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Oeste DOG Camp – Vídeos sobre cães

A escola de Treino Canino Oeste DOG Camp, iniciou recentemente uma série de vídeos pedagógicos, alusivos a boas práticas na Educação, Sociabilização e Obediência de um cão.

Veja o primeiro vídeo da série, sobre cães:

Canal do Youtube do Coordenador Técnico Cláudio Nogueira:
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Cláudio Nogueira
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Um dia de cão…No facebook.

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As redes sociais, onde o facebook em Portugal se destaca, são um excelente meio de divulgação das mais diversas situações do quotidiano dos seus utilizadores. Não será por acaso que grandes marcas apostam nestes canais de comunicação para perceber hábitos e preferências dos seus clientes ou potenciais clientes.

O meu circulo de “amigos” no facebook, na sua esmagadora maioria, tem um ponto em comum: Os cães e actividades inerentes. Esta realidade, tal e qual as marcas, permite-me aferir a postura em relação ao cães, dos mais diversos tipos de pessoas com os mais diversos tipos de perfis.

Um olhar ligeiramente mais atento sobre “Posts” publicados ou “Likes” efectuados, não deixa duvidas sobre aquilo que se passa em torno da detenção de cães. Negligencia, Irresponsabilidade e ignorância, são facilmente detectáveis.

Um Post sobre uma temática de saúde ou comportamento animal, é merecedor de “3 Likes”. Num “dia de sorte”, talvez alguém até partilhe este tipo de publicação.

Em oposição, uma foto de um cão deitado em cima da cama, junto de uma almofada desfeita, dispara para os “210 Likes”, acompanhado de “50 partilhas”. Claro está, este tipo de Post é ainda reforçado com “32 comentários” onde cada utilizador conta os feitos mais destrutivos do seu cão.

Enquanto os “LOL´s” proliferam, os internamentos ( por vezes com consequencias fatais ) nas clínicas veterinárias, igualmente proliferam. Seguem-se operações de urgência, Raio-X para detecção de corpos estranhos que poderão ter sido ingeridos, entre outros cenários. Quando assim acontece, donos desolados, choram e imploram ao Sr. Dr. para salvar o seu “menino”. É como de um filho se tratasse, dizem. Pessoalmente, quando ouço tal comentário, dou graças pelo facto destas pessoas não terem filhos.

Complementarmente, não há dia que não surja nas “ News feed”, a divulgação de mais um cão “muito amado” que se perdeu. Imaginem: Até se dá recompensa a quem o encontrar. Isto é “amor”. Primeiro, condenam os cães à sua sorte, depois desesperam. Tristeza…

Pessoas que não controlam os seus cães, soltam-nos na via publica. Pessoas com cães em quintais, acreditam que um muro de 1,50cm é suficiente para evitar uma fuga. Pessoas que não se dignam a passear o cão na rua ( faz frio – chuvisca – Estão de pijama e chinelo ), abrem a porta para o exterior, acreditando sempre que o “bilhete” é de ida e volta. Estas realidades, não raramente, originam finais infelizes. As consequencias que daqui advêm não podem ser apelidadas de acidentes ou má sorte, mas sim de negligencia e desrespeito pelo cão…e por terceiros. Ainda assim, o mais longínquo utilizador da rede social, enquanto boceja, não deixa de escrever com grande vigor: “Vamos todos ajudar a encontrar o FiFÓ!”.

Quando pensamos que para um dia chega de tanta irresponsabilidade, surge ainda o Post daquela mãe que comprou o cão para o filho. Queria melhorar a auto-estima da criança, mas a auto-estima está na mesma, a casa está mais suja, odor a cão anda no ar e o filho passou a ser mordido nas mãos. Desesperadamente, pede ajuda. Dicas diversas, ofensas e “especialistas” em modificação comportamental, alimentam os mais diversos comentários do Post da mãe desesperada.

Post atrás de Post, o facebook ilustra bem a realidade em redor dos cães de companhia.

Muito se luta pelos direitos dos animais, mas parece que poucos percebem de onde vem verdadeiramente o problema. A maioria dos detentores de cães não conhece as suas obrigações e deveres. Não menos grave, os detentores tem uma visão infantil e desfasada daquilo que é um cão e das suas verdadeiras necessidades.

Cláudio Nogueira
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Expectativas irrealistas

Embora nem sempre assim se verifique, a escolha de um cão e respectiva raça, baseia-se em aspectos práticos que o futuro dono idealiza para o seu dia-a-dia. São exemplos disso, a necessidade de ter um cão sociável ( que não faça mal a pessoas e a outros animais ), um cão obediente ( que não precise de frequentar uma escola de treino canino ), um cão saudável ( que não implique idas ao veterinário ou uma dieta alimentar cuidada ), um cão calmo ( que não incomode em casa e seja bom para os problemas de auto-estima de alguns familiares ), um cão de porte médio/pequeno ( que não ocupe muito espaço e não tenha muita força para puxar na trela ), um cão que não ladre muito ( evitar má vizinhança ) e, “não menos importante”, que seja bonito.

Não raramente, a juntar à polivalência pretendida para um cão, o futuro dono anseia ainda por um verdadeiro guardião da família.

Golden Retriever

Golden Retriever

A compilação desta lista de desejos não se reúne com facilidade num cão. Independentemente da sua raça ou sem raça definida.

A escolha de um cão deve passar previamente por uma vontade assumida e esclarecida sobre aquilo que é ter um cão. É importante perceber que todos os cães tem uma fase de desenvolvimento/crescimento própria que deve ser respeitada, perceber que todos os cães ladram ( motivados por diversas razões ), perceber que todos os cães podem adoecer ( doenças crónicas e terminais ), perceber que existem características em determinadas raças que potenciam certos e determinados comportamentos, perceber que a estabilidade mental física e psíquica de um cão carece de um acompanhamento adequado e direccionado à espécie.

Infelizmente, a falta de conhecimento e a “leviandade” com que se compra ou adopta um cão, transforma o “cão ideal” numa desilusão e numa fonte de problemas. Quando assim acontece, além das tradicionais discussões familiares que começam com a frase “A ideia de ter um cão não foi minha…” , o cão passa a ser alvo de constantes punições verbais e físicas que nada resolvem. Cenário injusto e penoso para o cão.

Quando a “bomba” de problemas inerentes à detenção de um cão rebenta no seio familiar, a qual muitos donos julgavam ser passageira, a fase de maior sensibilidade e aprendizagem do cão já terá passado. Esta última, garantidamente, terá ficado vincada com inúmeras experiencias negativas. O efeito “Bola de Neve”, ganha proporções cada vez maiores e preocupantes para os donos.

O recurso a uma escola de treino canino, continua a ser visto como uma necessidade para resolução problemas ( de preferência em processo acelerado ) ao invés de ser vista como um local de aprendizagem e prevenção, em tempo útil, para donos e cães.

Resumindo, os cães não são problemáticos, a forma como se escolhe um cão assim como aquilo que dele se espera, na maioria das vezes, acaba por ser baseado em expectativas irrealistas.

Cláudio Nogueira
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Quer ter um cão?…E tem tempo?

Infelizmente, a vida pessoal dos proprietários de cães, na sua maioria das vezes, não permite um acompanhamento adequado do seu cão de companhia. Não raramente, um cão passa grande parte do seu tempo sozinho. Quer seja num quintal ou fechado num apartamento.

Desta realidade podem nascer problemas de ordem diversa, onde o mais comum é a Ansiedade por separação. A Ansiedade por separação pode originar comportamentos desviantes os quais podem potenciar fobias e níveis de stress elevados. Todo este cenário pode ainda ser agravado pela ausência de um correcto processo de sociabilização ou por um historial traumático ( Ex: cão proveniente de um canil ou recolhido da rua ). O resultado prático deste tipo de realidade são a junção de vários comportamentos inaceitáveis que os donos acabarão por não tolerar. São exemplo, a destruição, defecar / urinar em locais impróprios, Auto mutilação, Vocalização (Ladrar) excessiva.

A origem destes problemas, além de um possível historial traumático do cão, está associada a uma educação deficitária onde as regras e rotinas são praticamente inexistentes. Cenário que potencia o stress de todos os intervenientes no processo.

A resolução deste tipo de problemas passa por um processo de modificação comportamental que deve ser complementado com um treino de obediência básica. Em ambos os casos, a estimulação mental e física do cão, aliada a uma percepção clara e positiva do meio ambiente, trará resultados.

Desenganem-se aqueles que pensam que através de Fármacos, Esterilização / Castração, longos passeios e exercício físico despropositado, resolverão o problema. O tratamento não atempado de desvios comportamentais pode aumentar a sua gravidade a qual pode culminar em situações de agressividade quer para terceiros ( pessoas ou animais ) quer para os próprios donos.

Se realmente quer ter um cão ou se realmente gosta do seu cão, deve considerar e avaliar o tempo que lhe pode dedicar. A Educação, Sociabilização e a Obediência de um cão não podem ser descuradas.

No vídeo que se segue, os risos que se podem ouvir não são sinónimo de divertimento são sinónimo de ignorância. O cão apresentado, simula a defesa de recursos ( no caso o osso ) contra si próprio.

Cláudio Nogueira
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Conflitos na relação com o cão

É frequente deparar-me com cães, sejam eles cachorros ou adultos, que evidenciam receio quando interagem com os seus donos. Os primeiros sinais manifestam-se através da timidez evidenciada pelo cão quando confrontado pelo seu dono com gestos mais “bruscos” e na hesitação do próprio cão em agarrar ou manter um brinquedo/objecto na  boca.

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Aliado a esta realidade, existe a indiferença dos cães aos seus donos. Situação que se torna evidente quando libertados da trela. Vale tudo menos responder ao chamamento.

Este tipo de conflitos começa a ganhar forma nas idades mais jovens dos cachorros, altura em que as brincadeiras desmedidas com as mãos dos donos, acaba por se revelar um problema. O cão participará nestas mesmas brincadeiras da única forma que sabe: Mordendo. Cenário que o dono não permite, acabando por repreender o cachorro com uma palmada (muitas vezes no focinho). Tudo isto está errado.

O resultado deste “jogo” e respectiva consequência, acabará por gerar um conflito crescente onde o cão deixará de perceber qual a barreira entre a brincadeira e uma luta na qual terá que se defender.

Igualmente, desde cedo, os donos gostam de testar a sua supremacia sobre os seus cães. É exemplo disso, a imposição forçada para que o cachorro largue o que tem na boca. Situação que se agrava quando o cachorro circula livremente pela casa ou jardim.

O preço a pagar por este tipo de vivência será alto. Principalmente, quando mais tarde se desejar treinar um cão através da motivação (Ex: Uso de bolas, churros, comida, festas). Para o cão, a mão do dono e a sua proximidade, irá ser fonte de apreensão. Umas vezes, a mão é sinónimo de prémio e outras de castigo. Não menos grave, o cão deixará de perceber quais os limites da sua liberdade.

Oposto aos cenários anteriores mas igualmente importante, os donos deixam os seus cachorros crescerem, habituando-os a passear livres da trela. Situação que os poderá colocar em risco, bem como, indesejavelmente, poderão incomodar terceiros (sejam outros animais ou pessoas). Procedendo desta forma, livres e sem obediência, os cachorros aprendem a libertar-se não só da trela mas também do dono. Este cenário, tem como consequência o erro clássico que se verifica no chamamento do cão onde o dono após vários chamamentos sem qualquer resultado prático, a bem ou a mal, apanha o seu cão e remete-o forçosamente para o final do passeio.
Garantidamente, para o cão, fica a “lição” que regressar ao dono é sinónimo de repreensão ou do fim do passeio. Numa próxima vez, o cão, demorará mais a regressar. Para dono, este comportamento é encarado como teimosia e desobediência, enquanto para o cão apenas se trata de desfrutar o mais possível da sua liberdade antes de regressar a mais uma experiência negativa, a qual está longe de saber como evitar.

Será sempre importante entender os cães, não os ver como humanos nem tão pouco os ter por mero capricho. Não menos importante, ter a humildade suficiente para perceber que, muitas vezes, antes de pensar em treinar um cão, deve pensar em “treinar-se” a si próprio. Quando assim não acontece, o relacionamento entre o dono e o seu cão é uma relação de gestão de conflitos…

Cláudio Nogueira

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