Em nome da “Obediência”

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Os castigos ou punições, infelizmente, são mecanismos enraizados na sociedade Humana. Principalmente, em pessoas que no seu passado e no seu processo de aprendizagem, foram também elas alvo deste tipo de filosofia.

De forma consciente ou inconsciente, a cultura do castigo ou punição é algo que de forma sistemática é aplicada no treino de um cão.

Induzir fisicamente ( pressionando, puxando uma trela ) um cão, castigar verbalmente um cão, usar um esguicho de agua no focinho do cão, usar uma revista / chinelo para bater no cão, colocar pimenta em locais específicos da casa, são exemplos das estratégias de punição que muitos donos usam diariamente.

As punições, por uma questão ética e por ineficácia das mesmas, não devem ser usadas. Uma punição para que verdadeiramente funcionasse teria que ser aplicada ao milésimo de segundo na adopção do comportamento indesejado, deveria ter uma intensidade elevada ( não permitir ganhar adaptação ) e deveria repetir-se de forma sempre igual na adopção de cada comportamento indesejado.

Perante o atrás explicado não será difícil concluir que a repetição de uma punição, garantindo as variáveis envolvidas, é praticamente impossível de replicar, principalmente, pelo dono inexperiente que na maioria das vezes é inconsequente. Este facto, torna as punições ineficazes e na origem da conflitualidade entre o dono e o seu cão.

Não menos grave, a punição “gratuita” irá apenas contribuir para suprimir temporariamente um comportamento. Normalmente, dependendo do cão, o comportamento “suprimido” irá repetir-se algum tempo depois junto do autor da punição ou, no limite, tenderá a repetir-se na ausência de quem puniu. Esta realidade, confirma que a punição não tem como consequência a aprendizagem efectiva do comportamento desejado.

Igualmente, é importante perceber que a punição contribui de forma indirecta para inibição de outros comportamentos. Quer isto dizer que ao punir um comportamento, poderá colocar-se em causa ( através da inibição – Intimidação ) outros comportamentos do cão. Desta forma, será possível concluir que a punição provoca danos colaterais, gerando simultaneamente intermitência nos comportamentos “aprendidos”. A esta realidade os donos atribuem erradamente o conceito do “Cão teimoso” ( obedece de forma intermitente ), “Cão provocador”  ( Depois corrigido, volta a tentar ) ou mesmo de “Cão culpado” ( Presença de quem pune pode antecipar por parte do cão o receio de punição levando-o adoptar uma postura submissa ).

Se é verdade que o uso das punições inibirá o cão de oferecer comportamentos podendo-o transformar num cão apático, infelizmente, não é menos verdade que um cão “apático” é o desejo da maioria dos donos. No entanto, é importante ressalvar que um cão “apático” é um cão psicologicamente abatido e desvirtuado.

Alguns, talvez muitos, estarão nesta a fase a pensar: “O cão destrói a casa e leva-me de arrasto na trela…e eu não faço nada??!!!”. É um pensamento legitimo e pertinente. Se a resposta a este pensamento é simples por outro lado é complexa e polémica.

A resposta simples, seria: “Aprenda a conhecer e a treinar o seu cão!”. Este é o único caminho para aprender a lidar com um animal, normalmente dinâmico e funcional, que poderá evidenciar um vasto conjunto de comportamentos perante um vasto conjunto de estímulos que lhe são apresentados diariamente.

No entanto, não é assim tão simples. É complexo ouvir pessoas afirmarem que amam os seus cães ao mesmo tempo que recusam conhecer de forma realista o animal que dizem amar. Os donos apenas conhecem as manhas e os esquemas de “sobrevivência” que o cão adopta na sua casa. Não conhecem realmente o seu cão e as suas reais necessidades.

Gostar de cães, amar cães ou respeitar cães e os animais no geral, não significa saber lidar ou viver com os mesmos.

Não raramente e durante uma vida, diariamente, alguns donos sacrificam os seus cães com puxões na trela, remetem o cão a isolamento ( quintais ), cirurgias, medicamentação e castigos físicos diversos. Tudo em nome da “Obediência”.

Cláudio Nogueira
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