Donos confusos e preocupados ( alguns… )

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Não raramente os donos conseguem desenvolver maus hábitos na educação e no treino dos seus cães. Com o crescimento do cão, os referidos maus hábitos acabam por ganhar proporções maiores , potenciando consequências negativas.

São exemplo disso:

– Desobediência generalizada;

– Obediência contextualizada a situações / ambientes específicos ( controlo aparente );

– Ansiedade de separação / Stress;

– Brincadeiras que envolvem mordidas frequentes nos donos;

– Cães receosos ou reactivos aos estímulos exteriores;

– Cães possessivos em relação a lugares, objectos e comida;

– Cães destruidores e com vocalização frequente;

– Cães que se auto mutilam / correm atrás da cauda;

– Submissão vincada ( castigos verbais e físicos frequentes );

– Indiferença ao dono quando no exterior.

Algumas das razões para os cenários atrás identificados, são:

– Ausência de regras em casa e no exterior onde a liberdade sem critérios é uma realidade;

– Cada elemento do agregado familiar trata o cão de forma diferente;

– Lacunas de sociabilização derivadas a uma aplicação incorrecta da mesma ( fora de tempo / forçada );

– Repetir de forma constante ( sem resultado ) o mesmo comando de obediência;

– Forçar o cão a fazer algo que não lhe foi verdadeiramente ensinado;

– Confundir suborno com o reforço de um comportamento;

– Sessões de treino forçadas e longas;

– Mudar com frequência os métodos de ensino;

– O cão não sabe estar sozinho;

– Esperar que o cão extinga comportamentos com a evolução da idade;

– Exemplar / Raça desadequada ao perfil do dono e seu dia-a-dia;

– Excesso de protecção e afecto;

– Interpretação errada de sinais comportamentais emitidos pelo cão;

– Interpretação humanizada do comportamento do cão.

É importante ter consciência que para um relacionamento saudável do cão com a sua família humana e com terceiros ( pessoas e animais ), não basta ter um quintal, levar o cão à rua e dar uma boa alimentação. Estas práticas são as mais “básicas” que se pode dar a um cão.

Se quisermos melhorar a qualidade de vida de um cão, deveremos ir ao encontro das suas reais necessidades e respectivos estímulos. Não o contrário. Infelizmente, também aqui e na maioria das vezes, não é o que se verifica. Prova disso, são os números assustadores de animais abandonados, cães vitimas de maus tratos, problemas com terceiros, etc.

Por fim, nunca é demais lembrar que o recurso a uma Escola de treino canino deve ser encarado como uma medida proactiva e preventiva de comportamentos “anómalos”. Infelizmente, grande parte dos donos de cães recorrem à ajuda de profissionais, apenas e só em situação limite, tornando maior a curva de aprendizagem do cão.

Cláudio Nogueira
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A escolha de um cão

Antes de se avançar para a escolha de um cão é fundamental perceber as inúmeras responsabilidades inerentes à detenção do mesmo. Principalmente, quando se pondera um exemplar pertencente a uma raça considerada pela legislação portuguesa como “Potencialmente Perigosa”.
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Não menos importante, caso o futuro cão venha a integrar um agregado familiar composto por diversos elementos é importante que todos ( mesmo os mais jovens ) estejam preparados e em “sintonia” para a chegada do novo companheiro.

Uma vez tomada a decisão de ter um cão, será aconselhável perceber que a escolha do mesmo e respectiva raça, deve considerar o estilo de vida familiar ( Disponibilidade financeira, Disponibilidade de tempo, Vida sedentária / Vida activa, Vida citadina / Vida no campo, etc ) e o espaço físico disponível ( Apartamento, Moradia, Quinta, etc. ) para receber o cão.

No caso de optar por um cão de raça, devidamente identificado no Livro de Origens Português ( LOP ) ou identificado num Livro de Origens de um outro país, a selecção do criador deve ser cuidada.

Deve estar consciente que um cão com Pedigree ( Ex: LOP ) pode ser oriundo de uma criação pouco responsável ou mesmo de uma “Puppy Mills / Farm” ( reprodução massiva de cães sem qualquer controlo e ética – Fornece lojas de animais / Anuncia on-line em portais generalistas de classificados ).

Um criador responsável preocupa-se com o futuro lar dos seus cachorros e estará disponível para responder a toda e qualquer questão relacionada com a origem dos seus exemplares. Não menos importante, através de uma criação seleccionada, o criador tenta despistar desordens comportamentais e de saúde.

A escolha de um cão, quando realizada através de um criador responsável, é orientada pelo próprio criador. Este último, em função do perfil do futuro detentor ( préviamente entrevistado ), saberá escolher o cachorro mais adequado.

Igualmente, um criador responsável estará em consonancia com a legislação portuguesa a qual proibe amputações ( Ex: orelhas, caudas ). No caso das raças “Potencialmente Perigosas”, o criador deve apresentar o licenciamento emitido pelo DGAV ( Direcção Geral de Alimentação e Veterinária ).

No caso de optar pela adopção ( sempre de louvar ) deve estar ciente que as origens do cão a escolher, muitas vezes, são desconhecidas. A esta incógnita, poderá estar associado um historial traumático. Quando assim é, o adoptante deve estar preparado para eventuais “surpresas” quer relacionadas com questões comportamentais quer com questões de saúde.

As entidades ligadas aos processos de adopção, nomeadamente entidades públicas e associações privadas, cada vez mais, evidenciam esforços para garantir o dono mais adequado ao exemplar em adopção. Caberá ao futuro adoptante ser o mais responsável e transparente possivel, afim de facilitar o sempre delicado processo de adopção.

A compra ou adopção por impulso, é um acto negligente. O mesmo se aplica à escolha de um cão sem qualquer tipo de critério associado.

A compra ou a adopção de um cão deve ser um acto ponderado e uma decisão para a vida.

Cláudio Nogueira
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Expectativas irrealistas

Embora nem sempre assim se verifique, a escolha de um cão e respectiva raça, baseia-se em aspectos práticos que o futuro dono idealiza para o seu dia-a-dia. São exemplos disso, a necessidade de ter um cão sociável ( que não faça mal a pessoas e a outros animais ), um cão obediente ( que não precise de frequentar uma escola de treino canino ), um cão saudável ( que não implique idas ao veterinário ou uma dieta alimentar cuidada ), um cão calmo ( que não incomode em casa e seja bom para os problemas de auto-estima de alguns familiares ), um cão de porte médio/pequeno ( que não ocupe muito espaço e não tenha muita força para puxar na trela ), um cão que não ladre muito ( evitar má vizinhança ) e, “não menos importante”, que seja bonito.

Não raramente, a juntar à polivalência pretendida para um cão, o futuro dono anseia ainda por um verdadeiro guardião da família.

Golden Retriever

Golden Retriever

A compilação desta lista de desejos não se reúne com facilidade num cão. Independentemente da sua raça ou sem raça definida.

A escolha de um cão deve passar previamente por uma vontade assumida e esclarecida sobre aquilo que é ter um cão. É importante perceber que todos os cães tem uma fase de desenvolvimento/crescimento própria que deve ser respeitada, perceber que todos os cães ladram ( motivados por diversas razões ), perceber que todos os cães podem adoecer ( doenças crónicas e terminais ), perceber que existem características em determinadas raças que potenciam certos e determinados comportamentos, perceber que a estabilidade mental física e psíquica de um cão carece de um acompanhamento adequado e direccionado à espécie.

Infelizmente, a falta de conhecimento e a “leviandade” com que se compra ou adopta um cão, transforma o “cão ideal” numa desilusão e numa fonte de problemas. Quando assim acontece, além das tradicionais discussões familiares que começam com a frase “A ideia de ter um cão não foi minha…” , o cão passa a ser alvo de constantes punições verbais e físicas que nada resolvem. Cenário injusto e penoso para o cão.

Quando a “bomba” de problemas inerentes à detenção de um cão rebenta no seio familiar, a qual muitos donos julgavam ser passageira, a fase de maior sensibilidade e aprendizagem do cão já terá passado. Esta última, garantidamente, terá ficado vincada com inúmeras experiencias negativas. O efeito “Bola de Neve”, ganha proporções cada vez maiores e preocupantes para os donos.

O recurso a uma escola de treino canino, continua a ser visto como uma necessidade para resolução problemas ( de preferência em processo acelerado ) ao invés de ser vista como um local de aprendizagem e prevenção, em tempo útil, para donos e cães.

Resumindo, os cães não são problemáticos, a forma como se escolhe um cão assim como aquilo que dele se espera, na maioria das vezes, acaba por ser baseado em expectativas irrealistas.

Cláudio Nogueira
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Quer ter um cão?…E tem tempo?

Infelizmente, a vida pessoal dos proprietários de cães, na sua maioria das vezes, não permite um acompanhamento adequado do seu cão de companhia. Não raramente, um cão passa grande parte do seu tempo sozinho. Quer seja num quintal ou fechado num apartamento.

Desta realidade podem nascer problemas de ordem diversa, onde o mais comum é a Ansiedade por separação. A Ansiedade por separação pode originar comportamentos desviantes os quais podem potenciar fobias e níveis de stress elevados. Todo este cenário pode ainda ser agravado pela ausência de um correcto processo de sociabilização ou por um historial traumático ( Ex: cão proveniente de um canil ou recolhido da rua ). O resultado prático deste tipo de realidade são a junção de vários comportamentos inaceitáveis que os donos acabarão por não tolerar. São exemplo, a destruição, defecar / urinar em locais impróprios, Auto mutilação, Vocalização (Ladrar) excessiva.

A origem destes problemas, além de um possível historial traumático do cão, está associada a uma educação deficitária onde as regras e rotinas são praticamente inexistentes. Cenário que potencia o stress de todos os intervenientes no processo.

A resolução deste tipo de problemas passa por um processo de modificação comportamental que deve ser complementado com um treino de obediência básica. Em ambos os casos, a estimulação mental e física do cão, aliada a uma percepção clara e positiva do meio ambiente, trará resultados.

Desenganem-se aqueles que pensam que através de Fármacos, Esterilização / Castração, longos passeios e exercício físico despropositado, resolverão o problema. O tratamento não atempado de desvios comportamentais pode aumentar a sua gravidade a qual pode culminar em situações de agressividade quer para terceiros ( pessoas ou animais ) quer para os próprios donos.

Se realmente quer ter um cão ou se realmente gosta do seu cão, deve considerar e avaliar o tempo que lhe pode dedicar. A Educação, Sociabilização e a Obediência de um cão não podem ser descuradas.

No vídeo que se segue, os risos que se podem ouvir não são sinónimo de divertimento são sinónimo de ignorância. O cão apresentado, simula a defesa de recursos ( no caso o osso ) contra si próprio.

Cláudio Nogueira
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Conselhos “diabólicos”

A maioria dos donos de cães, por falta de conhecimento, ignoram certos e determinados comportamentos manifestados nos seus cães. Não menos grave, qualquer conselho dado que implique regras ou restrições a um cão, dificilmente é aceite pelo dono do mesmo.

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Passear um cão solto, é uma constante. – TRELA?! O CÃO JAMAIS SERIA FELIZ!

Obs. – Um cachorro / cão adulto que viva em liberdade descontrolada perderá o vinculo com o seu dono, ficará exposto a perigos diversos ( Ingerir comida / restos do chão, conflito com outros animais, sociabilização descontrolada – Alvo de experiencias traumáticas, Atropelamento, etc ).

Convencer um dono a habituar o seu cachorro / cão adulto a um Canil, Parque ou Caixa Transportadora, é uma luta titânica que muitas vezes culmina com uma opinião mal formada sobre quem aconselha tais procedimentos – CÃO PRESO?! – QUE TORTURA! – O CÃO É PARA ME FAZER COMPANHIA!

Obs. – A habituação de um cão ao “isolamento” baixará os seus níveis de ansiedade, stress e contribuirá para regular as suas necessidades fisiologicas. Entre outros.

A chegada ou partida do dono não deve ser para o cão algo evidente. Ignorar o cão e descondicionar estes procedimentos é para os donos um acto cruel – “IGNORAR” O MEU CÃO QUANDO CHEGO?! – ELE PULA E EU NÃO LHE DOU FESTAS?! – SAIR SEM LHE DAR UMA FESTA E DEIXAR UM OSSINHO?!

Obs. – Confirmar os comportamentos ( saltar, ladrar, choramingar, raspar na porta ) do cão aquando a chegada ou a saída de casa, irá potenciar todos esses mesmos comportamentos, aumentando os níveis de ansiedade. A ansiedade por separação, está na origem de muitos dos comportamentos ( destruição, auto mutilação, defecar em locais impróprios, etc ) que os donos desejariam não ver no seu cão.

O recurso desde cedo a uma escola de treino é encarado pela maioria dos donos como algo desnecessário e como uma “jogada comercial” – UMA ESCOLA?! ELE É TÃO NOVINHO – UM CÃO NÃO GOSTA DE SER TREINADO!

Obs. – Desde cedo, o recurso a uma boa escola de treino canino é fundamental para o dono do cão conhecer boas práticas de relacionamento com o seu cão. Não menos importante, de forma controlada, manter o processo de sociabilização ( pessoas e animais ) e estimular fisicamente / mentalmente o cão.

Resumindo, se gostaria de ver ultrapassadas as dificuldades que tem com o seu cão, esteja mais consciente que os cães não são máquinas mas sim animais dotados de necessidades muito próprias inerentes à espécie a que pertencem. Com raça ou sem raça definida, um cão deve ser visto como um indivíduo dentro da sua espécie e não como um cão que deva ser tratado “by the book”.

Cláudio Nogueira
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Caixa Transportadora para cães

A Caixa Transportadora é um compartimento plástico ( rígido ) adequado para o transporte de cães. Normalmente, é composto por quatro componentes, o topo, a base, a porta e um bebedouro. Existem vários tamanhos disponíveis, cobrindo assim as mais diversas necessidades de transporte ou alojamento de um cão.

Infelizmente, o uso da Caixa Transportadora continua a ser visto pelos proprietários de cães como um acessório dispensável e desagradável para o cão. No entanto, ao contrário  do que se pensa, a Caixa Transportadora pode ser uma mais valia.

Quando transportado num carro a segurança do cão e dos demais ocupantes não deve ser descurada. Um cão solto e activo pode incomodar e distrair o condutor. Não menos importante, no caso de se verificar uma travagem brusca ou mesmo um acidente, a projecção do animal pode ser fatal quer para o cão quer para os restantes ocupantes da viatura.

A considerar, são os níveis de ansiedade ou stress que durante uma viagem podem ser extinguidos ou minimizados num cão. Ao não ter contacto directo com o exterior o cão tenderá a não desenvolver comportamentos negativos como ladrar a pessoas / animais / objectos em movimento, correr, roer, entre outros.

Ao ser transportado numa Caixa Transportadora, o cão acabará por se deitar e ficar calmo, reduzindo simultaneamente as probabilidades de enjoo. Ainda assim, existem cães que tem pré-disposição para enjoar quando transportados de carro.

Obs. – Transportar um cão com a cabeça / parte do corpo fora da janela de uma viatura, para além dos riscos físicos mais evidentes, existem contrariedades adicionais para a visão e ouvidos do cão. Conjuntivites e Otites, poderão ser potenciadas.

A higiene, quer do cão quer do espaço que o rodeia, será também um dos aspectos a considerar no uso da Caixa Transportadora. Mesmo um cão jovem, estando na caixa, evitará ( o tempo possível em função da idade ) fazer as suas necessidades fisiológicas. Esta situação quando bem gerida pode ser uma forma de educar o cão a fazer as suas necessidades em locais mais adequados para o efeito. Esta realidade, poderá ser igualmente útil em viagens de automóvel.

Em caso de doença, onde uma mobilidade reduzida seja exigida, o uso da Caixa Transportadora, pode ser também uma mais valia. O cão estando habituado ao espaço irá permanecer calmo e sem stress. Quer neste cenário e noutros, o cão poderá estar junto dos seus donos de forma controlada e pacifica.

Resumindo, se a introdução da Caixa Transportadora for feita de forma positiva ( nunca forçar / nunca usar como local de castigo / nunca usar apenas para deslocações ao veterinário )  a par de ser usada como um acessório regular, será garantidamente uma mais valia para o cão.

Cláudio M. Nogueira
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Melhores Donos, Melhores Cães…Melhores leis.

Os problemas com cães na nossa sociedade são inúmeros. Não vou incluir aqui o drama dos abandonos, uma guerra sem fim onde pessoas de grande dedicação tentam combater diariamente no nosso país, através de associações / grupos de trabalho, este acto cruel que é o abandono.

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O nosso país tem um legislação pouco favorável aos direitos dos animais, a qual em alguns casos é preconceituosa. Nomeadamente, quando se cataloga determinadas raças de cães como potencialmente perigosas.

Esta é a ponta do Iceberg, visível por quem realmente gosta e entende os animais. Uma realidade triste e dura.

Mal ou bem, nada acontece por acaso.

Aos olhos da nossa legislação fomos confrontados com o facto dos animais serem vistos como “coisas”. Como de um objecto se tratassem. No entanto, ao olharmos para a maioria dos casos, são precisamente os donos dos cães que os tratam como coisas.

Um cão não é comprado / adoptado em função das suas reais  características, mas sim em função de uma necessidade familiar pontual, impulso, carência afectiva, moda ou capricho. No fundo, uma coisa “necessária” para resolver problemas de foro pessoal ou outros.

O cão da Scotex ( aquele de que não se sabe a “marca” ) é muito querido. O Rex, igual ao da serie da TV é o ideal, guarda a casa e ainda brinca com as crianças. Se assim não acontecer, dá-se o cão. Não, mas não se dá a qualquer um, dá-se alguém que goste de animais.

Por razões “sentimentais”, os donos procuram a chamada namorada / namorado para o seu amigo de quatro patas. A paternidade ou a maternidade, é algo que deixa os cães mais calmos, dizem. Não menos importante, querem uma filha da “Fifi”. Esquecendo-se, juntamente com a filha da “Fifi”, podem vir mais nove exemplares, cujo o destino é incerto.

São aos milhares os que acreditam que um cão desde que tenha uma varanda, um quintal ou mesmo uma quinta, por si só, tem grande parte do que precisa. Sim, porque na varanda está entretido a ver a rua, no quintal tem a casota e o seus brinquedos e na quinta pode passar o dia todo a correr. Se para estas situações a adaptação não for a inicialmente esperada, arranja-se outro cão para fazer companhia ( entenda-se duplicar o problema ).

Como oposição ao cenário anterior, existem os que “batendo com a mão no peito” afirmam: “O meu cão é para estar comigo em casa. Em todo o lado a toda a hora.”

Quando, por questões meramente aleatórias e não selectivas, vivem com um canídeo naturalmente sociável / submisso / pouco energético, além de pequenos episódios associados à destruição de objectos, os donos acreditam ter dado a melhor educação e estarem perante um cão feliz. Afinal, com a chegada dos seus donos, o cão abana sempre a cauda. Ainda neste enquadramento, tudo muda quando os donos tem a veleidade de querer cães de raça onde determinadas características estão bem acentuadas no seu código genético. Quando assim acontece, dizem ter um problema, já que o novo cão não é igual ao outro.

Para a maioria dos donos, frequentar uma escola de treino canino, só se aplica caso o cão se mostre agressivo para terceiros ( pessoas ou animais ), puxe muito na trela ( caso ainda não tenham descoberto acessórios de contenção como o Easywalk ou similares ), não responda à chamada ou os índices de destruição em casa atinjam “valores” elevados.

Frequentar uma escola de treino canino para desde cedo sociabilizar um cão de forma controlada e orientada, a par de aprender a interagir e ensinar um cão naquela que deve ser a sua obediência básica, nem pensar. Dá trabalho, vem aí o frio / calor e a escola mais próxima fica a “meia hora” de caminho. Se o cão vier a dar problemas logo se vê. No imediato, pedem-se umas dicas pelo facebook e vêm-se uns vídeos no youtube.

De acordo com a maioria dos donos, correr e andar solto é mais que suficiente para um cão. Ainda assim, choram muito quando abrem a porta da quinta e o cão foge para sempre ou é atropelado. Choram muito e dão grandes recompensas a quem encontrar a “Fifi” que fugiu ou se perdeu. O drama acentua-se quando os donos, em desespero, pedem ajuda a pessoas com experiencia em comportamento animal / treino canino mas no final não aceitam qualquer conselho, sentem-se ofendidas e ainda tem sempre uma justificação para os problemas ocorridos com o seu cão.

É fundamental que os donos de cães estejam mais sensibilizados para a importância de conhecerem de forma mais realista o seu cão e as suas necessidades. Estas em nada estão relacionadas com roupas para cães, com múltiplos brinquedos, com espaço para correr ou com o seu suborno ( subornar não é recompensar ) diário.

Melhores donos vão potenciar melhores cães e com isso leis mais ajustadas.

Cláudio M. Nogueira
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À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta

O titulo deste artigo, expressão atribuída ao Imperador Romano Júlio César, poderá servir para fazer uma breve “analogia” com alguns actuais e ditos veteranos treinadores caninos.

Há vários anos foi evidenciado um esforço bem sucedido para a promoção e implementação do regulamento da prova de BH ( Cão de Companhia ) em Portugal. Algo que, directa e indirectamente, sinto ter dado o meu contributo. Não só através da apresentação de cães a esta prova, mas também enquanto elemento da subcomissão do CPC de cães de trabalho (RCI).

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A prova de BH foi adoptada em vários países como um requisito mínimo obrigatório para a participação em provas de IPO. Pretende-se, desta forma, realizar uma avaliação prévia do controlo e da sociabilidade do exemplar que posteriormente será apresentado em competição.

As características do regulamento de BH, nomeadamente, a vertente de obediência e a vertente de sociabilização, fazem desta prova uma prova tão interessante quanto útil.

O problema de integração de cães na sociedade e a ausência em alguns clubes de raça de um controlo mínimo de selecção do temperamento e carácter de reprodutores, levaram a que o BH fosse adoptado como requisito, quer para circular com um exemplar na via publica ( caso de algumas regiões da Alemanha ) quer em programas de criação, onde os progenitores devem ser detentores do titulo de BH.

Se encarado de forma séria e com honestidade, de facto, o titulo de BH poderia ser um dos caminhos para obter melhores cães e uma melhor vivência com os mesmos.

A preparação para esta prova não requer a exigência e a qualidade técnica de uma prova de trabalho, tão simplesmente porque a prova de BH não é uma prova de trabalho. Ainda assim, existe um regulamento para ser cumprido e uma atitude “mínima” que deve ser exigida aos cães apresentados em prova.

Numa opinião muito pessoal, tenho verificado a banalização desta prova e, não raramente, o desrespeito pelo seu regulamento e propósito. Situação que acontece em algumas provas de trabalho, nomeadamente no grau I do IPO. Facto, justificado de forma diferente em função das necessidades ou circunstancias. É lamentável e pouco dignificante para os exemplares apresentados, verificar a forma como literalmente se arrastam na “proximidade” dos seus condutores. De forma desajustada e mediante comandos audíveis fora do campo, os cães sem qualquer motivação, vêem-se forçados a obedecer ( os que obedecem ).

Não sei para onde se pretende caminhar mas garantidamente sei que não iremos evoluir. Igualmente, sei que o treino de que muitos cães são alvo está desajustado e baseia-se em métodos “old-school”.

Não basta dizer que se está no mundo dos cães há x anos ou que se tirou um curso de treino canino baseado em métodos cientificos. Há que apresentar resultados minimamente credíveis, respeitando sempre o bem estar animal. Há que saber motivar e responsabilizar todos aqueles que querem dar os primeiros passos no desporto canino ou tão somente, enquanto proprietários de cães de companhia.

Urge, mudar a imagem que existe dos treinadores de cães. Urge, trabalhar para cada vez mais, os potenciais interessados em treinar um cão, consigam separar o trigo do joio.  Será para bem de todos: Pessoas e Cães.

Cláudio M. Nogueira
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A Matilha, Dominância…e a falta de conhecimento.

Não raramente, de forma directa ou indirecta, continuo a verificar que os termos “Matilha” e “Dominância”, continuam a servir para justificar aquilo que a falta de conhecimento sobre o Cão e o relacionamento com o mesmo, não consegue. Situação que leva muitos donos de cães a violentarem o seu cão ou, aqueles que não tem coragem para o fazer, a sentirem-se culpados por não estarem à altura do seu animal de companhia. É muito grave quando assim acontece. Infelizmente, assim continua acontecer.

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Hoje, quando falo daquilo que considero serem boas práticas para um relacionamento mais saudável entre um dono e o seu cão, tenho o cuidado de referir que nem sempre defendi o que hoje defendo. Digo mesmo: “ Já estive do outro lado da barricada”. No fundo, “defendia” aquilo que me impunham como uma verdade absoluta. Um bom estrangulador, trela curta, reforçado com um colar corrector, eram a suposta solução. Solução essa, quando não eficaz, deveria ser acompanhada de correcções verbais fortes ( gritar alto ), de uma pancada seca na cabeça do cão e, no limite, placar o cão e deitar-me sobre o mesmo. Afinal, tinha que ser o Líder da Matilha, tinha que impor a minha dominância. Caso contrário, o Rottweiler não era o cão adequado ao meu perfil.

Felizmente, alguma perspicácia e inteligência, complementada com a posse de um cão dotado de um carácter forte, obrigaram-me a procurar novos caminhos, entenda-se, conhecimento e experiencia prática.

Hoje (felizmente há muito tempo), não necessito de passear os meus Rottweilers de estranguladora ou de colar corrector. Uma boa Educação, Sociabilização ( assente em processos de dessensibilização ), complementadas com um bom treino de obediência associado à prática de modalidades desportivas, concedem aos meus cães e a mim uma vivencia harmoniosa entre ambos.

De salientar, relacionado com aquilo que chamo de boas práticas, está um relacionamento diário ( quer na vertente de cão de companhia, quer na vertente desportiva ) baseado na paciência, coerência, rigor e em metodologias de treino que tem por base, os chamados métodos positivos. Não menos importante, existe a noção clara que um cão é um cão, facto que me obriga a adaptar às necessidades inerentes da espécie.

Pessoalmente, preocupa-me as pessoas que questionam abordagens de treino onde a força e o castigo não são a palavra de ordem. Pessoas, que defendem as festas ou um breve elogio verbal, como suficientes para um cão. Caso contrario, dizem, o cão só obedecerá por interesse. A “cereja em cima do bolo” é quando complementam com a frase: “…já ando nisto há muitos anos e sei como é!”.

Esta preocupação, deveria ser também a preocupação de qualquer dono de um cão. Porquê?…Simples. Um olhar atento sobre o trabalho realizado por fundamentalistas de métodos “Old school”, será suficiente para não se vislumbrar qualquer resultado ( quando o apresentam ) digno de registo. Não menos importante, recorrentemente, nos trabalhos apresentados está vincada uma postura submissa do cão ( orelhas placadas, intermitência e lentidão na execução dos exercícios, bocejar durante ou entre os exercícios – na sua maioria envolvem saltos de obstáculos “militaristas” – baixar a cabeça com a aproximação do dono, etc ).

Quando estiver na presença de alguém defensor da teoria que um cão não pode passar uma porta à frente do seu dono, só deve ser alimentado depois de toda a família ter tomado a sua refeição, a “teimosia” do cão está relacionada com a dominância, um cão tem que obedecer por obrigação ( para impormos a nossa liderança e dominância ) ou um cão que puxa na trela quer liderar…FUJA!…Se gosta do seu cão, fuja!

Se aceitar uma abordagem em conceitos desfasados da realidade a par de uma Educação, Sociabilização e Treino de obediência assente na força e nas punições, para além de não obter resultados práticos, irá ser confrontado pelo dito “treinador”. Este, irá colocar-lhe as responsabilidades de toda a situação. Afinal, “não soube” impor-se sobre o seu cão.

Cláudio M. Nogueira
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Conflitos na relação com o cão

É frequente deparar-me com cães, sejam eles cachorros ou adultos, que evidenciam receio quando interagem com os seus donos. Os primeiros sinais manifestam-se através da timidez evidenciada pelo cão quando confrontado pelo seu dono com gestos mais “bruscos” e na hesitação do próprio cão em agarrar ou manter um brinquedo/objecto na  boca.

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Aliado a esta realidade, existe a indiferença dos cães aos seus donos. Situação que se torna evidente quando libertados da trela. Vale tudo menos responder ao chamamento.

Este tipo de conflitos começa a ganhar forma nas idades mais jovens dos cachorros, altura em que as brincadeiras desmedidas com as mãos dos donos, acaba por se revelar um problema. O cão participará nestas mesmas brincadeiras da única forma que sabe: Mordendo. Cenário que o dono não permite, acabando por repreender o cachorro com uma palmada (muitas vezes no focinho). Tudo isto está errado.

O resultado deste “jogo” e respectiva consequência, acabará por gerar um conflito crescente onde o cão deixará de perceber qual a barreira entre a brincadeira e uma luta na qual terá que se defender.

Igualmente, desde cedo, os donos gostam de testar a sua supremacia sobre os seus cães. É exemplo disso, a imposição forçada para que o cachorro largue o que tem na boca. Situação que se agrava quando o cachorro circula livremente pela casa ou jardim.

O preço a pagar por este tipo de vivência será alto. Principalmente, quando mais tarde se desejar treinar um cão através da motivação (Ex: Uso de bolas, churros, comida, festas). Para o cão, a mão do dono e a sua proximidade, irá ser fonte de apreensão. Umas vezes, a mão é sinónimo de prémio e outras de castigo. Não menos grave, o cão deixará de perceber quais os limites da sua liberdade.

Oposto aos cenários anteriores mas igualmente importante, os donos deixam os seus cachorros crescerem, habituando-os a passear livres da trela. Situação que os poderá colocar em risco, bem como, indesejavelmente, poderão incomodar terceiros (sejam outros animais ou pessoas). Procedendo desta forma, livres e sem obediência, os cachorros aprendem a libertar-se não só da trela mas também do dono. Este cenário, tem como consequência o erro clássico que se verifica no chamamento do cão onde o dono após vários chamamentos sem qualquer resultado prático, a bem ou a mal, apanha o seu cão e remete-o forçosamente para o final do passeio.
Garantidamente, para o cão, fica a “lição” que regressar ao dono é sinónimo de repreensão ou do fim do passeio. Numa próxima vez, o cão, demorará mais a regressar. Para dono, este comportamento é encarado como teimosia e desobediência, enquanto para o cão apenas se trata de desfrutar o mais possível da sua liberdade antes de regressar a mais uma experiência negativa, a qual está longe de saber como evitar.

Será sempre importante entender os cães, não os ver como humanos nem tão pouco os ter por mero capricho. Não menos importante, ter a humildade suficiente para perceber que, muitas vezes, antes de pensar em treinar um cão, deve pensar em “treinar-se” a si próprio. Quando assim não acontece, o relacionamento entre o dono e o seu cão é uma relação de gestão de conflitos…

Cláudio Nogueira

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