Arquivo mensal: Julho 2013

Cães e Crianças

O RELACIONAMENTO DOS CÃES COM CRIANÇAS

Os cães de um “modo geral” e independentemente da sua raça, são tolerantes com crianças. Contudo, não é aconselhável assumir que nunca haverá problemas. Não menos importante, a relação entre uma criança e um cão deve ser sempre supervisionada por adultos.

Arty e Criancas - Artigo-web

Movimentos bruscos, gritos ou brincadeiras incomodas para o cão, poderão levar a que o mesmo perca a tolerância com a criança. Igualmente, abraços e beijos no focinho do cão, devem ser evitados. Enquanto o abraço pode causar no cão a ansiedade de se libertar, aproximar o rosto do focinho pode ser interpretado como uma ameaça. Ambas as situações podem despoletar uma mordida ou posturas defensivas.

Dependendo de cada cão, da sua educação, sociabilização e treino, a tolerância para com as crianças poderá variar. Por exemplo, na presença de um adulto, o cão poderá perceber que está inibido de adotar comportamentos negativos para com uma criança. No entanto, não é garantido que na ausência do adulto, o comportamento se mantenha igual.

A tolerância para com uma criança ( e não só ) poderá ser menor, caso o cão se encontre a comer. O instinto de defesa/posse, pode ser despoletado, levando a posturas defensivas ( rosnar ) ou a uma mordida rápida.

De salientar, se o cão deve ser educado a estar com crianças, estas devem também ser educadas a lidar e a respeitar o cão. Não menos importante, a tolerância para com uma criança varia de cão para cão ( enquanto indivíduo ) e não em função de uma raça. 

Um animal, seja ele qual for, não deve ser encarado como um brinquedo.

Alguns conselhos: 

  • Educar o cão a não saltar para cima das pessoas, evitando que mais tarde o faça como uma criança;
  • Os brinquedos de uma criança, não devem estar à disposição do cão. Esta situação pode originar “disputas”;
  • Antes da “apresentação” direta de um bebé a um cão, será aconselhável permitir que o cão, previamente, tenha contacto com o odor das roupas da criança;
  • O cão deve ser habituado ao bebé,  por exemplo ao seu choro, através de um processo de dessensibilização ( distraindo-o ), associando o bebé e o seu comportamento a algo positivo ( Guloseima / Carícia );
  • Uma criança não deve entrar num espaço vedado onde existam cães à solta;
  • Uma criança não deve fazer festas a um cão que esteja preso (corrente, gradeamento, à trela, etc);
  • Uma criança não deve interagir com um cão quando este se encontre a comer;
  • Supervisione sempre o cão e a criança quando estes estiverem juntos;
  • A interação de uma criança com um cão de terceiros, não deve ser facilitada. Na maioria das vezes, os donos não conhecem os seu cães ou tão pouco conseguem interpretar a sua linguagem corporal;
  • O cão, preferencialmente, deve integrar a família desde cachorro, deve ser proveniente de boas linhagens ( no caso de um cão sem raça definida é importante tentar saber o seu “historial” ) e deve ser alvo de uma correta educação, sociabilização e treino;

NOTA: Recorrer a profissionais / escolas de treino canino, é altamente recomendável.

Cláudio Miguel Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv

 

Quando começar a treinar o meu cão?

Skype-Treinos-Coto05A duvida sobre qual a melhor idade para treinar um cão, surge com muita frequência na maior parte dos donos de cães.

Sobre esta matéria, existe um leque variado de conceitos e opiniões.

Há quem defenda que antes dos doze meses de idade não vale a pena iniciar qualquer treino, outros defendem que o treino deve ter o seu inicio a partir dos dois meses de idade, havendo ainda quem defenda os seis meses idade como o período ideal para iniciar o treino. Perante esta panóplia de teorias, no final, são os donos que em função do cão que têm (mais ou menos problemático), acabam por decidir por eles próprios a altura ideal para iniciar o treino. Decisão que muitas vezes se revela precoce ou tardia, bem como pouco esclarecida nos seus propósitos e objetivos.

O estigma que rodeia as raças ditas “potencialmente perigosas”, assombra a mente dos detentores de exemplares destas mesmas raças. Não menos grave, existem mitos (no passado associados a outras raças) que sem qualquer fundamento, levam os donos a optar por treinos duros e muitas vezes violentos. As consequências são extremamente perigosas para todos os envolvidos.

Por outro lado, comportamentos normais num cachorro como o morder as pernas do dono em andamento, as mãos dos donos, rosnar num jogo de tração ou não largar o que tem na boca, são motivo suficiente para os donos assumirem que estão perante um cão problemático. Não podem estar mais errados. Garantidamente, devido aos seus bons instintos naturais e índices motivacionais elevados, estão perante um cachorro com grande disponibilidade para o treino.

A aprendizagem de um cão deve ser um processo contínuo e dividido em três fases: Educação, Sociabilização e o Treino de obediência.

A educação deve surgir logo a partir do primeiro momento em que o cachorro chega a casa. Educar é informar o cachorro sobre as regras da sua nova casa. É fundamental para um cachorro conhecer o seu local de retiro, a sua família humana, saber usar uma coleira, saber usar uma trela e ser orientado de forma cuidada para aquilo que pode e não pode fazer. Este último aspeto pode ser facilitado, não expondo permanentemente o cachorro a situações tentadoras (Ex: Circular livremente por toda a casa).

Nas diversas etapas do crescimento o cachorro estará permanentemente a colocar os seus donos à prova. Conquistar novos espaços e liderar todas as iniciativas, serão atitudes frequentes. Este facto, obrigará qualquer dono a ser coerente e rigoroso com a educação do seu cão.

DSC06641-webA sociabilização de um cachorro com o ambiente que o rodeia é algo que deve começar desde cedo. Numa primeira etapa, será o criador assumir esta função. Posteriormente, caberá ao novo dono dar continuidade ao processo de sociabilização. Processo que se deverá prolongar durante grande parte da vida do cão.A partir dos quatro meses de idade, com o programa de vacinação completo, o recurso a uma boa escola de treino é aconselhável. O cachorro poderá ter contacto com outras pessoas e animais, enriquecendo a sua experiência de vida. Esta, será determinante no seu comportamento futuro.

Embora se recomende uma escola de treino a partir dos quatro meses de idade, esta servirá inicialmente para sociabilizar o cachorro e para o dono conhecer técnicas adequadas para interagir com o seu cão.

Expor de forma controlada e moderada o cachorro/cão adulto ao seu meio envolvente é fundamental para o seu desenvolvimento e bem-estar.

Obs. – Embora por motivos de saúde seja recomendado que o cachorro não circule na via pública antes de ter completado o programa de vacinação, será importante perceber que os primeiros meses de vida são fundamentais no processo de sociabilização. Assim, de forma cuidada ( não expondo o cachorro ao contacto com cães de rua, lixo, fezes de outros animais, etc ), o cachorro de carro, ao colo e mesmo pelo chão deve ser levado à rua ou junto de ambientes que simulem o dia-a-dia.

Quando se constrói, na base, uma boa educação e sociabilização, os primeiros treinos tornam-se mais fáceis. O cachorro respeita o dono, o cachorro sente-se desinibido com o que o rodeia e ambos desenvolvem uma relação inicial sem conflitos.

Em função do cachorro, da orientação de treino definida e da experiência do treinador, a partir dos seis meses ( ou mesmo antes ), o cachorro poderá ser apresentado de forma gradual e moderada aos exercícios de obediência básica. Este trabalho deve ser um trabalho cuidado e jamais com o objetivo de ensinar em definitivo os exercícios ao cachorro. A vontade de descobrir novos horizontes e a energia típica de um cachorro, deve ser aproveitada para de forma aprazível, criar o gosto pelo treino e canalizar os instintos naturais do cão para atividades adequadas e estimulantes. Quando assim acontece os comportamentos incomodativos, como ladrar permanentemente, correr atrás de objetos, escavar, roer, etc, serão minimizados.

Tal e qual as outras fases referidas anteriormente, o treino de obediência deve ser um processo contínuo durante a fase de crescimento do cão, no entanto, deve ser prolongado o mais possível. Preferencialmente até aos três anos de idade, altura em que grande parte das raças já atingiram ou estão a atingir a sua maturidade. Posteriormente, deve ser garantido um trabalho de “manutenção” dos comportamentos resultantes do treino, não só para que não se percam mas também para manter os estímulos físicos e mentais do cão.

Resumindo, embora a palavra treino seja o “chapéu” que inclui tudo o que esteja relacionado com o ensinamento de um cão, este processo pode ser interpretado como um processo composto por várias fases distintas que direta ou indiretamente, estão interligadas entre si.

De forma controlada e respeitadora para terceiros, deixe o seu cachorro crescer e não confunda o seu porte físico com a sua maturidade. Não se precipite em incutir obediência prematura no seu cachorro. Os aparentes resultados imediatos irão transformar o seu cachorro num cão apático, relutante aos ensinamentos, receoso e desconfiado. Aspetos que em adulto o podem tornar num cão perigoso.

Aconselhe-se sempre com pessoas experientes e com provas dadas.

Cláudio Miguel Nogueira
www.amigodorottweiler.com
http://vimeopro.com/claudionogueira/amigo-do-rottweiler-tv