Arquivo mensal: Novembro 2013

Melhores Donos, Melhores Cães…Melhores leis.

Os problemas com cães na nossa sociedade são inúmeros. Não vou incluir aqui o drama dos abandonos, uma guerra sem fim onde pessoas de grande dedicação tentam combater diariamente no nosso país, através de associações / grupos de trabalho, este acto cruel que é o abandono.

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O nosso país tem um legislação pouco favorável aos direitos dos animais, a qual em alguns casos é preconceituosa. Nomeadamente, quando se cataloga determinadas raças de cães como potencialmente perigosas.

Esta é a ponta do Iceberg, visível por quem realmente gosta e entende os animais. Uma realidade triste e dura.

Mal ou bem, nada acontece por acaso.

Aos olhos da nossa legislação fomos confrontados com o facto dos animais serem vistos como “coisas”. Como de um objecto se tratassem. No entanto, ao olharmos para a maioria dos casos, são precisamente os donos dos cães que os tratam como coisas.

Um cão não é comprado / adoptado em função das suas reais  características, mas sim em função de uma necessidade familiar pontual, impulso, carência afectiva, moda ou capricho. No fundo, uma coisa “necessária” para resolver problemas de foro pessoal ou outros.

O cão da Scotex ( aquele de que não se sabe a “marca” ) é muito querido. O Rex, igual ao da serie da TV é o ideal, guarda a casa e ainda brinca com as crianças. Se assim não acontecer, dá-se o cão. Não, mas não se dá a qualquer um, dá-se alguém que goste de animais.

Por razões “sentimentais”, os donos procuram a chamada namorada / namorado para o seu amigo de quatro patas. A paternidade ou a maternidade, é algo que deixa os cães mais calmos, dizem. Não menos importante, querem uma filha da “Fifi”. Esquecendo-se, juntamente com a filha da “Fifi”, podem vir mais nove exemplares, cujo o destino é incerto.

São aos milhares os que acreditam que um cão desde que tenha uma varanda, um quintal ou mesmo uma quinta, por si só, tem grande parte do que precisa. Sim, porque na varanda está entretido a ver a rua, no quintal tem a casota e o seus brinquedos e na quinta pode passar o dia todo a correr. Se para estas situações a adaptação não for a inicialmente esperada, arranja-se outro cão para fazer companhia ( entenda-se duplicar o problema ).

Como oposição ao cenário anterior, existem os que “batendo com a mão no peito” afirmam: “O meu cão é para estar comigo em casa. Em todo o lado a toda a hora.”

Quando, por questões meramente aleatórias e não selectivas, vivem com um canídeo naturalmente sociável / submisso / pouco energético, além de pequenos episódios associados à destruição de objectos, os donos acreditam ter dado a melhor educação e estarem perante um cão feliz. Afinal, com a chegada dos seus donos, o cão abana sempre a cauda. Ainda neste enquadramento, tudo muda quando os donos tem a veleidade de querer cães de raça onde determinadas características estão bem acentuadas no seu código genético. Quando assim acontece, dizem ter um problema, já que o novo cão não é igual ao outro.

Para a maioria dos donos, frequentar uma escola de treino canino, só se aplica caso o cão se mostre agressivo para terceiros ( pessoas ou animais ), puxe muito na trela ( caso ainda não tenham descoberto acessórios de contenção como o Easywalk ou similares ), não responda à chamada ou os índices de destruição em casa atinjam “valores” elevados.

Frequentar uma escola de treino canino para desde cedo sociabilizar um cão de forma controlada e orientada, a par de aprender a interagir e ensinar um cão naquela que deve ser a sua obediência básica, nem pensar. Dá trabalho, vem aí o frio / calor e a escola mais próxima fica a “meia hora” de caminho. Se o cão vier a dar problemas logo se vê. No imediato, pedem-se umas dicas pelo facebook e vêm-se uns vídeos no youtube.

De acordo com a maioria dos donos, correr e andar solto é mais que suficiente para um cão. Ainda assim, choram muito quando abrem a porta da quinta e o cão foge para sempre ou é atropelado. Choram muito e dão grandes recompensas a quem encontrar a “Fifi” que fugiu ou se perdeu. O drama acentua-se quando os donos, em desespero, pedem ajuda a pessoas com experiencia em comportamento animal / treino canino mas no final não aceitam qualquer conselho, sentem-se ofendidas e ainda tem sempre uma justificação para os problemas ocorridos com o seu cão.

É fundamental que os donos de cães estejam mais sensibilizados para a importância de conhecerem de forma mais realista o seu cão e as suas necessidades. Estas em nada estão relacionadas com roupas para cães, com múltiplos brinquedos, com espaço para correr ou com o seu suborno ( subornar não é recompensar ) diário.

Melhores donos vão potenciar melhores cães e com isso leis mais ajustadas.

Cláudio M. Nogueira
www.amigodorottweiler.com