinados comportamentos, perceber que a estabilidade mental física e psíquica de um cão carece de um acompanhamento adequado e direccionado à espécie.

Infelizmente, a falta de conhecimento e a “leviandade” com que se compra ou adopta um cão, transforma o “cão ideal” numa desilusão e numa fonte de problemas. Quando assim acontece, além das tradicionais discussões familiares que começam com a frase “A ideia de ter um cão não foi minha…” , o cão passa a ser alvo de constantes punições verbais e físicas que nada resolvem. Cenário injusto e penoso para o cão.

Quando a “bomba” de problemas inerentes à detenção de um cão rebenta no seio familiar, a qual muitos donos julgavam ser passageira, a fase de maior sensibilidade e aprendizagem do cão já terá passado. Esta última, garantidamente, terá ficado vincada com inúmeras experiencias negativas. O efeito “Bola de Neve”, ganha proporções cada vez maiores e preocupantes para os donos.

O recurso a uma escola de treino canino, continua a ser visto como uma necessidade para resolução problemas ( de preferência em processo acelerado ) ao invés de ser vista como um local de aprendizagem e prevenção, em tempo útil, para donos e cães.

Resumindo, os cães não são problemáticos, a forma como se escolhe um cão assim como aquilo que dele se espera, na maioria das vezes, acaba por ser baseado em expectativas irrealistas.

Cláudio Nogueira
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Conselhos “diabólicos”

A maioria dos donos de cães, por falta de conhecimento, ignoram certos e determinados comportamentos manifestados nos seus cães. Não menos grave, qualquer conselho dado que implique regras ou restrições a um cão, dificilmente é aceite pelo dono do mesmo.

Bora-CaldasDaRainha-Web

Passear um cão solto, é uma constante. – TRELA?! O CÃO JAMAIS SERIA FELIZ!

Obs. – Um cachorro / cão adulto que viva em liberdade descontrolada perderá o vinculo com o seu dono, ficará exposto a perigos diversos ( Ingerir comida / restos do chão, conflito com outros animais, sociabilização descontrolada – Alvo de experiencias traumáticas, Atropelamento, etc ).

Convencer um dono a habituar o seu cachorro / cão adulto a um Canil, Parque ou Caixa Transportadora, é uma luta titânica que muitas vezes culmina com uma opinião mal formada sobre quem aconselha tais procedimentos – CÃO PRESO?! – QUE TORTURA! – O CÃO É PARA ME FAZER COMPANHIA!

Obs. – A habituação de um cão ao “isolamento” baixará os seus níveis de ansiedade, stress e contribuirá para regular as suas necessidades fisiologicas. Entre outros.

A chegada ou partida do dono não deve ser para o cão algo evidente. Ignorar o cão e descondicionar estes procedimentos é para os donos um acto cruel – “IGNORAR” O MEU CÃO QUANDO CHEGO?! – ELE PULA E EU NÃO LHE DOU FESTAS?! – SAIR SEM LHE DAR UMA FESTA E DEIXAR UM OSSINHO?!

Obs. – Confirmar os comportamentos ( saltar, ladrar, choramingar, raspar na porta ) do cão aquando a chegada ou a saída de casa, irá potenciar todos esses mesmos comportamentos, aumentando os níveis de ansiedade. A ansiedade por separação, está na origem de muitos dos comportamentos ( destruição, auto mutilação, defecar em locais impróprios, etc ) que os donos desejariam não ver no seu cão.

O recurso desde cedo a uma escola de treino é encarado pela maioria dos donos como algo desnecessário e como uma “jogada comercial” – UMA ESCOLA?! ELE É TÃO NOVINHO – UM CÃO NÃO GOSTA DE SER TREINADO!

Obs. – Desde cedo, o recurso a uma boa escola de treino canino é fundamental para o dono do cão conhecer boas práticas de relacionamento com o seu cão. Não menos importante, de forma controlada, manter o processo de sociabilização ( pessoas e animais ) e estimular fisicamente / mentalmente o cão.

Resumindo, se gostaria de ver ultrapassadas as dificuldades que tem com o seu cão, esteja mais consciente que os cães não são máquinas mas sim animais dotados de necessidades muito próprias inerentes à espécie a que pertencem. Com raça ou sem raça definida, um cão deve ser visto como um indivíduo dentro da sua espécie e não como um cão que deva ser tratado “by the book”.

Cláudio Nogueira
www.amigodorottweiler.com