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Melhores Donos, Melhores Cães…Melhores leis.

Os problemas com cães na nossa sociedade são inúmeros. Não vou incluir aqui o drama dos abandonos, uma guerra sem fim onde pessoas de grande dedicação tentam combater diariamente no nosso país, através de associações / grupos de trabalho, este acto cruel que é o abandono.

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O nosso país tem um legislação pouco favorável aos direitos dos animais, a qual em alguns casos é preconceituosa. Nomeadamente, quando se cataloga determinadas raças de cães como potencialmente perigosas.

Esta é a ponta do Iceberg, visível por quem realmente gosta e entende os animais. Uma realidade triste e dura.

Mal ou bem, nada acontece por acaso.

Aos olhos da nossa legislação fomos confrontados com o facto dos animais serem vistos como “coisas”. Como de um objecto se tratassem. No entanto, ao olharmos para a maioria dos casos, são precisamente os donos dos cães que os tratam como coisas.

Um cão não é comprado / adoptado em função das suas reais  características, mas sim em função de uma necessidade familiar pontual, impulso, carência afectiva, moda ou capricho. No fundo, uma coisa “necessária” para resolver problemas de foro pessoal ou outros.

O cão da Scotex ( aquele de que não se sabe a “marca” ) é muito querido. O Rex, igual ao da serie da TV é o ideal, guarda a casa e ainda brinca com as crianças. Se assim não acontecer, dá-se o cão. Não, mas não se dá a qualquer um, dá-se alguém que goste de animais.

Por razões “sentimentais”, os donos procuram a chamada namorada / namorado para o seu amigo de quatro patas. A paternidade ou a maternidade, é algo que deixa os cães mais calmos, dizem. Não menos importante, querem uma filha da “Fifi”. Esquecendo-se, juntamente com a filha da “Fifi”, podem vir mais nove exemplares, cujo o destino é incerto.

São aos milhares os que acreditam que um cão desde que tenha uma varanda, um quintal ou mesmo uma quinta, por si só, tem grande parte do que precisa. Sim, porque na varanda está entretido a ver a rua, no quintal tem a casota e o seus brinquedos e na quinta pode passar o dia todo a correr. Se para estas situações a adaptação não for a inicialmente esperada, arranja-se outro cão para fazer companhia ( entenda-se duplicar o problema ).

Como oposição ao cenário anterior, existem os que “batendo com a mão no peito” afirmam: “O meu cão é para estar comigo em casa. Em todo o lado a toda a hora.”

Quando, por questões meramente aleatórias e não selectivas, vivem com um canídeo naturalmente sociável / submisso / pouco energético, além de pequenos episódios associados à destruição de objectos, os donos acreditam ter dado a melhor educação e estarem perante um cão feliz. Afinal, com a chegada dos seus donos, o cão abana sempre a cauda. Ainda neste enquadramento, tudo muda quando os donos tem a veleidade de querer cães de raça onde determinadas características estão bem acentuadas no seu código genético. Quando assim acontece, dizem ter um problema, já que o novo cão não é igual ao outro.

Para a maioria dos donos, frequentar uma escola de treino canino, só se aplica caso o cão se mostre agressivo para terceiros ( pessoas ou animais ), puxe muito na trela ( caso ainda não tenham descoberto acessórios de contenção como o Easywalk ou similares ), não responda à chamada ou os índices de destruição em casa atinjam “valores” elevados.

Frequentar uma escola de treino canino para desde cedo sociabilizar um cão de forma controlada e orientada, a par de aprender a interagir e ensinar um cão naquela que deve ser a sua obediência básica, nem pensar. Dá trabalho, vem aí o frio / calor e a escola mais próxima fica a “meia hora” de caminho. Se o cão vier a dar problemas logo se vê. No imediato, pedem-se umas dicas pelo facebook e vêm-se uns vídeos no youtube.

De acordo com a maioria dos donos, correr e andar solto é mais que suficiente para um cão. Ainda assim, choram muito quando abrem a porta da quinta e o cão foge para sempre ou é atropelado. Choram muito e dão grandes recompensas a quem encontrar a “Fifi” que fugiu ou se perdeu. O drama acentua-se quando os donos, em desespero, pedem ajuda a pessoas com experiencia em comportamento animal / treino canino mas no final não aceitam qualquer conselho, sentem-se ofendidas e ainda tem sempre uma justificação para os problemas ocorridos com o seu cão.

É fundamental que os donos de cães estejam mais sensibilizados para a importância de conhecerem de forma mais realista o seu cão e as suas necessidades. Estas em nada estão relacionadas com roupas para cães, com múltiplos brinquedos, com espaço para correr ou com o seu suborno ( subornar não é recompensar ) diário.

Melhores donos vão potenciar melhores cães e com isso leis mais ajustadas.

Cláudio M. Nogueira
www.amigodorottweiler.com

 

A Matilha, Dominância…e a falta de conhecimento.

Não raramente, de forma directa ou indirecta, continuo a verificar que os termos “Matilha” e “Dominância”, continuam a servir para justificar aquilo que a falta de conhecimento sobre o Cão e o relacionamento com o mesmo, não consegue. Situação que leva muitos donos de cães a violentarem o seu cão ou, aqueles que não tem coragem para o fazer, a sentirem-se culpados por não estarem à altura do seu animal de companhia. É muito grave quando assim acontece. Infelizmente, assim continua acontecer.

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Hoje, quando falo daquilo que considero serem boas práticas para um relacionamento mais saudável entre um dono e o seu cão, tenho o cuidado de referir que nem sempre defendi o que hoje defendo. Digo mesmo: “ Já estive do outro lado da barricada”. No fundo, “defendia” aquilo que me impunham como uma verdade absoluta. Um bom estrangulador, trela curta, reforçado com um colar corrector, eram a suposta solução. Solução essa, quando não eficaz, deveria ser acompanhada de correcções verbais fortes ( gritar alto ), de uma pancada seca na cabeça do cão e, no limite, placar o cão e deitar-me sobre o mesmo. Afinal, tinha que ser o Líder da Matilha, tinha que impor a minha dominância. Caso contrário, o Rottweiler não era o cão adequado ao meu perfil.

Felizmente, alguma perspicácia e inteligência, complementada com a posse de um cão dotado de um carácter forte, obrigaram-me a procurar novos caminhos, entenda-se, conhecimento e experiencia prática.

Hoje (felizmente há muito tempo), não necessito de passear os meus Rottweilers de estranguladora ou de colar corrector. Uma boa Educação, Sociabilização ( assente em processos de dessensibilização ), complementadas com um bom treino de obediência associado à prática de modalidades desportivas, concedem aos meus cães e a mim uma vivencia harmoniosa entre ambos.

De salientar, relacionado com aquilo que chamo de boas práticas, está um relacionamento diário ( quer na vertente de cão de companhia, quer na vertente desportiva ) baseado na paciência, coerência, rigor e em metodologias de treino que tem por base, os chamados métodos positivos. Não menos importante, existe a noção clara que um cão é um cão, facto que me obriga a adaptar às necessidades inerentes da espécie.

Pessoalmente, preocupa-me as pessoas que questionam abordagens de treino onde a força e o castigo não são a palavra de ordem. Pessoas, que defendem as festas ou um breve elogio verbal, como suficientes para um cão. Caso contrario, dizem, o cão só obedecerá por interesse. A “cereja em cima do bolo” é quando complementam com a frase: “…já ando nisto há muitos anos e sei como é!”.

Esta preocupação, deveria ser também a preocupação de qualquer dono de um cão. Porquê?…Simples. Um olhar atento sobre o trabalho realizado por fundamentalistas de métodos “Old school”, será suficiente para não se vislumbrar qualquer resultado ( quando o apresentam ) digno de registo. Não menos importante, recorrentemente, nos trabalhos apresentados está vincada uma postura submissa do cão ( orelhas placadas, intermitência e lentidão na execução dos exercícios, bocejar durante ou entre os exercícios – na sua maioria envolvem saltos de obstáculos “militaristas” – baixar a cabeça com a aproximação do dono, etc ).

Quando estiver na presença de alguém defensor da teoria que um cão não pode passar uma porta à frente do seu dono, só deve ser alimentado depois de toda a família ter tomado a sua refeição, a “teimosia” do cão está relacionada com a dominância, um cão tem que obedecer por obrigação ( para impormos a nossa liderança e dominância ) ou um cão que puxa na trela quer liderar…FUJA!…Se gosta do seu cão, fuja!

Se aceitar uma abordagem em conceitos desfasados da realidade a par de uma Educação, Sociabilização e Treino de obediência assente na força e nas punições, para além de não obter resultados práticos, irá ser confrontado pelo dito “treinador”. Este, irá colocar-lhe as responsabilidades de toda a situação. Afinal, “não soube” impor-se sobre o seu cão.

Cláudio M. Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv

 

Quando começar a treinar o meu cão?

Skype-Treinos-Coto05A duvida sobre qual a melhor idade para treinar um cão, surge com muita frequência na maior parte dos donos de cães.

Sobre esta matéria, existe um leque variado de conceitos e opiniões.

Há quem defenda que antes dos doze meses de idade não vale a pena iniciar qualquer treino, outros defendem que o treino deve ter o seu inicio a partir dos dois meses de idade, havendo ainda quem defenda os seis meses idade como o período ideal para iniciar o treino. Perante esta panóplia de teorias, no final, são os donos que em função do cão que têm (mais ou menos problemático), acabam por decidir por eles próprios a altura ideal para iniciar o treino. Decisão que muitas vezes se revela precoce ou tardia, bem como pouco esclarecida nos seus propósitos e objetivos.

O estigma que rodeia as raças ditas “potencialmente perigosas”, assombra a mente dos detentores de exemplares destas mesmas raças. Não menos grave, existem mitos (no passado associados a outras raças) que sem qualquer fundamento, levam os donos a optar por treinos duros e muitas vezes violentos. As consequências são extremamente perigosas para todos os envolvidos.

Por outro lado, comportamentos normais num cachorro como o morder as pernas do dono em andamento, as mãos dos donos, rosnar num jogo de tração ou não largar o que tem na boca, são motivo suficiente para os donos assumirem que estão perante um cão problemático. Não podem estar mais errados. Garantidamente, devido aos seus bons instintos naturais e índices motivacionais elevados, estão perante um cachorro com grande disponibilidade para o treino.

A aprendizagem de um cão deve ser um processo contínuo e dividido em três fases: Educação, Sociabilização e o Treino de obediência.

A educação deve surgir logo a partir do primeiro momento em que o cachorro chega a casa. Educar é informar o cachorro sobre as regras da sua nova casa. É fundamental para um cachorro conhecer o seu local de retiro, a sua família humana, saber usar uma coleira, saber usar uma trela e ser orientado de forma cuidada para aquilo que pode e não pode fazer. Este último aspeto pode ser facilitado, não expondo permanentemente o cachorro a situações tentadoras (Ex: Circular livremente por toda a casa).

Nas diversas etapas do crescimento o cachorro estará permanentemente a colocar os seus donos à prova. Conquistar novos espaços e liderar todas as iniciativas, serão atitudes frequentes. Este facto, obrigará qualquer dono a ser coerente e rigoroso com a educação do seu cão.

DSC06641-webA sociabilização de um cachorro com o ambiente que o rodeia é algo que deve começar desde cedo. Numa primeira etapa, será o criador assumir esta função. Posteriormente, caberá ao novo dono dar continuidade ao processo de sociabilização. Processo que se deverá prolongar durante grande parte da vida do cão.A partir dos quatro meses de idade, com o programa de vacinação completo, o recurso a uma boa escola de treino é aconselhável. O cachorro poderá ter contacto com outras pessoas e animais, enriquecendo a sua experiência de vida. Esta, será determinante no seu comportamento futuro.

Embora se recomende uma escola de treino a partir dos quatro meses de idade, esta servirá inicialmente para sociabilizar o cachorro e para o dono conhecer técnicas adequadas para interagir com o seu cão.

Expor de forma controlada e moderada o cachorro/cão adulto ao seu meio envolvente é fundamental para o seu desenvolvimento e bem-estar.

Obs. – Embora por motivos de saúde seja recomendado que o cachorro não circule na via pública antes de ter completado o programa de vacinação, será importante perceber que os primeiros meses de vida são fundamentais no processo de sociabilização. Assim, de forma cuidada ( não expondo o cachorro ao contacto com cães de rua, lixo, fezes de outros animais, etc ), o cachorro de carro, ao colo e mesmo pelo chão deve ser levado à rua ou junto de ambientes que simulem o dia-a-dia.

Quando se constrói, na base, uma boa educação e sociabilização, os primeiros treinos tornam-se mais fáceis. O cachorro respeita o dono, o cachorro sente-se desinibido com o que o rodeia e ambos desenvolvem uma relação inicial sem conflitos.

Em função do cachorro, da orientação de treino definida e da experiência do treinador, a partir dos seis meses ( ou mesmo antes ), o cachorro poderá ser apresentado de forma gradual e moderada aos exercícios de obediência básica. Este trabalho deve ser um trabalho cuidado e jamais com o objetivo de ensinar em definitivo os exercícios ao cachorro. A vontade de descobrir novos horizontes e a energia típica de um cachorro, deve ser aproveitada para de forma aprazível, criar o gosto pelo treino e canalizar os instintos naturais do cão para atividades adequadas e estimulantes. Quando assim acontece os comportamentos incomodativos, como ladrar permanentemente, correr atrás de objetos, escavar, roer, etc, serão minimizados.

Tal e qual as outras fases referidas anteriormente, o treino de obediência deve ser um processo contínuo durante a fase de crescimento do cão, no entanto, deve ser prolongado o mais possível. Preferencialmente até aos três anos de idade, altura em que grande parte das raças já atingiram ou estão a atingir a sua maturidade. Posteriormente, deve ser garantido um trabalho de “manutenção” dos comportamentos resultantes do treino, não só para que não se percam mas também para manter os estímulos físicos e mentais do cão.

Resumindo, embora a palavra treino seja o “chapéu” que inclui tudo o que esteja relacionado com o ensinamento de um cão, este processo pode ser interpretado como um processo composto por várias fases distintas que direta ou indiretamente, estão interligadas entre si.

De forma controlada e respeitadora para terceiros, deixe o seu cachorro crescer e não confunda o seu porte físico com a sua maturidade. Não se precipite em incutir obediência prematura no seu cachorro. Os aparentes resultados imediatos irão transformar o seu cachorro num cão apático, relutante aos ensinamentos, receoso e desconfiado. Aspetos que em adulto o podem tornar num cão perigoso.

Aconselhe-se sempre com pessoas experientes e com provas dadas.

Cláudio Miguel Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv